Biografia: Riken Yamamoto, Pritzker 2024

Riken Yamamoto, vencedor do Prêmio Pritzker 2024, é reconhecido por seu trabalho que harmoniza espaços públicos e privados, promovendo bem-estar e interação social. Sua carreira abrange cinco décadas com projetos que priorizam a comunidade. Hoje, Yamamoto continua a influenciar a arquitetura global.
Riken Yamamoto foi anunciado como o ganhador do Prêmio Pritzker de Arquitetura 2024, a mais alta honra do setor. Seu trabalho revolucionário, que transcende fronteiras entre o público e o privado, foi aclamado por inspirar sociedades harmoniosas em meio à diversidade de identidades, economias, políticas e infraestruturas. O anúncio do Pritzker 2024 saiu em 5 de março daquele ano e fez dele o 53º laureado da premiação, o nono arquiteto japonês a recebê-la.
Com quarenta anos de história, o Prêmio Pritzker tem sido um farol para os grandes arquitetos contemporâneos. Reconhecendo a importância de questões sociais, históricas e ambientais, o prêmio celebra visionários como Yamamoto, cuja abordagem vai além da estética, priorizando o bem-estar e a interação humana. O prêmio foi criado em 1979 por Jay A. Pritzker e é patrocinado pela Hyatt Foundation.

"Uma das coisas que mais precisamos no futuro das cidades é criar condições por meio da arquitetura que multipliquem as oportunidades para as pessoas se reunirem e interagirem. Ao difundir cuidadosamente a fronteira entre o público e o privado, Yamamoto contribui positivamente além do mandato para capacitar a comunidade", explica Alejandro Aravena, presidente do júri e premiado com o Prêmio Pritzker em 2016. "Yamamoto é um arquiteto tranquilizador que traz dignidade para a vida cotidiana. A normalidade se torna extraordinária. A calma leva ao esplendor".
Trajetória de Riken Yamamoto
Nascido em Pequim, na China, em 1945, mas educado em Yokohama, Riken Yamamoto cresceu imerso na pura tradição japonesa. Ele desejava seguir os passos de seu pai, que era engenheiro, e se dedicar à arquitetura. Em 1968, Yamamoto graduou-se na Universidade de Tóquio quando iniciou sua carreira que abrange mais de cinco décadas.

Antes de estabelecer seu próprio escritório, ele viajou pelo mundo de carro ao lado de seu mentor Hiroshi Hara. Ele visitou a Europa e a América para compreendê-las, e ao final da jornada concluiu que reconhecia "que o sistema arquitetônico passado era para que pudéssemos encontrar nossa cultura... As aldeias eram diferentes em sua aparência, mas seus mundos eram muito similares". Ele acreditava que todos os espaços poderiam servir às comunidades, indo além do público e do privado, ao unir culturas e gerações.
Desde então, Yamamoto projetou residências privadas e habitações públicas, também escolas e prédios universitários, instituições e espaços cívicos, sendo reconhecido por sua abordagem humanística no design arquitetônico.
Obras que marcam o repertório
O percurso atravessa escalas muito diferentes. O primeiro projeto foi a Yamakawa Villa (Nagano, 1977), exposta por todos os lados dentro da mata e pensada como um terraço aberto. Vieram depois a habitação social de Hotakubo (Kumamoto, 1991), a Universidade Prefeitural de Saitama (Koshigaya, 1999), com nove edifícios ligados por terraços e volumes transparentes que deixam ver de uma sala de aula para a outra, a Universidade do Futuro de Hakodate (2000), a Biblioteca de Tianjin (2012), o complexo THE CIRCLE, no aeroporto de Zurique (2020), e a Universidade Nagoya Zokei (2022).

Foi nomeado Acadêmico pela Academia Internacional de Arquitetura em 2013 e recebeu prêmios do Instituto Japonês de Arquitetos pelo Museu de Arte de Yokosuka (2010), pelo prédio público (2004 e 2006), pelo Design de Ouro (2004 e 2005), pelo Instituto de Arquitetura do Japão (1988 e 2002), pela Academia de Artes do Japão (2001), pelo Prêmio Mainichi de Arte (1998) e agora, pelo Prêmio Pritzker de Arquitetura 2024. O "Design de Ouro" da lista corresponde ao Gold Award do Good Design Award, concedido no Japão desde 1957.
Atualmente, aos 78 anos de idade, Yamamoto reside em Yokohama, no Japão, onde continua a influenciar e inspirar a próxima geração de arquitetos com sua visão visionária e compromisso com a excelência arquitetônica.
O que mudou depois de 2011
O terremoto e o tsunami de Tōhoku, em 2011, deslocaram parte do trabalho do escritório para fora do desenho de edifícios. Yamamoto criou o Local Area Republic Labo, voltado a atividades comunitárias conduzidas pelo projeto arquitetônico, e em 2018 instituiu o Local Republic Award, que distingue arquitetos jovens. Entre 2018 e 2022 presidiu a Universidade Nagoya Zokei, e segue como professor visitante em Yokohama, segundo a biografia oficial do Pritzker.
Um legado arquitetônico para a comunidade global
Yamamoto não apenas projeta edifícios, mas cria comunidades. Seus projetos residenciais, como o Pangyo Housing na Coreia do Sul, são espaços de interação e conexão, onde os moradores se sentem parte de algo maior do que apenas suas próprias residências.
"Para mim, reconhecer o espaço é reconhecer toda uma comunidade", explica Yamamoto, de 78 anos. "A abordagem arquitetônica atual enfatiza a privacidade, negando a necessidade de relações sociais. No entanto, ainda podemos honrar a liberdade de cada indivíduo enquanto vivemos juntos em um espaço arquitetônico como uma república, promovendo a harmonia entre culturas e fases da vida".

Sua influência se estende por todo o mundo, com projetos marcantes no Japão, China, Coreia do Sul e Suíça. Desde universidades até bibliotecas, seus edifícios refletem sua dedicação em criar espaços que promovam a interação e a coesão social. Yamamoto será homenageado em Chicago nesta primavera, em um evento aberto ao público, celebrando seu impacto duradouro no mundo da arquitetura e da comunidade global. A palestra do laureado aconteceu em 16 de maio de 2024, no S. R. Crown Hall do Illinois Institute of Technology, em parceria com o Chicago Architecture Center, com acesso presencial e online.
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