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Arquitetura

Riken Yamamoto, Pritzker 2024: biografia, obras e ideias

Editora Valen •
Retrato do arquiteto Riken Yamamoto, de cabelos brancos, óculos redondos e gola rulê preta, diante de uma parede de concreto aparente
Riken Yamamoto, arquiteto japonês laureado com o Prêmio Pritzker de 2024

Riken Yamamoto, arquiteto japonês premiado com o Pritzker 2024: formação, viagens com Hiroshi Hara, habitação e escolas que aproximam público e privado.

O arquiteto japonês Riken Yamamoto, nascido em Pequim em 1945 e radicado em Yokohama, recebeu o Prêmio Pritzker de Arquitetura 2024. O anúncio do Pritzker 2024 saiu em 5 de março daquele ano e fez dele o 53º laureado da premiação e o nono arquiteto japonês a recebê-la. Segundo a organização, Yamamoto aproxima o espaço público e o privado para estimular sociedades harmoniosas, apesar da diversidade de identidades, economias, políticas, infraestruturas e sistemas de moradia. Este texto conta a trajetória dele, as obras principais, os prêmios e o que mudou no trabalho depois de 2011.

Pontos principais

  • Riken Yamamoto nasceu em Pequim em 1945 e se mudou para Yokohama logo depois da Segunda Guerra.
  • Formou-se na Universidade Nihon (1968) e fez mestrado na Universidade de Artes de Tóquio (1971); o escritório próprio, Riken Yamamoto & Field Shop, é de 1973.
  • Nos anos 1970, viajou com o mentor Hiroshi Hara estudando aldeias no Mediterrâneo, na América Latina e na Ásia.
  • As obras vão de casas a conjuntos habitacionais, escolas, universidades, prédios públicos e o complexo THE CIRCLE, no aeroporto de Zurique.
  • O júri de 2024 destacou a forma como ele trata o limite entre o público e o privado como espaço de encontro.

O Pritzker 2024

Yamamoto é o laureado de 2024 do Prêmio Pritzker, concedido anualmente a arquitetos vivos pelo conjunto da obra. O prêmio foi instituído em 1979 pela família Pritzker e é mantido pela Hyatt Foundation. A história do prêmio, as regras e a lista completa de vencedores estão no guia do Pritzker; aqui o foco é o arquiteto.

Conjunto habitacional de Hotakubo, em Kumamoto, com blocos baixos em torno de um pátio comum
Conjunto habitacional de Hotakubo, em Kumamoto, Japão (1991), primeira grande obra de habitação social de Yamamoto

A citação do júri resume a escolha assim:

“[...] por criar consciência na comunidade sobre qual é a responsabilidade da demanda social, por questionar a disciplina da arquitetura para calibrar cada resposta arquitetônica individual e, acima de tudo, por nos lembrar que na arquitetura, como na democracia, os espaços devem ser criados pela determinação das pessoas [...]” (Citação do júri do Prêmio Pritzker 2024, em tradução livre)

O presidente do júri, Alejandro Aravena, laureado de 2016, afirmou no anúncio que uma das coisas de que as cidades mais precisam é criar, por meio da arquitetura, condições que multipliquem as oportunidades de as pessoas se encontrarem. Para Aravena, ao tornar difuso o limite entre o público e o privado, Yamamoto contribui para a comunidade além do que o programa do projeto pede. Ele o descreveu como um arquiteto que traz dignidade à vida cotidiana, em quem a normalidade se torna extraordinária.

Tom Pritzker, presidente da Hyatt Foundation, disse que Yamamoto desenvolve uma linguagem que não cria apenas espaços para famílias morarem, mas comunidades para famílias viverem juntas.

Trajetória de Riken Yamamoto

Segundo a biografia publicada pelo prêmio, Yamamoto nasceu em Pequim e se mudou para Yokohama logo depois do fim da Segunda Guerra. Cresceu em uma casa inspirada na machiya, a casa urbana tradicional japonesa: na frente ficava a farmácia da mãe; nos fundos, a área da família. Ele conta que ficava no meio, entre o lado da família e o lado da comunidade. Pouco sabia do pai, engenheiro, que morreu quando ele tinha cinco anos.

Com 17 anos, numa visita ao templo Kōfuku-ji, em Nara, ele se impressionou com o pagode de cinco andares iluminado pela lua, experiência que descreve como seu primeiro contato com a arquitetura. Formou-se em 1968 no departamento de arquitetura da Universidade Nihon e concluiu em 1971 o mestrado na Universidade de Artes de Tóquio. Dois anos depois, abriu o próprio escritório, o Riken Yamamoto & Field Shop.

Campus da Universidade Prefeitural de Saitama, com edifícios baixos e envidraçados ligados por terraços
Universidade Prefeitural de Saitama, em Koshigaya (1999): nove edifícios ligados por terraços e volumes transparentes

No início da carreira, Yamamoto viajou de carro por vários países com seu mentor, o arquiteto Hiroshi Hara, professor da Universidade de Tóquio, passando meses estudando comunidades e aldeias. Em 1972, percorreu o litoral do Mediterrâneo, passando por França, Espanha, Marrocos, Argélia, Tunísia, Itália, Grécia e Turquia. Dois anos depois, foi de Los Angeles ao Peru, passando por México, Guatemala, Costa Rica e Colômbia. Fez viagens parecidas ao Iraque, à Índia e ao Nepal. A conclusão foi que a ideia de um limiar entre o público e o privado era universal: as aldeias tinham aparências diferentes, mas mundos muito parecidos.

Desde então, Yamamoto projetou casas e habitação pública, escolas e universidades, instituições e espaços cívicos, além de planos urbanos, sempre com atenção ao modo como os edifícios se abrem para a vizinhança.

Obras que marcam o repertório

O percurso atravessa escalas muito diferentes. O primeiro projeto foi a Yamakawa Villa (Nagano, 1977), exposta por todos os lados dentro da mata e pensada como um terraço aberto. A Ishii House (Kawasaki, 1978), feita para dois artistas, tem uma sala que se estende para fora e serve de palco para apresentações. A casa do próprio arquiteto, GAZEBO (Yokohama, 1986), foi desenhada para estimular a convivência com os vizinhos a partir de terraços e da cobertura.

Na habitação coletiva, vieram o conjunto de Hotakubo (Kumamoto, 1991), o Shinonome Canal Court CODAN (Tóquio, 2003) e o Pangyo Housing (Seongnam, Coreia do Sul, 2010), com nove blocos baixos, térreos transparentes sem uso predeterminado e um deck comum no segundo andar, com áreas de encontro, parquinhos, jardins e pontes que ligam os blocos.

Conjunto Pangyo Housing, na Coreia do Sul, com blocos baixos de fachadas envidraçadas e um deck comum elevado
Pangyo Housing, em Seongnam, Coreia do Sul (2010): o deck comum no segundo andar liga os nove blocos

Entre os edifícios públicos e de ensino estão a Universidade Prefeitural de Saitama (Koshigaya, 1999), especializada em enfermagem e ciências da saúde, com nove edifícios ligados por terraços e volumes transparentes que deixam ver de uma sala de aula para a outra; o Corpo de Bombeiros de Hiroshima Nishi (2000), com fachada de brises de vidro que deixa ver o treinamento dos bombeiros; a Universidade do Futuro de Hakodate (2000); a prefeitura de Fussa (Tóquio, 2008), dividida em duas torres médias para respeitar a escala do bairro; e a escola primária de Koyasu (Yokohama, 2018), com terraços contínuos que prolongam as salas de aula.

Fora do Japão, projetou a Biblioteca de Tianjin (China, 2012), o Jian Wai SOHO (Pequim, 2004) e o complexo THE CIRCLE, no aeroporto de Zurique (Suíça, 2020). A obra mais recente citada pelo prêmio é a Universidade Nagoya Zokei (Nagoya, 2022).

O Museu de Arte de Yokosuka (2006) foi pensado ao mesmo tempo como destino para visitantes e refúgio diário para os moradores. Muitas galerias ficam no subsolo, o que deixa livre a vista da baía de Tóquio e das montanhas, e aberturas circulares ligam os espaços comuns à paisagem e às outras galerias.

Museu de Arte de Yokosuka, edifício baixo e envidraçado à beira da baía, com gramado à frente
Museu de Arte de Yokosuka (2006), com muitas galerias no subsolo para preservar a vista da baía de Tóquio

Prêmios

Antes do Pritzker, Yamamoto foi nomeado acadêmico pela Academia Internacional de Arquitetura em 2013 e acumulou distinções japonesas: o Prêmio Mainichi de Arte em 1998; o prêmio da Academia de Artes do Japão em 2001; a distinção do Architectural Institute of Japan em 1988 e novamente em 2002; o Good Design Gold Award em 2004 e 2005; o prêmio para edifícios públicos em 2004 e 2006; e, em 2010, o prêmio do Instituto Japonês de Arquitetos pelo Museu de Arte de Yokosuka. O Gold Award é a distinção principal do Good Design Award, concedido no Japão desde 1957.

O que mudou depois de 2011

O terremoto e o tsunami de Tōhoku, em 2011, deslocaram parte do trabalho do escritório para fora do desenho de edifícios. Yamamoto criou o Local Area Republic Labo, voltado a atividades comunitárias conduzidas pelo projeto arquitetônico, e em 2018 instituiu o Local Republic Award, que distingue arquitetos jovens. Entre 2018 e 2022 presidiu a Universidade Nagoya Zokei. Foi professor visitante na Universidade de Artes de Tóquio (2022–2024) e, segundo a biografia oficial do Pritzker, foi nomeado professor visitante da Universidade de Kanagawa, em Yokohama. Lecionou antes nas universidades Nihon, Nacional de Yokohama e Kogakuin.

A ideia de comunidade

Yamamoto não trata o edifício como objeto isolado. Nos conjuntos habitacionais, como o Pangyo Housing, a ideia é que mesmo quem mora sozinho não viva isolado.

“Para mim, reconhecer o espaço é reconhecer toda uma comunidade. A abordagem arquitetônica atual enfatiza a privacidade, negando a necessidade de relações sociais. No entanto, ainda podemos honrar a liberdade de cada indivíduo enquanto vivemos juntos em um espaço arquitetônico como uma república, promovendo a harmonia entre culturas e fases da vida.” (Riken Yamamoto, no anúncio do Pritzker 2024, em tradução livre)

Ele define comunidade como a sensação de compartilhar um espaço, e critica a transformação da moradia em mercadoria sem relação com os vizinhos. Suas referências incluem a machiya japonesa e o oikos grego, casas que existiam em relação com a cidade e com o comércio.

No plano urbano de Ryokuen-toshi, a Inter-Junction City (Yokohama, 1994), aplicou essa ideia à escala do bairro: uma regra obriga todo edifício, qualquer que seja a função, a permitir a passagem de pessoas pelo terreno, ligando lotes vizinhos.

Para quem trabalha com incorporação e com o mercado imobiliário, a obra de Yamamoto mostra uma alternativa ao condomínio fechado: térreos abertos, áreas comuns que funcionam de fato e transparência entre o público e o privado podem dar valor ao conjunto e ao bairro.

Homenagem e legado

Há obras de Yamamoto em quatro países: Japão, China, Coreia do Sul e Suíça. A palestra do laureado aconteceu em 16 de maio de 2024, no S. R. Crown Hall do Illinois Institute of Technology, em Chicago, organizada pelo prêmio com o Chicago Architecture Center, com acesso presencial e online. Yamamoto continua a trabalhar e a morar em Yokohama.

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Perguntas frequentes

Quem é Riken Yamamoto?

Arquiteto japonês nascido em Pequim em 1945, radicado em Yokohama, vencedor do Prêmio Pritzker de 2024. É conhecido por projetos que aproximam o espaço público e o privado, como o Pangyo Housing e a Universidade Prefeitural de Saitama.

Por que Riken Yamamoto ganhou o Pritzker?

O júri destacou a atenção dele às necessidades sociais e a maneira de transformar a divisa entre a casa e a rua em lugar de encontro, com espaços decididos a partir de quem vai usá-los.

Quantos japoneses ganharam o Pritzker?

Yamamoto foi o nono, depois de Kenzo Tange, Fumihiko Maki, Tadao Ando, Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, Toyo Ito, Shigeru Ban e Arata Isozaki. Entre os arquitetos japoneses de destaque que ainda não receberam o prêmio está Kengo Kuma, autor do Estádio Nacional do Japão, em Tóquio.

Onde estudou Riken Yamamoto?

Na Universidade Nihon, onde se formou em 1968, e na Universidade de Artes de Tóquio, onde concluiu o mestrado em 1971.

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