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Valen Brasil
Arquitetura

3 aplicativos para construção: Fieldwire, magicplan e 3D Scanner

Editora Valen •
Dedo apontando para a tela de um tablet com a planta baixa de uma casa mobiliada
Planta baixa consultada no tablet: aplicativos levaram levantamento e gestão de obra para fora do escritório. Imagem com crédito original a Shutterstock.

Fieldwire para gestão de obra, magicplan para planta baixa com a câmera e 3D Scanner App para modelos 3D por LiDAR: recursos, custos, limites e responsabilidade técnica.

Três aplicativos úteis para quem projeta e acompanha obras são o Fieldwire, para gestão de tarefas e plantas no canteiro; o magicplan, para fazer plantas baixas com a câmera do celular; e o 3D Scanner App, para transformar objetos e ambientes em modelos 3D com o sensor LiDAR de iPhones e iPads. Os três permitem começar sem pagar e cobram por recursos avançados. Nenhum substitui o projeto técnico nem a responsabilidade do profissional, mas encurtam etapas de levantamento, comunicação e registro.

Do computador ao celular

A tecnologia mudou a rotina da profissão de arquiteto em duas ondas. Na primeira, os programas de computador substituíram a prancheta no desenho e na visualização dos projetos. Na segunda, celulares e tablets levaram parte desse trabalho para fora do escritório: a medição de um ambiente, a conferência de uma planta no canteiro, a foto anotada de um defeito, o croqui feito na visita.

Mãos desenhando com caneta no tablet a perspectiva de uma casa, com vistas em elevação no alto da tela
Croqui e perspectiva desenhados no tablet: a mobilidade trouxe parte do trabalho de projeto para fora do escritório.

Os aplicativos a seguir foram escolhidos por cobrirem três momentos diferentes do trabalho: a obra, o levantamento de um ambiente existente e a captura em 3D. Para o desenho à mão livre, o blog tem um texto próprio sobre o aplicativo de desenho livre para arquitetos mais usado no iPad.

Os três aplicativos em resumo
AplicativoPara que serveOnde funcionaModelo de cobrança
FieldwireGestão de tarefas, plantas e vistorias na obraComputador, iOS e AndroidCadastro gratuito para começar e planos pagos
magicplanPlanta baixa com a câmera e medição com LiDARiPhone e iPad; também AndroidGratuito com compras no app
3D Scanner AppModelos 3D de objetos e ambientes por LiDARiPad Pro e iPhone Pro com LiDARVersão básica gratuita

Fieldwire

O Fieldwire é uma plataforma de gestão de obras voltada a construtoras, empreiteiros, proprietários e escritórios de arquitetura. Hoje o produto se chama Fieldwire by Hilti e faz parte do grupo Hilti, fabricante de ferramentas e soluções para construção. A empresa informa que a ferramenta já foi usada em mais de 4 milhões de obras no mundo.

Tela do Fieldwire em notebook e celular, com uma planta baixa marcada por cores e uma lista de tarefas ao lado
Fieldwire no computador e no celular: a planta mostra tarefas e pendências marcadas por cor, e a lista acompanha o que falta fazer.

O ponto central é reunir a equipe de campo e a do escritório no mesmo lugar. Segundo o site do fabricante, os principais recursos são:

  1. Tarefas e listas de pendências. Cada serviço ou defeito vira uma tarefa atribuída a alguém, com prazo e situação, inclusive as listas de pendências da entrega da obra.
  2. Plantas sempre atualizadas. As pranchas ficam no aplicativo com controle de versão, e a equipe consulta a revisão vigente em qualquer aparelho.
  3. Marcações na planta. É possível anotar direto no desenho, com notas, fotos e vídeos do local.
  4. Mensagens por tarefa. As conversas ficam ligadas à tarefa correspondente, com notificações, o que reduz a troca de e-mails.
  5. Vistorias, cronograma e relatórios. O aplicativo tem vistorias, programação de serviços e relatórios em PDF, além de módulos de pedidos de informação, submissões, aditivos e orçamento.

Para o arquiteto que acompanha a execução, o valor está em ter um registro organizado do que foi feito, por quem e quando, o que ajuda na gestão de canteiros de obras e na conversa com o cliente sobre prazos e mudanças.

magicplan

O magicplan cria plantas baixas a partir da câmera do celular ou do tablet. O usuário percorre o ambiente, e o aplicativo usa realidade aumentada e, nos aparelhos que têm, o sensor LiDAR para medir e desenhar os cômodos. Na App Store brasileira, o app é gratuito, com compras dentro do aplicativo.

Planta baixa em perspectiva de uma sala com mobiliário ao lado de um celular que mostra a medição do ambiente em realidade aumentada
magicplan: à direita, a medição do ambiente pela câmera; à esquerda, a planta com mobiliário gerada a partir dela.

Pela descrição do fabricante na App Store, os principais recursos são:

  1. Planta baixa em tempo real, feita só com a câmera, sem equipamento extra.
  2. Fotos, notas e panoramas de 360 graus ligados a cada ambiente.
  3. Objetos e equipamentos posicionados na planta, como portas, janelas e móveis.
  4. Formulários, listas de verificação e relatórios para documentar a visita.
  5. Listas de preços e estimativas, voltadas a reformas e reparos.

O público principal, segundo a própria descrição, são reformadores, restauradores e peritos de seguro. Usuários relatam nas avaliações da loja o uso com trena eletrônica sincronizada por Bluetooth e a exportação da planta em DXF, formato lido por programas de CAD. Isso torna o app útil para levantamentos rápidos de imóveis existentes, como em vistorias de imóveis, reformas e gestão imobiliária.

A medida feita no aplicativo, porém, é um levantamento de apoio. Quando entra num laudo de vistoria, de inspeção predial ou de perícia, ela precisa ser conferida pelo profissional, segundo as normas técnicas e as boas práticas difundidas por entidades como o IBAPE, que reúne no país os engenheiros e arquitetos que trabalham com avaliação e perícia.

Planta feita no celular não dispensa responsabilidade técnica

O levantamento que sai do aparelho é insumo de projeto, e quem o usa responde por ele. Para o arquiteto:

“Toda realização de trabalho de competência privativa ou de atuação compartilhadas com outras profissões regulamentadas será objeto de Registro de Responsabilidade Técnica - RRT.” (Lei 12.378/2010, art. 45)

Na engenharia, o papel equivalente cabe à ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), exigida pela Lei 6.496/1977 nos contratos de obras e serviços, mesmo quando o acordo é só verbal. Na prática, o RRT ou a ART identificam quem assina o trabalho, independentemente da ferramenta usada para medir.

A medida levantada também não chega sozinha à matrícula do imóvel. Construção nova ou ampliação precisa de projeto aprovado, conclusão de obra e averbação no Registro de Imóveis, registro que o art. 167 da Lei 6.015/1973 inclui no rol das averbações.

3D Scanner App

O 3D Scanner App, da empresa Laan Labs, transforma objetos e ambientes em modelos 3D. Segundo o site, a captura por LiDAR funciona em iPad Pro e iPhone 12 Pro e modelos posteriores com o sensor: basta percorrer o objeto ou o ambiente com a câmera, e o aplicativo monta o modelo.

Mão segurando um iPhone que mostra o modelo 3D escaneado de uma poltrona, diante da poltrona real
Modelo 3D de uma poltrona gerado pelo 3D Scanner App com o sensor LiDAR, ao lado do móvel real.

O aplicativo tem um editor 3D no próprio aparelho para limpar o modelo capturado e permite compartilhar os arquivos no formato USDZ, da Pixar, que os aparelhos da Apple exibem pelo recurso Quick Look, por mensagem, e-mail ou na web. A versão básica é gratuita, e a Laan Labs oferece versões profissionais e corporativas sob consulta.

Na arquitetura, o uso mais comum é registrar o estado de um ambiente antes de uma reforma, capturar peças de mobiliário ou elementos decorativos e gerar referências para o modelo de projeto. O resultado é uma malha 3D, e não um modelo de construção com paredes, portas e informações; ele serve de base, mas precisa ser redesenhado no programa de projeto.

Do modelo solto ao BIM

Um modelo 3D preso a um aplicativo tem alcance curto. O BIM (modelagem da informação da construção) organiza o projeto como um modelo com dados de cada elemento, e o poder público passou a exigi-lo. Nas contratações do governo federal, o Decreto 10.306/2020 escalonou a adoção em três fases:

Fases do BIM nas obras federais (Decreto 10.306/2020, art. 4º)
FaseDesdeO que passa a exigir
Primeira1º de janeiro de 2021BIM no desenvolvimento de projetos de arquitetura e engenharia considerados de grande relevância
Segunda1º de janeiro de 2024BIM também na execução dos projetos e na gestão de obras, com orçamento, planejamento e modelo como construído
Terceira1º de janeiro de 2028Ampliação do uso no desenvolvimento de projetos e na gestão de obras

A lei de licitações segue a mesma linha:

“Nas licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura, sempre que adequada ao objeto da licitação, será preferencialmente adotada a Modelagem da Informação da Construção (Building Information Modelling - BIM) ou tecnologias e processos integrados similares ou mais avançados que venham a substituí-la.” (Lei 14.133/2021, art. 19, § 3º)

A passagem de um programa para outro depende de formato aberto. O IFC (Industry Foundation Classes), publicado como norma internacional ISO 16739, é mantido pela buildingSMART International e é o padrão de troca do chamado openBIM, ao lado do IDS, que especifica as informações exigidas, e do BCF, usado para comunicar problemas e revisões entre os modelos. Quem quer ver o modelo ganhar forma de imagem encontra os próximos passos no texto sobre renderização de projetos de arquitetura.

Como escolher entre os aplicativos

  • Para acompanhar obra, com equipe e tarefas, o Fieldwire é o mais completo dos três.
  • Para levantar um imóvel existente rapidamente, o magicplan gera a planta na visita.
  • Para registrar objetos ou ambientes em 3D, o 3D Scanner App aproveita o LiDAR dos aparelhos Pro.
  • Confira o aparelho. Os recursos de LiDAR dependem de modelos específicos de iPhone e iPad.
  • Teste a versão gratuita e verifique os formatos de exportação antes de pagar; a integração com o programa de projeto é o que define a utilidade no dia a dia.

Pontos principais

  • Fieldwire (Hilti) organiza tarefas, plantas, vistorias e relatórios da obra, com cadastro gratuito para começar.
  • magicplan faz plantas com a câmera e o LiDAR, gratuito com compras no aplicativo.
  • 3D Scanner App (Laan Labs) cria modelos 3D por LiDAR em aparelhos Pro, com versão básica gratuita.
  • Levantamento por aplicativo não dispensa responsabilidade técnica (RRT ou ART) nem a averbação da construção na matrícula.
  • O BIM é exigido em fases nas obras federais desde 2021, e o IFC é o formato aberto de troca entre programas.

Perguntas frequentes

O magicplan substitui a medição com trena?

Não em trabalhos técnicos. Ele agiliza o levantamento, mas medidas usadas em projeto, laudo ou perícia devem ser conferidas pelo profissional responsável.

Preciso de um celular com LiDAR?

Para o 3D Scanner App, sim, no modo de captura por LiDAR. O magicplan funciona com a câmera e aproveita o LiDAR quando o aparelho tem o sensor.

O Fieldwire é gratuito?

O site oferece cadastro gratuito para começar; recursos avançados e uso em escala dependem dos planos pagos.

O modelo do 3D Scanner App pode ir para o BIM?

Ele gera uma malha 3D, útil como referência. Para virar modelo BIM, com paredes, portas e informações, precisa ser redesenhado no programa de projeto.

O que esperar dos três aplicativos

Os três aplicativos mostram como o celular virou ferramenta de trabalho do arquiteto: na obra, no levantamento e na captura em 3D. O ganho de tempo é real, desde que o resultado seja tratado como apoio e passe pela conferência de quem assina o trabalho. E quando o levantamento serve para saber quanto um imóvel vale, para venda, partilha ou financiamento, a equipe da Valen Brasil prepara o laudo de avaliação do imóvel a partir de vistoria presencial e pesquisa de mercado.

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