Livro: Uma Linguagem de Padrões, Christopher Alexander

Conheça a linguagem de 253 padrões de Christopher Alexander, uma rede de estratégias projetuais para todos!
Você já ouviu a frase “a cidade não é uma árvore”? O criador dessa frase não apenas foi reconhecido no mundo da teoria do urbanismo. A obra seminal de Christopher Alexander, “Uma linguagem de padrões”, escrita em conjunto com Sara Ishikawa, Murray Silverstein e seus alunos Max Jacobson, Ingrid Fiksdahl-King e Shlomo Angel em 1977, continua sendo um dos livros mais vendidos sobre arquitetura, depois de décadas de sua publicação. A edição brasileira, publicada pela Bookman em 2013, tem tradução de Alexandre Salvaterra e 1.215 páginas.
Alexander, um renomado arquiteto que destacou-se por suas contribuições inovadoras e críticas ao movimento moderno, estudou ciências e depois design em Harvard. Ele também foi professor na Universidade da Califórnia, onde desenvolveu grande parte de suas pesquisas. Seu trabalho influenciou diversos desenvolvimentos e inovações tecnológicas em diferentes campos, como o fundamento para a estrutura da Wikipedia. O caminho até o software está documentado: em setembro de 1987, um relatório técnico de Kent Beck e Ward Cunningham submetido ao workshop da conferência OOPSLA adaptou a linguagem de padrões à programação orientada a objetos, começando por um sistema de cinco padrões para interfaces de janelas. O Hillside Group reúne hoje uma biblioteca aberta de catálogos de padrões de software.
Sua obra "Notes on the Synthesis of Form" foi fundamental para a arquitetura e urbanismo, destacando a relação entre forma, cidade e natureza. Em suas pesquisas, interessou-se pelos processos pelos quais as partes se transformam em totalidades. Ele explorou padrões nos ecossistemas naturais para entender como a natureza o faz, abriu horizontes na compreensão para valorizar as partes e desconstruiu a linguagem da forma urbana, da cidade e dos edifícios nas relações de seus múltiplos elementos. Sua obra "The Nature of Order" é uma exploração ambiciosa dos conceitos de totalidade e beleza, influenciando gerações futuras.

O livro tem a estrutura de uma rede, na qual cada padrão pode ter uma declaração que faz referência a outro padrão, citado entre parênteses, por exemplo: (12), totalizando 253 padrões. O conjunto de problemas e soluções documentadas, o conjunto dos chamados “padrões”, formam uma linguagem.
Através de desenhos, fotografias e tabelas, descreve-se os métodos exatos para construir designs práticos, seguros e atraentes em todas as escalas, desde regiões inteiras, passando por cidades, bairros, jardins, edifícios, quartos, móveis e acessórios. Ao fazer isso, os autores fornecem às pessoas comuns, não apenas aos profissionais, uma maneira de trabalhar com seus vizinhos para melhorar uma cidade ou bairro, considerando que a maioria dos lugares maravilhosos do mundo não foi feita por arquitetos, mas pelas pessoas.
O que a lei brasileira diz sobre projetar junto com quem mora
No Brasil, essa participação tem endereço na legislação urbana. O Estatuto da Cidade, Lei 10.257/2001, coloca a gestão democrática entre as diretrizes gerais da política urbana e, no artigo 43, nomeia os instrumentos que devem garanti-la: órgãos colegiados de política urbana, debates, audiências e consultas públicas e conferências sobre assuntos de interesse urbano. Na elaboração do plano diretor, a lei obriga os Poderes Executivo e Legislativo municipais a promover audiências públicas e a dar acesso aos documentos produzidos.
Na escala da casa, a Lei 11.888/2008 assegura às famílias com renda mensal de até três salários mínimos, em área urbana ou rural, assistência técnica pública e gratuita de profissionais de arquitetura, urbanismo e engenharia para projeto, acompanhamento e execução da obra, incluindo reforma, ampliação e regularização fundiária da moradia.

Os autores consideram os padrões não como infalíveis, mas como hipóteses da melhor suposição atual sobre qual disposição do ambiente físico funcionará para resolver o problema apresentado. As perguntas empíricas se concentram no problema e a solução, todos livres para evoluir sob o impacto de nova experiência e observação.
Os padrões postos à prova em Saitama
Entre 1982 e 1987, o Center for Environmental Structure projetou o campus da escola Eishin, em Iruma, na província de Saitama, no Japão. O trabalho começou pela escrita de uma linguagem de padrões feita sob medida para aquele lugar: 1.200 horas de conversa com professores e funcionários, condensadas em textos que descreviam a realidade física desejada. Só depois vieram a implantação no terreno, de cerca de 280 por 320 metros, e o desenho dos edifícios para uma população de 2 mil alunos e professores.
Pode-se supor que, graças aos seus escritos, está claro que a cidade não é uma composição de objetos, mas uma rede dessas relações em evolução. A forma e a geometria urbana e arquitetônica fragmentadas, objetificadas e mercantilizadas são, em si mesmas, parte do mal-estar da sociedade capitalista. Nosso mundo não poderá se recuperar de seu declínio ambiental e econômico até que aprenda a implementar uma geometria mais adaptável no ambiente construído.
"Os padrões específicos, dos quais um edifício ou uma cidade é feita pode ser vivo ou morto. Na medida em que estão vivos, deixam as nossas forças internas soltas e, nos libertarem; Mas quando eles estão mortos, eles nos mantêm trancados no conflito interno."
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