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Jardim Sensorial: à flor da pele

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Jardim Sensorial: uma jornada através dos sentidos.
Jardim Sensorial: uma jornada através dos sentidos.

Experimente esta maneira de explorar o mundo através dos cinco sentidos e viva os benefícios terapêuticos como o alívio do estresse e o estímulo da criatividade.

Um jardim sensorial é projetado para que visão, tato, olfato, paladar e audição se entrelacem: cada canteiro, caminho e fonte é escolhido pelo que oferece a cada um dos sentidos.

Muitas vezes associado a práticas educacionais, ele serve à educação, à terapia ou só à contemplação, em escolas, praças e quintais.

Jardim Sensorial: uma jornada através dos sentidos.
Jardim Sensorial: uma jornada através dos sentidos.

Visão: cor, contraste e forma. Folhagens de tons diferentes, flores que abrem em épocas distintas e a disposição dos elementos compõem um quadro que muda com as estações.

Tato: texturas ao alcance da mão: superfícies macias de musgos, a aspereza de pedras ou seixos, a delicadeza de pétalas e folhas. Elementos como fontes de água, cascatas suaves e materiais como madeira e cortiça também agregam experiências táteis diversificadas ao ambiente.

Jardim Sensorial: uma jornada através dos sentidos.
Jardim Sensorial: uma jornada através dos sentidos.

Olfato: as plantas aromáticas são escolhidas para que sempre haja alguma perfumando o jardim, conforme a estação e a hora do dia. O aroma vem dos óleos essenciais, que podem estar distribuídos por toda a planta ou concentrados em algumas partes — folha, flor, caule, casca ou raiz. Hortelã, manjericão, alfavaca-cravo e alecrim estão entre as espécies aromáticas e condimentares descritas pela Embrapa, com uso ao mesmo tempo culinário e medicinal.

Paladar: ervas culinárias e frutas trazem o sabor para o jardim. A contrapartida é saber o que não vai à boca. Antúrio, azaleia e comigo-ninguém-pode estão entre as ornamentais frequentes em praças, parques e dentro de casa que são tóxicas — a ingestão vai de inchaço e coceira na boca a vômitos e, em casos graves, convulsões, segundo a galeria de plantas venenosas do Sinitox, da Fiocruz. Identificar cada espécie e conhecer seu nome é a medida de prevenção que a própria instituição indica.

Audição: o canto dos pássaros, a brisa nas folhas, a água fluindo numa fonte — o som da natureza é a trilha sonora do jardim.

Quem o jardim atrai

O zumbido e o canto dependem de haver o que comer. Ao voarem de flor em flor atrás de alimento, as abelhas realizam a polinização que garante a reprodução das plantas, a produção de frutos e sementes — a Embrapa Meio-Norte reúne espécies de flores que deixam jardins, quintais e praças mais atrativos para elas, entre elas a onze-horas, conhecida por oferecer néctar. O canteiro florido é, ao mesmo tempo, elemento visual, olfativo e sonoro.

Jardim Sensorial: espaços inclusivos, acessíveis a todas as idades e habilidades.
Jardim Sensorial: espaços inclusivos, acessíveis a todas as idades e habilidades.

O efeito sobre quem visita tem medida. A revisão da Organização Mundial da Saúde sobre espaços verdes urbanos e saúde atribui a parques, playgrounds e vegetação residencial ganhos de saúde mental e física por relaxamento psicológico, alívio do estresse, coesão social e menor exposição a poluentes do ar, ruído e calor excessivo. O alcance tem contorno conhecido: uma revisão sistemática publicada na Frontiers in Psychology em 2023 reuniu os estudos de terapia hortícola e encontrou efeito significativo sobre indicadores psicológicos e efeito não significativo sobre os fisiológicos.

O jardim sensorial cabe em qualquer escala, do recanto no quintal aos parques públicos ou instituições educacionais. Em espaço público, a inclusão é obrigação escrita: a Lei 10.098/2000 determina que o planejamento e a urbanização das vias públicas, dos parques e dos demais espaços de uso público sejam concebidos e executados de forma a torná-los acessíveis a todas as pessoas, inclusive as com deficiência ou mobilidade reduzida.

A informação que chega pelo tato

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) define comunicação como a forma de interação que abrange, entre outras opções, o braille, o sistema de sinalização ou de comunicação tátil e os caracteres ampliados. Num jardim, é o que permite que o nome e a procedência de cada espécie cheguem sem depender da visão.

A transcrição é serviço especializado. A Fundação Dorina Nowill para Cegos mantém um núcleo editorial que converte textos, livros e materiais diversos para o braille, um sistema em que a leitura se dá pelo tato.

Monte seu Jardim Sensorial

  1. Defina o objetivo: determine se o jardim será terapêutico, educacional ou contemplativo para orientar as escolhas de design. O objetivo educacional tem enquadramento próprio: a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9.795/1999) chama de educação ambiental não-formal as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais, e incentiva a participação da escola, da universidade e de organizações não governamentais nesses programas.
  2. Escolha o local: avalie o espaço disponível, assegurando acessibilidade e uma atmosfera propícia.
  3. Planeje o layout: divida o espaço em áreas distintas, cada uma focada em estimular um sentido específico. Considere a circulação, garantindo que os visitantes possam percorrer o jardim de maneira fluida e intuitiva.
  4. Escolha as plantas por sentido: cor e contraste para a visão; texturas para o tato; aromáticas com floração escalonada ao longo do ano para o olfato; ervas culinárias e frutas para o paladar; folhagem e água para a audição.
  5. Acessibilidade: o jardim precisa servir a todas as pessoas, inclusive às que têm deficiência. O Decreto 5.296/2004 exige que a concepção e a implantação de projetos arquitetônicos e urbanísticos atendam aos princípios do desenho universal, tendo como referências básicas as normas técnicas de acessibilidade da ABNT — desenho universal ali definido como a concepção de espaços, artefatos e produtos que atendem simultaneamente todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável.
  6. Integre espaços confortáveis para descanso e contemplação.
  7. Se pretende utilizar o jardim à noite, planeje uma iluminação suave que destaque elementos chave e crie uma atmosfera relaxante. A luz baixa também poupa quem vive no jardim: a DarkSky International reúne evidências de que a iluminação artificial noturna afeta anfíbios, aves, mamíferos, insetos e plantas, que dependem do ciclo diário de luz e escuridão para reprodução, alimentação, sono e proteção contra predadores, e de que a atração de insetos por luminárias reduz populações das quais dependem a polinização e as espécies que se alimentam delas.
  8. Um jardim sensorial requer manutenção regular. Remova ervas daninhas, substitua plantas quando necessário e assegure-se de que todos os elementos estejam em bom estado.
Jardim Sensorial: uma jornada através dos sentidos.
Jardim Sensorial: uma jornada através dos sentidos.

O jardim como projeto

Desenhar espaço externo é atribuição definida em lei. A Lei 12.378/2010, que regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo, lista entre os campos de atuação a Arquitetura Paisagística: concepção e execução de projetos para espaços externos, livres e abertos, privados ou públicos, como parques e praças, isoladamente ou em sistemas, em várias escalas, inclusive a territorial.

A referência brasileira do ofício está catalogada. O Sítio Roberto Burle Marx, na zona oeste do Rio de Janeiro, entrou na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 2021 como o primeiro jardim tropical moderno inscrito: 3.500 espécies cultivadas de flora tropical e subtropical convivendo com a vegetação nativa da região, resultado de um laboratório paisagístico que Burle Marx desenvolveu por mais de 40 anos, iniciado em 1949.

Um jardim sensorial se mede pelo que oferece a cada sentido — e, em espaço público, pelo que a lei exige que ofereça a todas as pessoas.

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