Prêmio Pritzker de Arquitetura: história, regras e todos os vencedores

O Prêmio Pritzker, o Nobel da arquitetura: história, regras, júri, o que o laureado recebe, todos os vencedores de 1979 a 2026, mulheres e brasileiros.
O Prêmio Pritzker de Arquitetura é concedido todos os anos, desde 1979, a um ou mais arquitetos vivos pelo conjunto da obra construída. É frequentemente chamado de "Nobel da arquitetura" e considerado a maior honraria da profissão. Segundo o regulamento, o prêmio homenageia arquitetos cuja obra combina talento, visão e compromisso, e que tenham dado, por meio da arte de construir, uma contribuição constante e relevante para as pessoas e para as cidades. Este guia explica a história, as regras, o júri, o que o laureado recebe, a lista completa de vencedores de 1979 a 2026 e os dois brasileiros premiados.
Pontos principais
- Instituído em 1979 pelo casal Jay A. e Cindy Pritzker, é mantido pela Hyatt Foundation, da família Pritzker, de Chicago.
- O laureado recebe US$ 100 mil e um certificado; a medalha de bronze existe desde 1987; antes disso, recebia uma escultura de Henry Moore.
- O prêmio vai para pessoas, não para escritórios, e reconhece um conjunto de obra construída, não um edifício isolado.
- De 1979 a 2026 houve 48 edições. Seis mulheres foram premiadas, sempre a partir de 2004.
- O Brasil tem dois laureados: Oscar Niemeyer (1988, dividido com Gordon Bunshaft) e Paulo Mendes da Rocha (2006).
- O Japão é o país com mais premiados: Riken Yamamoto, em 2024, foi o nono arquiteto japonês.

A história do prêmio
Jay A. Pritzker (1922–1999) e a mulher, Cindy Pritzker (1923–2025), fundaram o prêmio em 1979 porque acreditavam que uma premiação de peso ajudaria a valorizar a excelência arquitetônica e a consciência pública sobre o papel da arquitetura na sociedade. A família, com negócios internacionais sediados em Chicago e conhecida pela rede de hotéis Hyatt, mantém o prêmio por meio da Hyatt Foundation. Hoje quem entrega o prêmio na cerimônia é Tom Pritzker, presidente da fundação.
Segundo a organização, muitos procedimentos e recompensas do Pritzker foram moldados a partir do Prêmio Nobel. A comparação aparece também no apelido "Nobel da arquitetura". Um ponto que a organização destaca é a independência do júri: desde o início, a estrutura do prêmio foi pensada para proteger a autonomia dos jurados, que deliberam de forma confidencial.

O que o laureado recebe
O vencedor recebe US$ 100 mil, um certificado com a citação do júri e, desde 1987, uma medalha de bronze baseada em desenhos de Louis Sullivan, arquiteto de Chicago considerado o pai do arranha-céu. Num lado, está o nome do prêmio. No verso, três palavras em inglês, "firmness, commodity and delight" (firmeza, utilidade e beleza), lembram os princípios da arquitetura do romano Vitrúvio: firmitas, utilitas, venustas. Até 1986, no lugar da medalha, cada laureado recebia uma escultura de Henry Moore em edição limitada.
A cerimônia acontece em geral em maio, em um lugar de importância arquitetônica, que muda a cada ano. Como o local costuma ser escolhido antes do laureado, não há ligação intencional entre os dois. O evento é só para convidados; desde 2020, a organização publica vídeos da cerimônia para o público.

Quem pode ganhar e como se chega ao Pritzker
O prêmio é dado sem distinção de nacionalidade, raça, credo ou ideologia a um arquiteto vivo ou a arquitetos vivos, mas não a um escritório. A distinção nomeia sempre as pessoas, mesmo quando são duas ou três, como Herzog e de Meuron, Sejima e Nishizawa, Lacaton e Vassal ou os três sócios do RCR. Também não premia um tipo de arquitetura ou um edifício específico: considera um conjunto de obra construída.
As indicações são aceitas até 1º de novembro de cada ano. A direção executiva solicita indicações de laureados anteriores, arquitetos, acadêmicos, críticos, políticos e profissionais da cultura, e qualquer arquiteto licenciado pode enviar uma indicação, com portfólio completo do indicado. As que não resultam em prêmio são reaproveitadas automaticamente no ano seguinte.
O júri do Pritzker, hoje presidido por Alejandro Aravena, laureado de 2016, delibera no início do ano, e o nome é anunciado na primavera do hemisfério norte. A composição atual reúne arquitetos, um historiador da arquitetura, um jurista e um diplomata; entre os jurados estão os laureados Anne Lacaton e Kazuyo Sejima e o brasileiro André Aranha Corrêa do Lago.

O que o prêmio valoriza
O Pritzker já premiou arquitetos de estilos e trajetórias muito diferentes, dos nomes do movimento moderno a defensores da arquitetura sustentável e de projetos comunitários. Nos anos mais recentes, as escolhas do júri passaram a destacar compromisso social, reaproveitamento de edifícios existentes, clima e relação com a comunidade.
Alguns exemplos. Alejandro Aravena, premiado em 2016, é conhecido pelos projetos de habitação social do escritório Elemental, no Chile. Shigeru Ban, de 2014, ficou conhecido também pelas estruturas de emergência para vítimas de desastres. Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal, de 2021, defendem transformar edifícios em vez de demoli-los. Diébédo Francis Kéré, de 2022, trabalha com materiais e mão de obra locais em Burkina Faso. Riken Yamamoto, de 2024, foi escolhido por projetos em que a fronteira entre casa e rua vira lugar de convivência.
Mas o prêmio continua a reconhecer também a arquitetura de grande escala e de assinatura. Norman Foster, de 1999, e Rem Koolhaas, de 2000, construíram escritórios globais; o OMA, de Koolhaas, assina por exemplo o projeto do OMA para um distrito de saúde no Catar. Foster tem projeto também em Santa Catarina: o projeto de Foster em Itajaí, um residencial na Praia Brava. Toyo Ito, de 2013, projetou no México o Museu Internacional do Barroco, em Puebla.
Todos os vencedores do Prêmio Pritzker (1979–2026)
A lista a seguir segue a lista oficial de laureados. O país indicado é o de nascimento ou de atuação principal do arquiteto, apenas como referência.

| Ano | Laureado | País |
|---|---|---|
| 1979 | Philip Johnson | Estados Unidos |
| 1980 | Luis Barragán | México |
| 1981 | James Stirling | Reino Unido |
| 1982 | Kevin Roche | Estados Unidos (nascido na Irlanda) |
| 1983 | I. M. Pei | Estados Unidos (nascido na China) |
| 1984 | Richard Meier | Estados Unidos |
| 1985 | Hans Hollein | Áustria |
| 1986 | Gottfried Böhm | Alemanha |
| 1987 | Kenzo Tange | Japão |
| 1988 | Oscar Niemeyer e Gordon Bunshaft | Brasil e Estados Unidos |
| 1989 | Frank Gehry | Estados Unidos |
| 1990 | Aldo Rossi | Itália |
| 1991 | Robert Venturi | Estados Unidos |
| 1992 | Álvaro Siza | Portugal |
| 1993 | Fumihiko Maki | Japão |
| 1994 | Christian de Portzamparc | França |
| 1995 | Tadao Ando | Japão |
| 1996 | Rafael Moneo | Espanha |
| 1997 | Sverre Fehn | Noruega |
| 1998 | Renzo Piano | Itália |
| 1999 | Norman Foster | Reino Unido |
| 2000 | Rem Koolhaas | Países Baixos |
| 2001 | Jacques Herzog e Pierre de Meuron | Suíça |
| 2002 | Glenn Murcutt | Austrália |
| 2003 | Jørn Utzon | Dinamarca |
| 2004 | Zaha Hadid | Reino Unido (nascida no Iraque) |
| 2005 | Thom Mayne | Estados Unidos |
| 2006 | Paulo Mendes da Rocha | Brasil |
| 2007 | Richard Rogers | Reino Unido |
| 2008 | Jean Nouvel | França |
| 2009 | Peter Zumthor | Suíça |
| 2010 | Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa | Japão |
| 2011 | Eduardo Souto de Moura | Portugal |
| 2012 | Wang Shu | China |
| 2013 | Toyo Ito | Japão |
| 2014 | Shigeru Ban | Japão |
| 2015 | Frei Otto | Alemanha |
| 2016 | Alejandro Aravena | Chile |
| 2017 | Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramon Vilalta | Espanha |
| 2018 | Balkrishna Doshi | Índia |
| 2019 | Arata Isozaki | Japão |
| 2020 | Yvonne Farrell e Shelley McNamara | Irlanda |
| 2021 | Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal | França |
| 2022 | Diébédo Francis Kéré | Burkina Faso |
| 2023 | David Chipperfield | Reino Unido |
| 2024 | Riken Yamamoto | Japão |
| 2025 | Liu Jiakun | China |
| 2026 | Smiljan Radić Clarke | Chile |
Alguns laureados têm biografia no blog: Álvaro Siza, de 1992; Norman Foster, de 1999; e Souto de Moura, de 2011. As páginas oficiais de alguns premiados trazem biografia, citação do júri e discursos, como as de Oscar Niemeyer, de Zaha Hadid, de Paulo Mendes da Rocha e de Diébédo Francis Kéré.
Os laureados mais recentes
O japonês Riken Yamamoto, premiado em 2024, trabalha em Yokohama e é conhecido por projetos de habitação e edifícios públicos que se abrem para a vizinhança. A trajetória e as obras dele estão no post sobre Riken Yamamoto, Pritzker 2024. Em 2025 o prêmio foi para Liu Jiakun, nascido em Chengdu em 1956 e formado pelo instituto de arquitetura e engenharia de Chongqing, hoje Universidade de Chongqing. Em 2026 coube a Smiljan Radić Clarke, de Santiago, que se formou na Pontificia Universidad Católica de Chile em 1989.
Mulheres no Pritzker
Em 48 edições, de 1979 a 2026, seis mulheres receberam o prêmio, sempre a partir de 2004. Zaha Hadid foi a primeira, em 2004, e até hoje a única premiada sozinha. Vieram depois Kazuyo Sejima (com o sócio Ryue Nishizawa), em 2010; Carme Pigem (com Rafael Aranda e Ramon Vilalta, do RCR Arquitectes), em 2017; Yvonne Farrell e Shelley McNamara, em 2020; e Anne Lacaton (com Jean-Philippe Vassal), em 2021. A lista oficial de laureados não registra nenhuma outra mulher desde então.
A baixa presença feminina é um dos pontos mais debatidos sobre o prêmio. Um caso lembrado com frequência é o de Denise Scott Brown, sócia e mulher de Robert Venturi, que não foi incluída no prêmio dado a ele em 1991. Fora do Pritzker, outras premiações passaram a reconhecer arquitetas; é o caso de Lina Bo Bardi, Leão de Ouro em 2021, homenageada pela Bienal de Arquitetura de Veneza.
Os dois brasileiros
Niemeyer não ganhou sozinho: o prêmio de 1988 foi dividido com Gordon Bunshaft (1909-1990), autor do Lever House, de 1952, em Nova York. O brasileiro havia sido nomeado arquiteto-chefe de Brasília por Juscelino Kubitschek em 1956, com projetos que complementavam o Plano Piloto de Lucio Costa; em 1987, a UNESCO inscreveu o conjunto urbanístico de Brasília na sua Lista do Patrimônio Mundial, pelos critérios (i) e (iv).
Paulo Mendes da Rocha (1928-2021) formou-se em arquitetura em 1954 e abriu escritório em São Paulo no ano seguinte. Levou o prêmio em 2006, dezoito anos depois de Niemeyer. Paulo Mendes da Rocha é um dos nomes centrais da escola paulista, a vertente brasileira do brutalismo, de concreto aparente e volumes robustos. O Brasil também está representado no júri atual, com o diplomata André Aranha Corrêa do Lago.
Outros prêmios de arquitetura
O Pritzker não é o único reconhecimento importante da profissão. Entre outros, há a Royal Gold Medal, do instituto britânico RIBA, e a medalha de ouro do AIA, o instituto dos arquitetos dos Estados Unidos. Alguns arquitetos muito conhecidos nunca receberam o Pritzker, como Santiago Calatrava, premiado com a Medalha de Ouro do AIA em 2005. Para estudantes, há concursos e bolsas específicos; veja os prêmios para estudantes de arquitetura.
Por que o Pritzker importa
Ao destacar um arquiteto por ano, o Pritzker ajuda a orientar o debate internacional sobre o papel da arquitetura na sociedade. As escolhas recentes, com mais atenção a habitação, reaproveitamento de edifícios e comunidades, mostram como as prioridades da profissão mudaram. Para o público, a lista é também um roteiro de obras que valem a visita.
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Perguntas frequentes
O que é o Prêmio Pritzker?
É um prêmio anual, criado em 1979 pela família Pritzker por meio da Hyatt Foundation, que reconhece arquitetos vivos pelo conjunto da obra construída. É chamado de "Nobel da arquitetura".
Quanto recebe o vencedor do Pritzker?
US$ 100 mil, um certificado com a citação do júri e uma medalha de bronze baseada em desenhos de Louis Sullivan.
Quais brasileiros ganharam o Pritzker?
Oscar Niemeyer, em 1988 (dividido com Gordon Bunshaft), e Paulo Mendes da Rocha, em 2006.
Quantas mulheres ganharam o Pritzker?
Seis, de 1979 a 2026: Zaha Hadid, Kazuyo Sejima, Carme Pigem, Yvonne Farrell, Shelley McNamara e Anne Lacaton.
Um escritório pode ganhar o Pritzker?
Não. O prêmio é dado a pessoas, mesmo quando são sócias de um mesmo escritório, como Herzog e de Meuron ou Lacaton e Vassal.
Quem ganhou o Pritzker em 2026?
O chileno Smiljan Radić Clarke. Em 2025, o premiado foi o chinês Liu Jiakun; em 2024, o japonês Riken Yamamoto.
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