Oscar Niemeyer: biografia, obras e legado

Da Pampulha a Brasília, do exílio em Paris ao MAC de Niterói: a vida e as principais obras de Oscar Niemeyer, contadas a partir de fontes oficiais.
Oscar Niemeyer (1907–2012) foi o arquiteto brasileiro que levou a curva ao concreto armado e desenhou os principais edifícios de Brasília. Em mais de setenta anos de trabalho, deixou um legado que o Senado Federal estima em mais de 600 obras, no Brasil e em outros países, e recebeu em 1988 o Prêmio Pritzker, a principal distinção da arquitetura mundial.
Salvo indicação em contrário, as datas deste texto seguem a cronologia da Fundação Oscar Niemeyer, guardiã do acervo do arquiteto. Os demais dados vêm de fontes oficiais, citadas ao longo do texto.
| Dado | Informação |
|---|---|
| Nome completo | Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho |
| Nascimento | 15 de dezembro de 1907, no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro |
| Morte | 5 de dezembro de 2012, no Rio de Janeiro, aos 104 anos |
| Formação | Engenheiro arquiteto pela Escola Nacional de Belas Artes (1934) |
| Obras mais conhecidas | Conjunto da Pampulha, Edifício Copan, Parque Ibirapuera, palácios de Brasília, MAC Niterói |
| Principais prêmios | Lênin da Paz (1963), Pritzker (1988), Príncipe de Astúrias das Artes (1989), Medalha de Ouro do RIBA (1998), Praemium Imperiale (2004) |
| Família | Casado com Annita Baldo de 1928 até a morte dela, em 2004; com Vera Lúcia Cabreira a partir de 2006; filha única, Anna Maria Niemeyer |
Quem foi Oscar Niemeyer
Infância e formação no Rio de Janeiro
Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho nasceu em 15 de dezembro de 1907, no bairro de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, então capital do país, conforme o perfil publicado pela Associação Brasileira de Imprensa no dia seguinte à sua morte. Em 1928 concluiu o curso secundário no Colégio Santo Antônio Maria Zaccaria e, no mesmo ano, casou-se com Annita Baldo. Os dois tiveram uma única filha, Anna Maria, que mais tarde seria galerista.
Em 1929 matriculou-se na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio, que a partir de 1931 seria dirigida por Lucio Costa, o arquiteto que se tornaria seu mentor. Recebeu o diploma de engenheiro arquiteto em 1934.
Os primeiros anos no escritório de Lucio Costa
Niemeyer começou a vida profissional em 1935, no escritório de Lucio Costa. No ano seguinte entrou na equipe que desenvolvia o projeto do Ministério da Educação e Saúde, no Rio, ao lado de Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Moreira e Ernani Vasconcelos. Foi também em 1936 que conheceu Le Corbusier, trazido ao Brasil por Lucio Costa e pelo ministro Gustavo Capanema como consultor do projeto.
O próprio Niemeyer contou como deu sua primeira contribuição decisiva ao edifício. Em depoimento guardado pela Fundação Oscar Niemeyer, ele diz que fez um croqui "aumentando a altura dos pilotis de quatro metros para dez metros". Carlos Leão levou a ideia a Lucio Costa, e o desenho, que Niemeyer tinha jogado pela janela, foi recuperado e usado no projeto definitivo. O prédio, hoje Palácio Gustavo Capanema, foi construído entre 1937 e 1945 e tombado em 1948, segundo o Ministério da Cultura.
Em 1937 desenhou a Obra do Berço, no Rio, seu primeiro projeto construído. Em 1938 viajou a Nova York, convidado por Lucio Costa, para integrar a equipe que projetou o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York.
Pampulha: a curva chega à arquitetura moderna (1940–1943)
Em 1940 Niemeyer conheceu Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, que o convidou a projetar um conjunto de lazer em torno de um lago artificial na região da Pampulha. O conjunto reúne quatro edifícios, construídos quase ao mesmo tempo entre 1942 e 1943, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte:
- Cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha;
- Casa do Baile, hoje Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design;
- Iate Golfe Clube, hoje Iate Tênis Clube, que introduziu no Brasil o telhado em "V", conhecido como telhado borboleta;
- Igreja de São Francisco de Assis, a peça mais conhecida do conjunto.
O cálculo estrutural da igreja é do engenheiro Joaquim Cardozo, segundo o portal oficial de turismo de Belo Horizonte. Cardozo seria o parceiro de Niemeyer também em Brasília. O paisagismo é de Roberto Burle Marx, e a Unesco destaca justamente o trabalho conjunto de Niemeyer, Burle Marx e Portinari ao inscrever o Conjunto Moderno da Pampulha na Lista do Patrimônio Mundial, em 2016.

A igreja foi construída de 1943 a 1945, teve a ornamentação concluída em 1957 e só foi entregue ao culto em 1959, segundo a Arquidiocese de Belo Horizonte. A ornamentação é de Cândido Portinari, Alfredo Ceschiatti e Paulo Werneck. O catálogo do Projeto Portinari registra o tombamento pelo Iphan já em 1947, por proposição de Lucio Costa, quando o templo ainda não recebia fiéis.
A última grande restauração da igreja custou R$ 1,07 milhão do governo federal, por meio do Iphan, e o templo reabriu ao público em 4 de outubro de 2019, informou a prefeitura. A igreja é um marco da arquitetura religiosa moderna no país, tema que Niemeyer retomaria na Catedral de Brasília.

Projeção internacional: ONU, Ibirapuera e Copan
Em 1945 Niemeyer ingressou no Partido Comunista Brasileiro, filiação que manteria a vida inteira. Dois anos depois foi a Nova York como membro do comitê internacional de arquitetos encarregado do projeto da sede da ONU. Era o mais jovem dos dez arquitetos do Board of Design, dirigido por Wallace K. Harrison, segundo o Arquivo das Nações Unidas. A proposta dele, a de número 32, foi combinada à 23A, de Le Corbusier, no projeto final, o 23B, apresentado em 21 de maio de 1947. Na exposição da ONU sobre a construção da sede, a organização registra que as formas fundamentais dos edifícios construídos são de Le Corbusier e de Niemeyer.

A década seguinte consolidou seu nome no Brasil. Em São Paulo, o Parque Ibirapuera foi inaugurado em 21 de agosto de 1954, nas comemorações do IV Centenário da cidade, com projeto de Niemeyer e equipe. O auditório previsto no plano original só saiu do papel meio século depois: a prefeitura registra a inauguração do Auditório Ibirapuera em outubro de 2005, a partir de um desenho de 1950.
No centro de São Paulo, o Edifício Copan foi construído entre 1952 e 1966. Com 115 metros de altura e 1.160 apartamentos, onde vivem cerca de 5 mil pessoas, o prédio de fachada ondulada foi tombado pelo Conpresp em 2012, o conselho municipal de patrimônio.
No Rio, Niemeyer projetou em 1951 a própria casa, na Estrada das Canoas, em São Conrado. A Casa das Canoas tem uma laje de cobertura sinuosa, abre-se para a mata em fachadas de vidro e incorpora uma rocha do terreno à piscina. A Fundação Oscar Niemeyer, que administra o imóvel, informa que a casa está fechada para visitação para manutenção.
Em 1954 Niemeyer foi convidado, com outros quinze arquitetos de renome, a projetar edifícios do bairro Hansa, na reconstrução de Berlim, e fez sua primeira viagem à Europa. No mesmo ano projetou o Museu de Arte Moderna de Caracas. Em 1955 fundou no Rio a revista Módulo, dedicada à arquitetura e às artes.

Brasília (1956–1960)
Em 1956 o presidente Juscelino Kubitschek convidou Niemeyer para projetar a nova capital e o nomeou diretor do Departamento de Urbanismo e Arquitetura da Novacap, a empresa responsável pela construção de Brasília. Coube a ele organizar o concurso para o plano urbanístico e integrar a comissão julgadora. Lucio Costa, seu antigo mentor, venceu a disputa em 1957 com o Plano Piloto. Entre os jovens arquitetos que chegaram à obra naquele ano estava João Filgueiras Lima, o Lelé, encarregado dos alojamentos dos operários.

Entre 1957 e 1958, Niemeyer projetou o Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, entre outros edifícios. Só no Congresso, passou pelo menos cinco meses de 1957 debruçado sobre o projeto, como mostram os rascunhos guardados pelo Senado. As estruturas foram calculadas por Joaquim Cardozo, que a Câmara dos Deputados chama de "o poeta dos cálculos".
- Palácio da Alvorada: a residência oficial da Presidência foi inaugurada em 30 de junho de 1958, antes da própria cidade.
- Palácio do Planalto: sede do Poder Executivo, inaugurado em 21 de abril de 1960.
- Congresso Nacional: o conjunto de duas cúpulas e duas torres de 28 andares fecha a Praça dos Três Poderes, que também abriga o Planalto e o Supremo.
- Supremo Tribunal Federal: a sede foi inaugurada na manhã de 21 de abril de 1960; em frente fica a escultura A Justiça, de Alfredo Ceschiatti.


Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960. Parte dos edifícios de Niemeyer só ficou pronta depois. A Catedral Metropolitana, cujas 16 colunas parabólicas de concreto foram concluídas em 1958, só foi inaugurada em 31 de maio de 1970. Na praça de acesso ficam quatro esculturas de bronze de 3 metros, de Ceschiatti, que representam os evangelistas. O Palácio Itamaraty, conhecido como Palácio dos Arcos, sede do Ministério das Relações Exteriores, foi inaugurado oficialmente em 1970.

A proteção do conjunto tem base legal desde o início. A Lei nº 3.751, de 1960, que organizou o Distrito Federal, determina no artigo 38 que qualquer alteração no plano-piloto depende de autorização em lei federal. Em 1987, a Unesco inscreveu Brasília na Lista do Patrimônio Mundial, como obra conjunta do urbanista Lucio Costa e do arquiteto Oscar Niemeyer.
Universidade de Brasília, ditadura e exílio (1962–1980)
Em 1962 Niemeyer foi nomeado coordenador da Escola de Arquitetura da recém-criada Universidade de Brasília. No ano seguinte recebeu o Prêmio Lênin da Paz, na União Soviética. Depois do golpe militar de 1964, o governo suspendeu a publicação da revista Módulo. Em 18 de outubro de 1965, 223 professores e assistentes da UnB assinaram um pedido coletivo de demissão em protesto contra a repressão no campus, e a universidade perdeu quase 80% do corpo docente. Niemeyer estava entre eles.
Impedido de trabalhar no Brasil, instalou-se em Paris em 1967. Segundo a Fundação Oscar Niemeyer, o general De Gaulle lhe concedeu autorização para exercer a profissão na França. O exílio foi o período de sua obra mais internacional:
- sede do Partido Comunista Francês, na place du Colonel-Fabien, em Paris, esboçada em 1965, concluída em 1971 e classificada como monumento histórico em 2007 pelo Ministério da Cultura francês;
- sede da Editora Mondadori, em Segrate, perto de Milão, construída entre 1968 e 1975;
- Universidade de Constantine, na Argélia, erguida segundo os planos de Niemeyer (projeto de 1969);
- Bolsa do Trabalho de Bobigny, na periferia de Paris, para a qual foi escolhido em 1972, ano em que abriu escritório na avenida Champs-Élysées.
Também em 1972 projetou o centro cultural de Le Havre. Le Volcan, como ficou conhecido, teve as obras iniciadas em 1977 e foi inaugurado em novembro de 1982. Niemeyer voltou ao Brasil depois da anistia de 1979, no início dos anos 1980.

A volta ao Brasil e as obras da maturidade
De volta ao Rio, projetou em 1982 a Passarela do Samba. A obra do Sambódromo começou em 1983 e foi entregue em 1984, com 2.690 operários, segundo a Prefeitura do Rio. Com Darcy Ribeiro, desenhou também os CIEPs, as escolas públicas de tempo integral do estado. Em 1985 voltou a projetar para Brasília, onde fez o Panteão da Liberdade, e em 1987 projetou em São Paulo o Memorial da América Latina, inaugurado em 1989 numa área de 84.480 m².

Em 1988 recebeu o Prêmio Pritzker, dividido naquele ano com o americano Gordon Bunshaft, segundo a página oficial do prêmio. O texto do júri começa assim, em tradução livre:
"Há um momento na história de uma nação em que um indivíduo capta a essência daquela cultura e lhe dá forma. (…) No Brasil, Oscar Niemeyer captou essa essência com sua arquitetura."
No ano seguinte veio o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes, na Espanha. Em 1991 projetou o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, na orla da Baía de Guanabara. O MAC foi aberto ao público em 2 de setembro de 1996, e Niemeyer resumiu o desenho em poucas palavras, reproduzidas pela Enciclopédia Itaú Cultural:
"Defini então o perfil do museu. Uma linha que nasce do chão e sem interrupção cresce e se desdobra, sensual, até a cobertura."

O museu deu início ao Caminho Niemeyer, e hoje Niterói é, segundo a prefeitura, a segunda cidade do mundo com mais obras do arquiteto, atrás apenas de Brasília. Em 1996 recebeu o Leão de Ouro pela carreira da Bienal de Arquitetura de Veneza, ao lado de Ignazio Gardella e Philip Johnson, e em 1998, a Medalha de Ouro do Real Instituto dos Arquitetos Britânicos (RIBA), ano em que publicou suas memórias, As curvas do tempo.
Em Curitiba, o Museu Oscar Niemeyer foi inaugurado em 22 de novembro de 2002, com mais de 35 mil metros quadrados de área construída. O museu ocupa um prédio que Niemeyer havia projetado em 1967 e ganhou um anexo novo, em forma de olho. Em 2004 recebeu da Associação de Arte do Japão o Praemium Imperiale, na categoria arquitetura.
Um dos últimos grandes projetos no exterior foi o Centro Cultural Principado de Astúrias, desenhado em 2006 e inaugurado em 2011 em Avilés, na Espanha. O projeto nasceu quando Niemeyer, premiado pela Fundação Príncipe de Astúrias em 1989, decidiu participar das comemorações dos 25 anos da instituição. O próprio centro o apresenta como a "obra mais importante e querida" do arquiteto fora do Brasil. Abriu as portas ao público em 26 de março de 2011.

Características da arquitetura de Oscar Niemeyer
A obra de Niemeyer partiu do repertório moderno de Le Corbusier e o transformou. Os traços mais recorrentes são estes:
- A curva livre. Niemeyer rejeitava a geometria rígida do ângulo reto e buscava formas inspiradas na paisagem brasileira, como ele mesmo escreveu nas memórias (ver as frases abaixo).
- O concreto armado no limite. As abóbadas da Pampulha, as colunas dos palácios e a Catedral de Brasília só foram possíveis graças ao cálculo de Joaquim Cardozo, engenheiro das estruturas da Pampulha e de Brasília.
- Pilotis e vãos livres. Herdados de Le Corbusier, os pilotis elevam o edifício e liberam o térreo, como na proposta de dez metros para o Ministério da Educação.
- A integração das artes. Painéis de Portinari, esculturas de Ceschiatti e jardins de Burle Marx fazem parte do projeto, não são decoração posterior.
- Espelhos d'água e horizontalidade. Em Brasília, os palácios parecem pousar sobre a água e se estendem na paisagem plana do Planalto Central.
- Programa público. A maior parte das obras mais conhecidas são edifícios de uso coletivo: sedes de governo, museus, igrejas, escolas e espaços de festa.
- O desenho à mão. Niemeyer concebia os projetos em croquis de traço rápido, como o dos pilotis do Ministério da Educação.
Le Corbusier reconheceu essa liberdade diante do Congresso. Niemeyer contava que o mestre franco-suíço lhe disse, ao ver o prédio: "aqui tem invenção. E isso que é arquitetura", segundo relato reproduzido pela Câmara dos Deputados. Niemeyer pertence à geração do modernismo brasileiro de Lucio Costa, Burle Marx e Lina Bo Bardi.
Principais obras de Oscar Niemeyer
A tabela reúne as obras mais conhecidas, na ordem em que foram concluídas. Os dados vêm das fontes citadas nas seções anteriores.
| Obra | Cidade | Ano | Destaque |
|---|---|---|---|
| Conjunto da Pampulha | Belo Horizonte (MG) | 1943 | Patrimônio Mundial da Unesco desde 2016 |
| Sede da ONU (em equipe) | Nova York (EUA) | projeto de 1947 | Comitê internacional de arquitetos |
| Parque Ibirapuera | São Paulo (SP) | 1954 | Inaugurado no IV Centenário da cidade |
| Palácio da Alvorada | Brasília (DF) | 1958 | Residência oficial da Presidência |
| Congresso Nacional | Brasília (DF) | 1960 | Duas cúpulas e duas torres de 28 andares |
| Palácio do Planalto | Brasília (DF) | 1960 | Sede do Poder Executivo |
| Edifício Copan | São Paulo (SP) | 1966 | 1.160 apartamentos, tombado em 2012 |
| Catedral de Brasília | Brasília (DF) | 1970 | 16 colunas parabólicas de concreto |
| Palácio Itamaraty | Brasília (DF) | 1970 | Conhecido como Palácio dos Arcos |
| Le Volcan | Le Havre (França) | 1982 | Centro cultural projetado no exílio |
| Sambódromo | Rio de Janeiro (RJ) | 1984 | Passarela do Samba |
| Memorial da América Latina | São Paulo (SP) | 1989 | Área de 84.480 m² |
| MAC Niterói | Niterói (RJ) | 1996 | Projetado em 1991 |
| Museu Oscar Niemeyer | Curitiba (PR) | 2002 | Mais de 35 mil m² construídos |
| Auditório Ibirapuera | São Paulo (SP) | 2005 | Desenhado em 1950 |
| Centro Niemeyer | Avilés (Espanha) | 2011 | Projetado em 2006 |
Os últimos anos
Annita Baldo morreu em 4 de outubro de 2004, depois de 76 anos de casamento. Em 2006, Niemeyer casou-se com Vera Lúcia Cabreira, sua secretária. Em 2007, o centenário do arquiteto foi comemorado com exposições e homenagens em todo o país, e o Senado lançou um documentário para marcar a data. Ao completar 100 anos, reagiu às homenagens com humor: "Cem é sacanagem, pô! Eu tenho 60!", disse em entrevista à Folha de S.Paulo reproduzida pelo Terra.
Continuou projetando até o fim: depois dos 100 anos desenhou, entre outros, a Torre Digital de Brasília, uma praça em Astana, no Cazaquistão, e a Biblioteca dos Países Árabes e da América do Sul, em Argel. O documentário Oscar Niemeyer, a vida é um sopro, de Fabiano Maciel, lançado em 2007, retrata sua vida e sua obra.
Em 6 de junho de 2012 morreu, aos 82 anos, a filha Anna Maria. Niemeyer morreu seis meses depois, em 5 de dezembro de 2012, aos 104 anos, no Hospital Samaritano, em Botafogo, onde estava internado desde 2 de novembro. Segundo a Agência Brasil, a morte foi causada por complicações renais e desidratação, depois de uma infecção respiratória. O corpo foi velado no Palácio do Planalto, onde 3,8 mil pessoas passaram em três horas, e sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio.
Frases de Oscar Niemeyer
As frases abaixo têm origem identificada. Várias outras que circulam com o nome dele não aparecem em nenhuma fonte primária e ficaram de fora.
"Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein."
Trecho das memórias As curvas do tempo (Revan, 1998), citado pelo Centro Nacional de Cultura de Portugal. A Fundação Oscar Niemeyer guarda outra versão do texto, o Poema da Curva.
"A vida é mais importante do que a arquitetura. A arquitetura não muda nada."
"Lênin já dizia que sem sonhar as coisas não acontecem."
As duas estão na entrevista de Niemeyer ao jornal Brasil de Fato, republicada no dia seguinte à sua morte.
Nas memórias, ele descreveu a própria trajetória como um "curto passeio pela vida, um sopro", como registra a Academia Brasileira de Letras.
Perguntas frequentes sobre Oscar Niemeyer
Quantas obras Oscar Niemeyer projetou?
Não há um número oficial. O Senado Federal estima o legado em mais de 600 obras, contando também o design de móveis. O acervo da Fundação Oscar Niemeyer reúne 342 projetos arquitetônicos produzidos entre 1938 e 2012, segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Paraíba.
Qual é a obra mais famosa de Oscar Niemeyer?
Os palácios de Brasília, em especial o Congresso Nacional e a Catedral, são os mais reconhecidos. O próprio arquiteto dizia que o Congresso era o seu prédio preferido, como noticiou a Câmara dos Deputados quando ele morreu.
Onde Oscar Niemeyer nasceu e morreu?
Nasceu no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1907, e morreu na mesma cidade, em 5 de dezembro de 2012, dez dias antes de completar 105 anos.
Oscar Niemeyer ganhou o Prêmio Pritzker?
Sim, em 1988. O prêmio foi dividido com o arquiteto americano Gordon Bunshaft, e a entrega foi marcada para 23 de maio daquele ano, no Art Institute of Chicago.
Onde ver obras de Oscar Niemeyer?
Brasília concentra o maior número de obras dele, seguida de Niterói. Belo Horizonte (Pampulha), São Paulo (Ibirapuera, Copan e Memorial da América Latina), Curitiba (Museu Oscar Niemeyer) e o Rio de Janeiro (Sambódromo e Casa das Canoas) também reúnem projetos importantes. No exterior, há obras dele na França, na Itália, na Argélia, na Espanha e nos Estados Unidos, entre outros países.
Créditos das imagens
As fotos deste artigo vêm do Wikimedia Commons e são usadas conforme a licença de cada uma.
- Capa: Oscar Niemeyer em 1977, de Roger Pic, em domínio público por liberação do autor.
- Oscar Niemeyer em 1957 e Juscelino Kubitschek com a maquete da Praça dos Três Poderes: Arquivo Nacional, domínio público.
- Painel de Portinari na Igreja da Pampulha, de Antonio Thomás Koenigkam Oliveira, licença CC BY 2.0.
- Casa do Baile e Lagoa da Pampulha, de Carmeladgl, licença CC BY-SA 4.0.
- Sede da ONU vista do East River, do acervo do Rijksmuseum, licença CC0.
- Palácio da Alvorada, de Ricardo Stuckert, da Presidência da República, uso livre com atribuição.
- Congresso Nacional, da Agência Senado, licença CC BY 2.0.
- Catedral de Brasília, de Rodrigo de Almeida Marfan, licença CC BY-SA 4.0.
- Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer na UnB, do Arquivo Central da UnB, licença CC BY 2.0.
- Le Volcan, de Alexandre Prevot, licença CC BY-SA 2.0.
- Museu de Arte Contemporânea de Niterói, de Donatas Dabravolskas, licença CC BY-SA 4.0.
- Centro Niemeyer, Avilés, de HombreDHojalata, licença CC BY-SA 3.0.
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