Al Daayan Health District: o hospital modular da OMA em Doha

O distrito de saúde Al Daayan, em Doha, da OMA com a Buro Happold: hospital horizontal, módulos pré-fabricados, fachadas em 3D, autonomia e as regras brasileiras para hospitais.
O Al Daayan Health District é o plano diretor de um distrito de saúde em Doha, no Catar, desenvolvido pelo escritório OMA, sob a liderança do arquiteto Reinier de Graaf, com a consultoria de engenharia Buro Happold.
Encomendado pela Hamad Medical Corporation, o projeto reúne num único conjunto térreo e de um pavimento um hospital de ensino, um hospital da mulher e da criança e um centro de diagnóstico ambulatorial, com 1.200 leitos segundo a página atual da OMA (a divulgação de 2021 falava em 1.400). Aposta em módulos pré-fabricados no próprio terreno, fachadas impressas em 3D, logística automatizada e energia solar. Segundo a página do projeto na OMA, o trabalho começou em 2019 e está na fase de desenvolvimento de projeto; não há data confirmada para a obra.
Onde fica e quem encomendou
O terreno tem 1,3 milhão de metros quadrados, entre a Universidade do Catar e a nova cidade de Lusail, ao norte de Doha. A área construída prevista é de cerca de 629.000 m², segundo os dados da OMA.

O cliente é a Hamad Medical Corporation, que a OMA descreve como o principal provedor de saúde sem fins lucrativos do Catar. As metas do setor no país estão organizadas pelo Ministério da Saúde Pública do Catar na Estratégia Nacional de Saúde 2024-2030.
Quem projeta
O OMA (Office for Metropolitan Architecture) foi fundado em Londres em 1975 por Rem Koolhaas e outros arquitetos. Koolhaas recebeu o Prêmio Pritzker em 2000. Em Doha, o escritório já havia projetado a Biblioteca Nacional do Catar. O Al Daayan é conduzido por Reinier de Graaf, sócio do escritório, com a Buro Happold na engenharia; em 2022, a OMA divulgou com o estúdio Squint/Opera um vídeo que apresenta o protótipo.
Um hospital horizontal
A ideia central é repensar o hospital num momento em que a medicina muda depressa. Em vez de uma torre, o projeto propõe um edifício baixo e extenso:
- Internação no térreo. As enfermarias ficam no nível do chão, com acesso direto aos jardins.
- Área clínica no primeiro pavimento. Consultórios, centros de tratamento e diagnóstico ficam logo acima, com percursos curtos.
- Menos elevadores. Com apenas dois níveis principais, a dependência de elevadores diminui.
- Jardins como parte do tratamento. A OMA relaciona os pátios ajardinados com a longa tradição de espaços de cura na arquitetura médica islâmica.

As peças do sistema
Os diagramas do projeto organizam o distrito em camadas:
| Camada | Função |
|---|---|
| Perímetro | Logística e apoio |
| Anel ("The Loop") | Circulação principal |
| Vilas | Unidades ambulatoriais |
| Cruzes | Enfermarias, tratamento e diagnóstico |

Módulos, impressão 3D e autonomia
As alas em forma de cruz são unidades modulares pré-fabricadas no próprio terreno. Elas podem ser reorganizadas e ampliadas com pouca interferência no funcionamento do hospital, o que reduz o custo de adaptações futuras, um problema constante em hospitais, que mudam de equipamento e de rotina muito mais depressa do que a estrutura dos prédios. A lógica conversa com a arquitetura modular, aplicada aqui em escala muito maior.
A impressão 3D entra nas fachadas. Segundo a OMA, ela permite variações praticamente ilimitadas no desenho das fachadas e reintroduz o ornamento num tipo de edifício geralmente marcado pela austeridade. O processo também é chamado de manufatura aditiva, porque a peça é construída em camadas finas sucessivas.

O distrito foi pensado para funcionar com autonomia:
- Fazenda de alta tecnologia, que fornece alimentos e plantas medicinais para a produção local de remédios.
- Circulação subterrânea automatizada, que liga todas as instalações de apoio aos hospitais.
- Centro logístico próprio e fazenda solar, para abastecer o conjunto.
Segundo a OMA, o distrito pode ser construído a baixo custo e com pouca dependência das cadeias globais de suprimento, e pretende servir de protótipo para outros países, como alternativa aos modelos hospitalares desenvolvidos no Ocidente.

Como o Brasil regula o projeto de um hospital
Um protótipo pensado para ser replicado em outros países encontra, em cada um, regras próprias. No Brasil, a referência é a RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), com o regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, públicos e privados. A norma continua em vigor com alterações: os itens de atenção obstétrica e neonatal passaram a seguir o anexo da RDC nº 920, de 19 de setembro de 2024. A análise e a aprovação do projeto físico pela vigilância sanitária seguem a RDC nº 51, de 6 de outubro de 2011.
A acessibilidade vem por outra lei. O Estatuto da Pessoa com Deficiência exige desenho universal em projetos abertos ao público:
“A concepção e a implantação de projetos que tratem do meio físico, de transporte, de informação e comunicação, inclusive de sistemas e tecnologias da informação e comunicação, e de outros serviços, equipamentos e instalações abertos ao público, de uso público ou privado de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, devem atender aos princípios do desenho universal, tendo como referência as normas de acessibilidade.” (Lei 13.146/2015, art. 55)
O art. 56 da mesma lei exige que construção, reforma, ampliação e mudança de uso dessas edificações sejam acessíveis. A autoria do projeto é regulada pela Lei 12.378/2010, que rege a profissão de arquiteto e urbanista, com o registro de cada trabalho pelo RRT. Depois de pronto, cada estabelecimento de saúde é cadastrado no CNES, o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, do Ministério da Saúde.
Um hospital horizontal como o de Al Daayan exigiria, no Brasil, terreno muito grande e atenção às distâncias de percurso previstas nas normas sanitárias e de segurança contra incêndio. Por outro lado, a ideia de internação no térreo, com jardins e poucos elevadores, dialoga com a preocupação crescente com humanização e conforto dos pacientes.
O que o projeto propõe para a arquitetura hospitalar
- Flexibilidade como regra. Módulos que se reorganizam acompanham a mudança da medicina sem grandes obras.
- Horizontalidade. Menos pavimentos significam menos elevadores e mais contato com o exterior.
- Humanização. Jardins e ornamento tratam o espaço hospitalar como lugar de cuidado, e não apenas de técnica.
- Autonomia. Produção de alimentos, energia e logística próprias reduzem a dependência de fornecedores externos.
- Replicabilidade. O projeto se apresenta como protótipo, mas cada país terá de adaptá-lo às próprias normas e ao clima.
Até a consulta feita para este texto, não havia previsão confirmada para a construção; na página da OMA, o projeto aparece como em desenvolvimento.
Vídeo do projeto
Assista ao vídeo conceitual do Distrito de Saúde Al Daayan, em Doha:
Pontos principais
- O Al Daayan Health District é um plano diretor da OMA (Reinier de Graaf) com a Buro Happold para a Hamad Medical Corporation, em Doha.
- O terreno tem 1,3 milhão de m², entre a Universidade do Catar e Lusail; a área construída prevista é de cerca de 629.000 m².
- Três unidades somam 1.200 leitos, pela página atual da OMA (1.400 na divulgação de 2021), num edifício horizontal, com internação no térreo e área clínica no primeiro pavimento.
- As alas em cruz são módulos pré-fabricados no local; as fachadas usam impressão 3D.
- Fazenda, logística subterrânea automatizada e fazenda solar buscam autonomia.
- No Brasil, um projeto hospitalar segue a RDC 50/2002 da Anvisa, com alterações posteriores, e as regras de acessibilidade da Lei 13.146/2015.
Perguntas frequentes
O Al Daayan Health District já foi construído?
Não. Na página da OMA, o projeto aparece em fase de desenvolvimento, sem data de obra confirmada.
Quantos leitos o distrito terá?
A página atual da OMA fala em 1.200 leitos; o material divulgado em 2021 citava 1.400. Eles se distribuem entre um hospital de ensino, um hospital da mulher e da criança e um centro de diagnóstico ambulatorial.
O hospital será todo impresso em 3D?
Não. A impressão 3D está prevista para as fachadas; as alas são módulos pré-fabricados no próprio terreno.
Que norma regula projeto de hospital no Brasil?
A RDC 50/2002 da Anvisa, com alterações como a RDC 920/2024 para atenção obstétrica e neonatal, e a RDC 51/2011 para a aprovação do projeto físico.
O que o projeto de Doha propõe
O Al Daayan Health District propõe um hospital baixo, modular e cercado de jardins, pensado para mudar junto com a medicina e funcionar com autonomia. Mesmo sem data de obra, o projeto reabre discussões úteis para quem projeta ou investe em saúde: flexibilidade, humanização e custo de adaptação ao longo do tempo. No Brasil, qualquer ideia desse tipo passa pelas normas sanitárias e de acessibilidade. Para quem precisa avaliar imóveis de uso hospitalar ou clínicas, a Valen Brasil faz avaliações que consideram a especificidade desses edifícios.
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