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Arquitetura

Arquitetura de Edimburgo: Cidade Velha, Cidade Nova e 15 lugares para visitar

Editora Valen •
Princes Street ao entardecer, com a torre do relógio do Hotel Balmoral e as agulhas góticas do Scott Monument sobre os telhados
A Princes Street, primeira rua da Cidade Nova georgiana, com a torre do Balmoral e o Scott Monument.

Do castelo à Royal Mile, da Cidade Nova de James Craig ao Parlamento de Miralles: a história e os 15 pontos essenciais da arquitetura de Edimburgo.

Edimburgo é uma cidade de dois desenhos. De um lado, a Cidade Velha medieval, espremida numa crista de rocha entre o castelo e o palácio de Holyrood, com prédios altos de pedra e becos estreitos. Do outro, a Cidade Nova georgiana, planejada no século XVIII com ruas retas, praças e fachadas neoclássicas. O contraste entre as duas é tão marcante que a UNESCO inscreveu o conjunto na Lista do Patrimônio Mundial em 1995.

Além dos monumentos, a capital escocesa vive de festivais, como o Fringe, no verão, e o Hogmanay, na virada do ano, que ocupam ruas e praças históricas. Este roteiro apresenta como a cidade se formou e 15 lugares para uma caminhada de arquitetura por Edimburgo, com o que observar em cada um.

Pontos principais

  • As Cidades Velha e Nova de Edimburgo são Patrimônio Mundial desde 1995: são 443 hectares e cerca de 4.500 edifícios, a maioria protegida individualmente.
  • A Cidade Velha concentra o castelo, a Royal Mile, a Catedral de St. Giles e os becos chamados closes; a Cidade Nova, planejada por James Craig a partir de 1767, reúne a Princes Street, a George Street e a Charlotte Square.
  • No século XIX, os monumentos neoclássicos de Calton Hill deram a Edimburgo o apelido de "Atenas do Norte".
  • O Parlamento Escocês, de Enric Miralles e Benedetta Tagliabue, inaugurado em 2004, é a obra contemporânea mais conhecida e ganhou o Stirling Prize de 2005.

Como Edimburgo se formou

A Cidade Velha

O núcleo antigo cresceu sobre uma crista deixada por um antigo vulcão: no alto, a rocha do castelo; na descida, a rua principal até a abadia e o palácio de Holyrood. Como a cidade era cercada por muralhas e a crista é estreita, a população cresceu para cima. Os prédios de apartamentos de pedra, os tenements, chegaram a ter mais de dez andares nos séculos XVII e XVIII, com famílias ricas e pobres dividindo o mesmo edifício. Dos dois lados da rua principal saem os closes e wynds, becos estreitos que dão acesso aos pátios.

A Cidade Nova

No século XVIII, a superlotação e a falta de higiene levaram a cidade a planejar uma expansão ao norte, do outro lado de um lago que havia sido usado como esgoto, o Nor Loch. Em 1766, um concurso escolheu o plano do jovem arquiteto James Craig: um traçado retangular com três ruas paralelas, a Princes Street, a George Street e a Queen Street, ligadas por praças nas extremidades. A construção começou em 1767 e seguiu em etapas até meados do século XIX. A Charlotte Square, com a fachada norte projetada por Robert Adam, é o ponto alto desse conjunto georgiano.

A inscrição na UNESCO destaca justamente essa combinação: a influência que as ampliações planejadas da Cidade Nova tiveram sobre o urbanismo europeu dos séculos XVIII e XIX e o contraste entre a malha medieval e a malha neoclássica (critérios ii e iv).

A "Atenas do Norte"

No início do século XIX, Edimburgo era um centro do Iluminismo escocês, e seus arquitetos adotaram o neoclássico grego para edifícios públicos e monumentos. Em Calton Hill, William Henry Playfair e Charles Robert Cockerell projetaram o Monumento Nacional, inspirado no Partenon, começado em 1826 e deixado inacabado em 1829 por falta de dinheiro; hoje as doze colunas isoladas são um dos símbolos da cidade.

1) Castelo de Edimburgo

O monumento mais famoso da cidade ocupa o alto de uma rocha vulcânica e domina o horizonte de qualquer ponto do centro. Pesquisas identificaram 26 cercos em sua história, o que lhe dá a fama de lugar mais sitiado da Grã-Bretanha. Parte do conjunto ainda tem uso militar, e o restante funciona como museu, administrado pelo órgão de patrimônio escocês. Dentro das muralhas ficam a Capela de Santa Margarida, o edifício mais antigo de Edimburgo, erguida por volta de 1130, e o Great Hall, de cerca de 1510, construído para Jaime IV. O canhão One o'Clock Gun dispara às 13h todos os dias, exceto aos domingos, na Sexta-Feira Santa e no Natal.

Castelo de Edimburgo sobre a rocha vulcânica, visto dos Jardins da Princes Street, com a fonte ornamentada Ross em primeiro plano
O castelo ocupa a rocha vulcânica que dominava a antiga cidade murada.

2) Royal Mile

A Royal Mile é a sequência de ruas que desce do castelo até o Palácio de Holyroodhouse, com cerca de 1,8 quilômetro, a medida da antiga milha escocesa. É o eixo da Cidade Velha, com prédios históricos, igrejas, museus, lojas e restaurantes, e é dela que saem os closes que ligam a rua principal aos pátios e às encostas. A visita ao Castelo de Edimburgo costuma ser o ponto de partida.

Trecho alto da Royal Mile com fachadas de pedra e telhados de ardósia, visto do alto, com a esplanada do castelo ao fundo e pedestres na rua
A Royal Mile desce do castelo até Holyrood e reúne boa parte dos edifícios históricos da Cidade Velha.

Os closes tinham os nomes de moradores ou atividades de cada lugar. O Real Mary King's Close é um conjunto de becos e casas dos séculos XVII e XVIII que ficou soterrado sob os City Chambers, a sede da prefeitura, e hoje pode ser visitado em passeios guiados, com histórias sobre a vida na cidade antiga, a peste e, claro, fantasmas.

3) Catedral de St. Giles

Conhecida também como High Kirk of Edinburgh, a igreja tem fundação tradicionalmente atribuída ao rei David I, em 1124. O corpo atual data de 1385 a 1410. Em 1560, com a Reforma, o Parlamento escocês aboliu a autoridade do papa, e vitrais, altares e imagens católicas foram retirados; hoje é uma igreja presbiteriana, e o título de catedral se mantém pela história. A torre com a coroa de pedra, apoiada em oito arcobotantes, é o traço mais reconhecível do edifício. A igreja ganhou revestimento externo de pedra aparelhada por William Burn entre 1829 e 1833 e, entre 1909 e 1911, a Thistle Chapel, de Robert Lorimer, com rico trabalho em madeira. Está na categoria A do registro de edifícios protegidos da Escócia desde 1970.

Catedral de St. Giles iluminada à noite, com a torre coroada de arcos de pedra, na praça da Royal Mile
A torre de St. Giles, com a coroa de pedra apoiada em oito arcobotantes, é um marco da Royal Mile. Foto: Don Munro.

4) Cockburn Street

Aberta no século XIX para ligar a Royal Mile à estação Waverley, a Cockburn Street desce em curva pela encosta, com prédios de pedra em estilo baronial escocês, com torres, empenas e janelas salientes. Hoje concentra lojas independentes, cafés e pubs.

Cockburn Street em curva com prédios de pedra escura, torreão com telhado cônico e lojas no térreo
A Cockburn Street foi aberta no século XIX para ligar a Cidade Velha à estação Waverley.

5) Waverley Bridge

É uma das pontes que ligam a Cidade Nova à Cidade Velha, sobre o vale onde ficava o Nor Loch. Da ponte se vê a silhueta da Cidade Velha, com os prédios altos subindo a encosta. Logo abaixo fica a estação Waverley, que abriu em 1846 e foi reconstruída entre 1892 e 1902, ocupando o vale entre a Cidade Velha e a Princes Street.

Waverley Bridge com carros e ônibus, e ao fundo a silhueta da Cidade Velha com prédios de pedra em vários níveis e uma torre
Da Waverley Bridge se vê a Cidade Velha subindo a encosta em direção à Royal Mile.

6) Parlamento Escocês

No fim da Royal Mile, em frente ao Palácio de Holyroodhouse, fica o Parlamento Escocês, projeto do arquiteto catalão Enric Miralles e de Benedetta Tagliabue, do escritório EMBT, com o escritório escocês RMJM. Miralles morreu em 2000, antes da conclusão, e o edifício foi inaugurado em 2004. A arquitetura, com formas inspiradas na paisagem e em barcos virados, janelas com painéis irregulares e muita madeira e concreto, foi alvo de críticas pelo custo e pelo prazo, e de elogios pelo projeto: ganhou o Stirling Prize de 2005, principal prêmio de arquitetura do Reino Unido.

Plenário do Parlamento Escocês com bancadas de madeira em semicírculo e a cobertura de vigas de madeira laminada
O plenário do Parlamento Escocês tem cobertura de vigas de madeira e bancadas em semicírculo.

7) Palácio de Holyroodhouse

O palácio é a residência oficial do monarca britânico na Escócia, hoje o rei Carlos III, e foi a principal residência real escocesa por séculos. O edifício atual foi construído em grande parte entre 1671 e 1678, para Carlos II, ao lado de uma torre do século XVI ligada a Maria Stuart. Ao lado ficam as ruínas da abadia de Holyrood, fundada no século XII. Quando a família real não está em Edimburgo, parte do palácio é aberta à visitação.

Palácio de Holyroodhouse visto do alto, com a fachada de pedra, as torres de canto e as ruínas da abadia ao lado, cercado por gramados
O Palácio de Holyroodhouse, no fim da Royal Mile, é a residência oficial do monarca na Escócia.

8) Victoria Street

A rua em curva que desce até o Grassmarket foi aberta no século XIX e tem prédios de fachadas coloridas no térreo, com um terraço de pedestres no nível de cima. Muitos visitantes associam a rua ao Beco Diagonal dos livros de Harry Potter, e há lojas dedicadas ao universo da série entre galerias, cafés e boutiques.

Victoria Street em curva, com lojas de fachadas pintadas em vermelho, azul, rosa e verde e prédios de pedra acima
As fachadas coloridas da Victoria Street estão entre as mais fotografadas de Edimburgo.

9) Cemitério de Greyfriars

O cemitério da igreja de Greyfriars, em uso desde o século XVI, é um dos lugares mais visitados da Cidade Velha, pelos túmulos esculpidos e pelas histórias que o cercam. A mais conhecida é a de Greyfriars Bobby, um terrier que, segundo a tradição, guardou o túmulo do dono por anos até morrer, em 1872. Visitantes costumam deixar gravetos na lápide do cachorro, e uma estátua dele fica na esquina da Candlemaker Row, na entrada do cemitério.

Túmulos de pedra esculpidos no Cemitério de Greyfriars, com prédios antigos de pedra ao fundo
Os túmulos esculpidos do Cemitério de Greyfriars estão entre os mais antigos da Cidade Velha.

10) Museu Nacional da Escócia

O Museu Nacional da Escócia, na Chambers Street, reúne dois edifícios bem diferentes. O antigo Royal Museum, começado em 1861 e aberto em 1866, tem fachada vitoriana e um grande salão central de ferro fundido e vidro, projetado por Francis Fowke e Robert Matheson; depois de uma reforma, reabriu em 2011. Ao lado, o edifício do Museum of Scotland, dos arquitetos Benson & Forsyth, inaugurado em 1998, é uma obra contemporânea de pedra clara com uma torre cilíndrica. A entrada é gratuita.

Grande salão do Museu Nacional da Escócia, com galerias em vários níveis e cobertura de vidro sustentada por estrutura de ferro
O salão vitoriano do Museu Nacional da Escócia tem estrutura de ferro fundido e cobertura de vidro.

11) Grassmarket

Antigo mercado de gado e local de execuções públicas, o Grassmarket fica aos pés do castelo, no fundo do vale ao sul da Cidade Velha. Hoje é uma praça comprida cercada por pubs, restaurantes com mesas ao ar livre e lojas, com vista para a rocha do castelo.

Praça do Grassmarket com prédios de pedra e o castelo sobre a rocha ao fundo, sob céu azul com nuvens
O Grassmarket, antigo mercado, tem uma das melhores vistas da rocha do castelo.

12) Princes Street

A Princes Street, primeira das três ruas do plano de James Craig, tem prédios só de um lado; do outro, os jardins e a vista para a Cidade Velha. É a principal rua comercial do centro. Nela ficam o Hotel Balmoral, com sua torre do relógio, a estação Waverley, as Galerias Nacionais da Escócia, no Mound, e o monumento a Sir Walter Scott.

Vista do alto da Princes Street, com a torre do relógio do Hotel Balmoral e a torre gótica do Scott Monument em primeiro plano
A Princes Street tem prédios só de um lado e vista aberta para os jardins e a Cidade Velha.

O Scott Monument, torre gótica vitoriana de 61 metros projetada por George Meikle Kemp, é um dos maiores monumentos do mundo dedicados a um escritor. A obra começou em 1840 e foi inaugurada em 1846. Aos pés da torre, a estátua de Walter Scott com seu cão Maida foi esculpida por John Steell em mármore de Carrara. Uma escada estreita leva aos mirantes.

13) Jardins da Princes Street

Os jardins ocupam o vale do antigo Nor Loch, o lago que protegia o lado norte da cidade medieval e que, com o tempo, virou depósito de lixo e esgoto. A drenagem começou com a construção da Cidade Nova, a partir da década de 1760, e os jardins foram criados nos anos 1820. Hoje são o parque central de Edimburgo, com vista para o castelo e para a fonte Ross.

Jardins da Princes Street com gramado ocupado por visitantes, árvores e, ao fundo, o Hotel Balmoral e o Scott Monument
Os Jardins da Princes Street ocupam o vale do antigo Nor Loch, drenado a partir do século XVIII.

14) Calton Hill

A colina no fim da Princes Street oferece algumas das vistas mais conhecidas da cidade e reúne os monumentos que deram a Edimburgo o apelido de Atenas do Norte: o Monumento Nacional inacabado, o Monumento a Dugald Stewart, em forma de templo circular, o Monumento a Nelson e o antigo observatório. Calton Hill faz parte do sítio do Patrimônio Mundial, que abrange 443 hectares da Cidade Velha e da Cidade Nova. Para caminhadas mais longas, o Arthur's Seat e os Salisbury Crags, também de origem vulcânica, ficam no Parque Holyrood, ao lado do palácio.

Vista de Calton Hill com o Monumento a Dugald Stewart, em forma de templo circular, e ao fundo o castelo, a torre do Hotel Balmoral e o centro
De Calton Hill se vê o centro de Edimburgo, com o castelo, a torre do Balmoral e a Cidade Velha.

15) Dean Village e Circus Lane

A Dean Village, às margens do Water of Leith, foi durante séculos uma aldeia de moinhos; hoje é um bairro residencial de casas de pedra à beira do rio, a poucos minutos da Princes Street. Circus Lane, em Stockbridge, é uma rua curva de antigas cocheiras transformadas em casas, com a torre da igreja de St. Stephen ao fundo. O Water of Leith Walkway, concluído em 2002, percorre 13 milhas de Balerno a Leith e passa pelos dois lugares.

Circus Lane, rua estreita de paralelepípedos com casas baixas de pedra cobertas de trepadeiras e flores, e uma torre de igreja ao fundo
Circus Lane, em Stockbridge, reúne antigas cocheiras transformadas em casas.

Como a Escócia protege esses edifícios

Boa parte do que se vê nessa caminhada continua de pé porque tem proteção legal. A Escócia tem cerca de 47 mil edifícios protegidos, designados pelo Historic Environment Scotland e divididos em três categorias, A, B e C, conforme a importância. O primeiro registro estatutário do país é de 1957, e cada imóvel tem sua ficha individual publicada na internet.

A designação vem da Planning (Listed Buildings and Conservation Areas) (Scotland) Act 1997 e alcança o interior, as ampliações e as estruturas anexas, não só a fachada. Mudanças podem exigir uma autorização específica, o Listed Building Consent, e o departamento de planejamento da prefeitura é o primeiro interlocutor. A proteção não altera a titularidade: o dono continua dono, com um filtro a mais no caminho de qualquer obra. Cuidar dessa herança arquitetônica escocesa exige critérios de intervenção que o blog discute também do ponto de vista conceitual, nas teorias da restauração.

Dicas para a caminhada

  • Comece pelo alto: faça a Royal Mile do castelo para Holyrood, sempre em descida, e volte pela Princes Street.
  • Entre nos closes: vários becos da Royal Mile levam a pátios e mirantes que não se veem da rua.
  • Suba Calton Hill no fim da tarde: a vista do castelo e da Cidade Velha é a mais fotografada da cidade.
  • Reserve com antecedência: castelo, Real Mary King's Close e visitas ao Parlamento costumam esgotar na alta temporada e durante os festivais de agosto.
  • Combine com Glasgow: a uma hora de trem, a outra grande cidade escocesa tem arquitetura vitoriana e a obra de Charles Rennie Mackintosh, apresentadas no roteiro de arquitetura de Glasgow.

Duas formas de fazer cidade

Edimburgo mostra, em poucos quilômetros, duas formas de fazer cidade: a Cidade Velha medieval, que cresceu para cima dentro de muralhas, e a Cidade Nova georgiana, planejada com régua e compasso para uma burguesia do Iluminismo. Somam-se a isso os monumentos neoclássicos da Atenas do Norte e obras contemporâneas como o Parlamento Escocês.

Do castelo às ruas coloridas da Victoria Street e às casas de Dean Village, cada lugar deste roteiro guarda uma parte da história escocesa, e a proteção legal de milhares de edifícios explica por que tanto dessa história continua visível.

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