Art Nouveau: o que é, características, obras e diferença do Art Déco

O que é Art Nouveau, como reconhecer o estilo, seus grandes arquitetos e obras, exemplos no Brasil e as diferenças para Art Déco e Arts and Crafts.
Art Nouveau é o estilo internacional de arquitetura, design e artes decorativas que dominou a Europa entre a década de 1890 e a Primeira Guerra Mundial. Ele se reconhece pelas linhas curvas e assimétricas, muitas vezes em forma de "chicote", pelos ornamentos tirados de plantas, flores e insetos e pelo uso de materiais novos para a época, como o ferro, o vidro e a cerâmica, moldados como se fossem vivos.
O nome vem de uma galeria aberta em Paris em 1895, e o estilo recebeu nomes diferentes em cada país. Este guia explica o que é o Art Nouveau, como reconhecê-lo em fachadas e interiores, quem foram os seus grandes arquitetos, onde vê-lo no Brasil e como distingui-lo do Art Déco e do Arts and Crafts, os dois estilos com que ele mais se confunde.
Pontos principais
- Art Nouveau: estilo internacional dos anos 1890 até a Primeira Guerra, de curvas inspiradas em plantas, flores e insetos; Horta, Guimard, Gaudí e Mackintosh são referências.
- O nome vem da galeria Maison de l'Art Nouveau, aberta por Siegfried Bing em Paris em dezembro de 1895.
- Na arquitetura, as marcas são a fachada ondulada, o ferro trabalhado como planta, os vitrais e a ideia de que casa, móvel e objeto formam uma obra só.
- No Brasil, a Vila Penteado (São Paulo, 1902) é tida como a primeira obra do estilo; Belém e Manaus o receberam no ciclo da borracha.
- Arts and Crafts: o mais antigo dos três, nascido na Grã-Bretanha na segunda metade do século XIX em reação à produção industrial; William Morris é o nome central.
- Art Déco: estilo dos anos 1920 e 1930, geométrico e luxuoso, consagrado pela exposição de Paris de 1925; o Edifício Chrysler é um ícone.
- O Rio de Janeiro tem um dos maiores conjuntos Art Déco da América Latina.
- O Cristo Redentor e o Edifício A Noite, no Rio, e o conjunto tombado de Goiânia são os grandes exemplos brasileiros de Art Déco.
O que é Art Nouveau
"Art Nouveau" quer dizer "arte nova" em francês. A expressão ganhou força com a Maison de l'Art Nouveau, a galeria que o marchand Siegfried Bing abriu em Paris em dezembro de 1895 para vender objetos de artistas que buscavam uma linguagem própria, longe da cópia de estilos do passado. O interior da galeria foi desenhado pelo belga Henry van de Velde, e os vitrais vieram de Louis Comfort Tiffany.
Segundo a Tate, foi um estilo internacional de arte, arquitetura e design que surgiu na década de 1890, ganhou grande público na Exposição Universal de Paris de 1900 e foi interrompido pela Primeira Guerra. A ambição do movimento ia além da decoração: arquitetos e designers queriam que o prédio, os móveis, as luminárias, as maçanetas e até os talheres seguissem a mesma ideia, o que os alemães chamavam de Gesamtkunstwerk, a obra de arte total.
O estilo nasceu num momento de otimismo, a Belle Époque, em que a indústria oferecia materiais como o ferro fundido e o vidro em grandes placas. Em vez de esconder esses materiais atrás de colunas gregas, o Art Nouveau os mostrou e os dobrou em formas de caules, folhas e flores.
Características do Art Nouveau
Voltando no tempo em relação ao Art Déco, no fim do século XIX o Art Nouveau estava em alta. Ele é fácil de distinguir pelas curvas em "chicote" e pelos ornamentos inspirados na natureza: asas de insetos, flores, penas, caules e vinhas. A expressão "linha chicote" vem de uma tapeçaria bordada de ciclamens criada por Hermann Obrist por volta de 1895, apelidada em alemão de Peitschenhieb, a chicotada, e virou sinônimo do estilo.

As características mais citadas podem ser resumidas assim:
- Linhas curvas e assimétricas: a curva longa que se enrola no fim, repetida em grades, molduras, escadas e letras.
- Natureza como modelo: lírios, íris, papoulas, algas, libélulas, pavões e figuras femininas com cabelos longos.
- Materiais industriais tratados como artesanato: ferro fundido e forjado, vidro, cerâmica vidrada, mosaico e, mais tarde, concreto.
- Luz e cor: vitrais, claraboias e painéis de vidro colorido que filtram a luz natural.
- Unidade entre arquitetura e objeto: o mesmo desenho aparece na fachada, no corrimão, no móvel e na luminária.
- Recusa da cópia histórica: em vez de imitar o gótico ou o clássico, o estilo inventa ornamento novo.
Art Nouveau na arquitetura
O Art Nouveau se apoia na fluidez e no movimento das curvas e na assimetria. Nas fachadas, isso aparece em janelas de contorno irregular, sacadas que parecem crescer da parede, grades de ferro em forma de ramos e revestimentos de cerâmica colorida. Por dentro, as plantas se abrem: escadas e salões ficam ligados por vãos amplos, e a estrutura metálica deixa de ser escondida.
O estilo foi muito influenciado pelas belas-artes e incluía vitrais, pintura, baixos-relevos e trabalhos minuciosos em madeira e metal, tanto na arquitetura quanto no design de interiores. O ferro, material industrial, aparece moldado em formas vegetais.

O Hôtel Tassel, construído por Victor Horta entre 1892 e 1893 em Bruxelas, é considerado uma das primeiras casas do estilo. A coluna de ferro do vestíbulo se abre em ramos no alto, e as linhas pintadas na parede e no piso continuam o mesmo movimento, como se a casa inteira tivesse sido desenhada de um só traço.
Art Nouveau no design, nas artes gráficas e nas joias
O estilo não ficou na arquitetura. Nos cartazes, Alphonse Mucha popularizou as figuras femininas emolduradas por flores e arabescos. No vidro, Émile Gallé, em Nancy, e René Lalique, em Paris, transformaram vasos e joias em pequenas esculturas de plantas e insetos; nos Estados Unidos, Louis Comfort Tiffany fez o mesmo com luminárias e vitrais. Em Nancy, a Escola de Nancy, fundada em 1901, reuniu artistas e industriais para levar o estilo a móveis e objetos de uso diário.
Na Grã-Bretanha, as ilustrações de Aubrey Beardsley levaram a linha curva ao preto e branco dos livros. Em Viena, a Secessão levou o estilo a uma versão mais geométrica, que já anunciava o século XX.
Principais arquitetos e obras
Embora seja um estilo sobretudo urbano, o Art Nouveau buscou referências no artesanato e no mundo natural. O belga Victor Horta foi um dos pioneiros, cujas principais residências em Bruxelas são patrimônio mundial, ao lado do também belga Henry van de Velde, do francês Hector Guimard, do escocês Charles Rennie Mackintosh, mais sóbrio e geométrico em Glasgow, e do catalão Antoni Gaudí, cujas obras também estão na Lista do Patrimônio Mundial.
| Obra | Cidade | Autor | Data | O que observar |
|---|---|---|---|---|
| Hôtel Tassel | Bruxelas | Victor Horta | 1892–1893 | Coluna de ferro que se abre em ramos e linhas contínuas na escada |
| Castel Béranger | Paris | Hector Guimard | 1895–1898 | Primeiro prédio residencial de Paris no estilo, com ferro e cerâmica em cada detalhe |
| Museu de Artes Aplicadas | Budapeste | Ödön Lechner e Gyula Pártos | 1893–1896 | Telhado de cerâmica vidrada colorida e motivos do artesanato popular húngaro |
| Entradas do metrô | Paris | Hector Guimard | 1900–1913 | Estruturas de ferro e vidro em forma de caules, repetidas em série |
| Casa Batlló | Barcelona | Antoni Gaudí | reforma iniciada em 1904 | Fachada ondulada, sacadas em forma de máscara e mosaico de cerâmica |
| Escola de Arte de Glasgow | Glasgow | Charles Rennie Mackintosh | 1897–1909 | Versão mais sóbria e geométrica, com ferro e grandes janelas |

As entradas do metrô de Paris mostram bem como o estilo usou a indústria. Guimard desenhou peças de ferro fundido e vidro que podiam ser montadas em série; entre 1900 e 1913 foram feitas 141 entradas, e as que restam hoje são protegidas como monumentos históricos.

Os nomes do Art Nouveau pelo mundo
Os nomes variam conforme o país: Jugendstil na Alemanha, Secession na Áustria, Modernismo na Catalunha, Liberty na Itália. Na Hungria, o Art Nouveau húngaro em Budapeste buscou um estilo nacional, com cerâmica vidrada e motivos do artesanato popular. Na Grã-Bretanha o estilo também foi chamado de Modern Style, e na França, além de Art Nouveau, circularam expressões como Style 1900.
Essas variações não são só de nome. O Modernismo catalão de Gaudí é mais escultórico; a Secessão vienense, de Otto Wagner e Josef Hoffmann, é mais reta; a versão de Glasgow, de Mackintosh, mistura curvas delicadas com grades quadradas. O centro histórico de Riga, na Letônia, patrimônio mundial, reúne um dos maiores conjuntos de fachadas do período, com destaque para os prédios de Mikhail Eisenstein.
Art Nouveau no Brasil
O estilo chegou ao Brasil na virada do século XX, trazido por arquitetos estrangeiros, por materiais importados e pela vontade das elites urbanas de parecer modernas. Segundo a Funarte, a Vila Penteado, de 1902, é considerada a primeira obra do estilo no país, e Belém e Manaus o incorporaram durante o ciclo da borracha.
- Vila Penteado, São Paulo: residência encomendada em 1902 por Antônio Álvares Penteado ao arquiteto sueco Carlos Ekman, na vertente austríaca do estilo. Eram duas casas em uma, para o conde e a família do genro. Segundo a FAU-USP, o edifício, com mais de 60 cômodos, foi doado à Universidade de São Paulo em 1949, abrigou a faculdade de arquitetura até 1968 e hoje recebe a pós-graduação. É tombado pelo Condephaat e pelo Conpresp.
- Confeitaria Colombo, Rio de Janeiro: fundada em 1894 na Rua Gonçalves Dias, ganhou entre 1912 e 1918 salões com grandes espelhos vindos de Antuérpia, emoldurados por madeira de jacarandá entalhada, que se tornaram um dos interiores mais conhecidos da Belle Époque carioca.
- Mercado de Ferro do Ver-o-Peso, Belém: inaugurado em 1901, no auge da borracha, com estrutura metálica pré-fabricada importada; o conjunto do Ver-o-Peso é tombado pelo Iphan desde 1977.
Além dessas obras, o estilo aparece em muitas cidades brasileiras em detalhes menores: gradis, portões, vitrais de escadas, azulejos e fachadas de lojas do início do século XX. Muitos desses imóveis são tombados ou estão em áreas de proteção, o que muda as regras de reforma, como explica o texto sobre restauração do patrimônio histórico.
Por que o Art Nouveau acabou
O estilo durou pouco. O trabalho artesanal que ele exigia encarecia cada obra, e a repetição comercial dos motivos florais cansou o público. Arquitetos como o vienense Adolf Loos passaram a defender edifícios sem ornamento; a conferência "Ornamento e crime", que Loos apresentou em 1910, virou símbolo dessa virada. Com a Primeira Guerra, a partir de 1914, o Art Nouveau praticamente se esgotou, e nos anos 1920 o gosto se voltou para a geometria do Art Déco e, depois, para o modernismo. A linha oposta, a da recusa do ornamento, está na origem da arquitetura minimalista. Nos anos 1950, essa mesma recusa ganhou uma versão pesada, de concreto bruto e estrutura à mostra: o brutalismo.
Décadas depois, o estilo voltou a ser valorizado, e museus e governos passaram a proteger as obras que tinham sobrevivido às demolições.
Art Nouveau, Art Déco e Arts and Crafts: qual a diferença
Os três estilos se sucederam entre meados do século XIX e a Segunda Guerra Mundial, e os três começam com "arte", o que explica a confusão. A diferença mais rápida está nas linhas: o Arts and Crafts valoriza o trabalho manual e formas simples inspiradas na natureza; o Art Nouveau usa curvas orgânicas em "chicote"; o Art Déco prefere a geometria, as linhas retas e o brilho dos materiais modernos.

Art Déco: o que é e características
O Art Déco começou a se formar na França pouco antes da Primeira Guerra Mundial e se tornou popular nos anos 1920, mantendo-se forte até a Segunda Guerra. O estilo celebrava as mudanças do mundo moderno: a difusão da eletricidade, o rádio, o automóvel, os arranha-céus e a arte de vanguarda, como o cubismo. O rótulo, porém, veio depois: na sua própria época o estilo circulava como "Style Moderne", e a expressão "Art Déco", abreviação de artes decorativas, só apareceu impressa em 1966, no título de uma exposição do Museu de Artes Decorativas de Paris; ela se espalhou de vez em 1968, com o livro do historiador Bevis Hillier sobre o design dos anos 1920 e 1930. Muitos dos prédios mais altos do Brasil da primeira metade do século XX seguiram essa linguagem.
A grande mostra de artes decorativas de Paris de 1925, a Exposition internationale des arts décoratifs et industriels modernes, foi decisiva para difundir o estilo, como explica o Victoria and Albert Museum. Nos Estados Unidos, o Art Déco marcou arranha-céus como o Edifício Chrysler e o Empire State Building, e também o design de móveis, a moda, as joias e as artes aplicadas.
A ligação entre belas-artes e artesanato é um dos traços do movimento. O Art Déco costuma ser associado ao luxo e a materiais caros e influenciou arquitetura, interiores, moda, cinema e design gráfico, chegando também à vida cotidiana em objetos, rádios e fachadas comerciais.
O levantamento do V&A sobre o Art Déco pelo mundo mostra o alcance do vocabulário: Xangai, nos anos 1930 a cidade mais moderna e avançada tecnologicamente da China; os cartazes ferroviários franceses e japoneses; o vidro gravado do sueco Edward Hald, em que a arte local aparece com nitidez. Na Feira Mundial de Nova York de 1939, a vertente americana do estilo já tinha identidade própria, formada no intercâmbio entre designers europeus emigrados e americanos que viajavam à Europa.

Características do Art Déco
O estilo se distingue pelas formas geométricas, linhas retas, ângulos agudos, simetria, escalonamentos e ziguezagues. Espelhos, laca preta, metais polidos, madeiras exóticas e vidro gravado são materiais típicos. Onde o Art Nouveau dobra o ferro como um caule, o Art Déco o corta em raios de sol e degraus. Na arquitetura, os sinais mais comuns são:
- Volumes escalonados: o prédio vai recuando em degraus à medida que sobe, com coroamento marcado.
- Ênfase vertical: faixas e pilastras que puxam o olhar para cima, sobretudo em arranha-céus e torres de relógio.
- Ornamento geométrico: leques, raios de sol, chevrons e frisos em baixo-relevo, em vez de flores e ramos.
- Simetria: fachadas equilibradas em torno de um eixo, com entrada central destacada.
- Materiais de brilho: metais cromados ou dourados, mármore, vidro fosco ou gravado e letreiros em letras geométricas.
- Cantos arredondados e faixas horizontais, na vertente Streamline dos anos 1930.

O Art Déco aproveitou a geometria do cubismo, mas a combinou com ornamento e materiais luxuosos, em vez da austeridade das vanguardas. O cinema ajuda a visualizar o estilo: Metrópolis, de 1927, cuja versão restaurada integra o registro Memória do Mundo da UNESCO, e filmes ambientados nos anos 1920 e 1930, como O Grande Gatsby, Cabaret e Chicago. Nos anos 1930, uma vertente chamada Streamline Moderne suavizou os ângulos com curvas aerodinâmicas, inspiradas em trens, navios e aviões.
Obras de referência do Art Déco
| Obra | Lugar | Autor | Data | O que observar |
|---|---|---|---|---|
| Edifício Chrysler | Nova York | William Van Alen | 1930 | Coroa de arcos em aço inoxidável; com 319 m, foi o prédio mais alto do mundo por 11 meses |
| Empire State Building | Nova York | Shreve, Lamb & Harmon | 1931 | Volume escalonado e saguão com relevos metálicos |
| Edifício A Noite | Rio de Janeiro | Joseph Gire e Elisário Bahiana | 1929 | Primeiro arranha-céu do Brasil, em concreto armado, tombado pelo Iphan em 2013 |
| Cristo Redentor | Rio de Janeiro | Heitor da Silva Costa e Paul Landowski | 1922–1931 | Linhas retas da túnica, simetria e revestimento de pedra-sabão |
| Distrito Art Déco de Miami Beach | Miami Beach | vários arquitetos | anos 1930 | Hotéis em cores claras, letreiros verticais e cantos arredondados; protegido desde 1979 |
| Centro de Napier | Nova Zelândia | vários arquitetos | anos 1930 | Cidade reconstruída no estilo depois do terremoto de 1931 |
| Conjunto Art Déco de Goiânia | Goiânia | vários arquitetos | anos 1930 e 1940 | 22 prédios e monumentos públicos tombados pelo Iphan em 2003 |

Art Déco no Brasil
No Brasil, o Rio de Janeiro é frequentemente apontado como a capital latino-americana do Art Déco. A Enciclopédia Itaú Cultural descreve a difusão do estilo pelo centro da cidade em vitrais, escadarias, desenhos de calçamento e letreiros, do interior da confeitaria Cavé ao Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, e à Central do Brasil.
Dois símbolos da cidade pertencem ao estilo. O Cristo Redentor, construído entre 1922 e 1931 pelo engenheiro Heitor da Silva Costa com o escultor francês Paul Landowski, traduz o Art Déco em escala monumental: a túnica de linhas retas, a simetria dos braços abertos e o revestimento de pedra-sabão em pequenos triângulos. O Edifício A Noite, na Praça Mauá, inaugurado em 1929 com projeto de Joseph Gire e Elisário Bahiana, tem 22 andares e foi o primeiro arranha-céu do país; o Iphan o tombou em 2013.
Fora do Rio, o caso mais conhecido é Goiânia. A capital de Goiás foi planejada nos anos 1930, no auge do estilo, e o Iphan tombou em 2003 um conjunto de 22 prédios e monumentos públicos no centro e no bairro de Campinas, entre eles o Teatro Goiânia e a Torre do Relógio da Avenida Goiás. São Paulo, Belo Horizonte, Recife e muitas cidades médias também guardam cinemas, prédios de apartamentos, estações e fachadas comerciais Art Déco, nem sempre protegidos.
Arts and Crafts
O mais antigo dos três, o Arts and Crafts nasceu na Grã-Bretanha na segunda metade do século XIX como reação à produção industrial em massa, vista como fria, repetitiva e desumanizante. Segundo a Tate, o movimento floresceu entre cerca de 1880 e 1920, com raízes nas ideias de John Ruskin e no trabalho de William Morris a partir dos anos 1860. Muitos artistas do Art Nouveau partiram dessas ideias, mas trocaram a desconfiança em relação à máquina pelo uso aberto do ferro e do vidro.

Liderados por William Morris, artistas e artesãos ingleses passaram a produzir tapeçarias, papéis de parede, tapetes, cerâmicas, vitrais e móveis com motivos de flores e folhas, valorizando o que era feito à mão. A empresa que deu forma comercial ao movimento nasceu em 1861, no círculo pré-rafaelita, como Morris, Marshall, Faulkner & Co., e passou a se chamar Morris & Co. em 1875. A William Morris Gallery, em Londres, reúne a obra do designer.

Morris influenciou a construção, a decoração e o design com ideias também políticas: queria que o trabalho fosse fonte de prazer e que objetos bonitos fizessem parte da vida de todos. Uma frase atribuída a ele, de uma palestra reunida no livro Signs of Change (1888), resume essa visão:
"O verdadeiro segredo da felicidade reside em ter um interesse genuíno em todos os detalhes da vida diária." (William Morris, tradução livre)

A Red House, no sudeste de Londres, tem papel central na história do movimento. Projetada por Philip Webb para William Morris e concluída em 1860, é a única casa que Morris encomendou, criou e habitou. O desenho segue a arquitetura rural inglesa, com tijolo aparente, telhados inclinados e elementos góticos, como arcos ogivais. A relação do movimento com as casas britânicas de época está no texto sobre arquitetura georgiana, vitoriana e eduardiana.
O primeiro papel de parede desenhado por Morris, Trellis, de 1862, veio da treliça de rosas do jardim da Red House; Daisy saiu em 1864. Segundo o V&A, a impressão era feita com blocos de madeira entalhados à mão e tintas naturais de base mineral, e o padrão St. James's chegou a exigir 68 blocos separados para fechar uma repetição em duas larguras de papel.

Assim como o Art Nouveau, o Arts and Crafts se inspirou na natureza, mas com motivos mais geométricos e ordenados, sem as curvas extremas do Art Nouveau. A madeira era usada em abundância e quase sempre com acabamento natural, e os detalhes decorativos, de azulejos e vasos a vitrais, eram feitos à mão. Os princípios do movimento podem ser resumidos assim:
- o artesão prospera quando participa de todas as etapas da produção;
- o prazer no trabalho é condição para criar uma peça bonita;
- a arte deve estar em toda parte, sobretudo nos objetos do dia a dia.

Resumo: como diferenciar os três estilos
| Aspecto | Arts and Crafts | Art Nouveau | Art Déco |
|---|---|---|---|
| Período | Segunda metade do século XIX a cerca de 1920 | Década de 1890 à Primeira Guerra | Anos 1920 à Segunda Guerra |
| Linhas | Simples e ordenadas | Curvas orgânicas, em "chicote" | Geométricas, retas, escalonadas |
| Inspiração | Natureza e artesanato medieval | Plantas, flores, insetos | Máquina, velocidade, vanguardas |
| Materiais | Madeira natural, cerâmica, tecido, vitral | Ferro moldado, vidro, madeira trabalhada | Metais polidos, laca, vidro, mármore |
| Relação com a indústria | Recusa a máquina e valoriza o feito à mão | Usa ferro e vidro industriais com desenho artesanal | Celebra a máquina e a produção em série |
| Nomes | William Morris, Philip Webb | Horta, Guimard, Gaudí, Mackintosh | William Van Alen, designers da exposição de 1925 |
| Pense em | Red House, estilo bungalow | Casa Batlló, metrô de Paris | Edifício Chrysler, O Grande Gatsby |
Como identificar Art Nouveau e Art Déco num imóvel
Quem compra, reforma ou avalia um imóvel antigo pode procurar alguns sinais do estilo. Nenhum deles sozinho basta, mas vários juntos indicam uma construção ou uma reforma do início do século XX:
- Gradis, portões e guarda-corpos de ferro com desenho de ramos, folhas ou flores, em vez de barras retas.
- Vitrais em portas, bandeiras de janelas e claraboias, com flores estilizadas e linhas curvas.
- Molduras e janelas de contorno curvo, às vezes assimétricas, e sacadas com base arredondada.
- Azulejos e ladrilhos hidráulicos com motivos vegetais e cores suaves, como verdes, ocres e lilases.
- Escadas de madeira ou ferro com corrimão sinuoso e colunas que se abrem no alto.
- Letreiros e numerais com letras alongadas e terminações em curva.
No caso do Art Déco, os sinais são outros: fachada simétrica com faixas verticais ou horizontais, platibanda escalonada no alto, portas e janelas com molduras retas e cantos arredondados, gradis em leque ou raio de sol, pisos de granilite com desenhos geométricos e letreiros com letras retas. Muitos prédios de apartamentos e casas das décadas de 1930 e 1940 no Brasil têm esses traços.
Esses elementos originais pesam no valor histórico do imóvel e, quando ele é tombado ou está em área de proteção, precisam ser mantidos em qualquer obra. Antes de trocar gradis ou vitrais, vale consultar o órgão de patrimônio da cidade.
Perguntas frequentes
O que é Art Nouveau?
É o estilo internacional de arquitetura, design e artes decorativas que surgiu na década de 1890 e durou até a Primeira Guerra, marcado por curvas orgânicas, ornamentos inspirados na natureza e uso de ferro, vidro e cerâmica.
Quais são as principais características do Art Nouveau?
Linhas curvas e assimétricas em "chicote", motivos de plantas, flores e insetos, ferro moldado em formas vegetais, vitrais e a busca de unidade entre arquitetura, móveis e objetos.
Quem são os principais nomes do Art Nouveau?
Na arquitetura, Victor Horta, Hector Guimard, Antoni Gaudí, Charles Rennie Mackintosh, Henry van de Velde, Otto Wagner e Ödön Lechner. No design e nas artes gráficas, Alphonse Mucha, Émile Gallé, René Lalique, Louis Comfort Tiffany e Aubrey Beardsley.
O que é Art Déco?
É o estilo de arquitetura, design e artes decorativas dos anos 1920 e 1930, consagrado pela exposição de Paris de 1925, marcado pela geometria, pela simetria, pelos escalonamentos e por materiais de brilho, como metais polidos, laca e mármore.
Quais são as características do Art Déco?
Formas geométricas, linhas retas, simetria, volumes em degraus, ornamentos em leque, raio de sol e ziguezague, ênfase vertical e materiais luxuosos ou industriais polidos.
O Cristo Redentor é Art Déco?
Sim. A estátua, inaugurada em 1931 no Corcovado, é considerada uma das maiores obras Art Déco do mundo: a túnica de linhas retas, a simetria dos braços abertos e o revestimento de pedra-sabão seguem o vocabulário do estilo.
Qual a diferença entre Art Déco e Art Nouveau?
O Art Nouveau (anos 1890 a 1914) usa curvas orgânicas inspiradas na natureza; o Art Déco (anos 1920 e 1930) usa geometria, linhas retas e materiais modernos e luxuosos.
Qual dos três estilos é o mais antigo?
O Arts and Crafts, que surgiu na Grã-Bretanha na segunda metade do século XIX, antes do Art Nouveau e do Art Déco.
Onde ver Art Nouveau no Brasil?
Em São Paulo, a Vila Penteado, no bairro de Higienópolis; no Rio de Janeiro, os salões da Confeitaria Colombo; em Belém, o Mercado de Ferro do Ver-o-Peso. Detalhes do estilo também aparecem em fachadas e interiores do início do século XX em várias cidades.
Onde ver Art Déco no Brasil?
O centro do Rio de Janeiro reúne muitos exemplos, como a Central do Brasil, o Teatro Carlos Gomes e o Edifício A Noite, além do Cristo Redentor. Goiânia tem um conjunto de 22 prédios e monumentos Art Déco tombados pelo Iphan. Outras cidades brasileiras também têm prédios do estilo da primeira metade do século XX.
Quem foi William Morris?
Designer, escritor e ativista inglês, principal nome do Arts and Crafts. Criou papéis de parede, tecidos e móveis e fundou a empresa que se tornou a Morris & Co.
O que o Art Nouveau mudou na casa
O Art Nouveau durou pouco mais de duas décadas, mas mudou a forma de pensar a casa: pela primeira vez, arquitetos trataram ferro e vidro industriais como matéria de arte e desenharam o prédio junto com cada objeto dentro dele. Arts and Crafts, Art Nouveau e Art Déco formam uma sequência: primeiro a defesa do trabalho manual contra a indústria, depois as curvas da natureza em ferro e vidro e, por fim, a geometria e o brilho da era da máquina. Reconhecer cada um ajuda a entender fachadas, interiores e objetos em qualquer cidade. A posição desses três movimentos na sequência dos principais estilos de arquitetura aparece num quadro próprio.
Muitos imóveis antigos no Brasil guardam traços desses estilos e, com eles, valor histórico que precisa ser considerado numa compra, numa partilha ou numa reforma. Na hora de avaliar um desses imóveis, a Valen Brasil leva esses atributos em conta num laudo de avaliação de imóveis feito pela norma técnica.
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