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Arquitetura

Estilos arquitetônicos: os principais, características e exemplos no Brasil

Editora Valen •
Catedral de Brasília iluminada à noite, com as colunas curvas de concreto e quatro estátuas de bronze dos evangelistas na praça em primeiro plano
Catedral de Brasília, inaugurada em 1970, com os evangelistas de Alfredo Ceschiatti na praça de acesso. Foto: Rodrigo de Almeida Marfan (CC BY-SA 4.0).

Guia dos principais estilos arquitetônicos, do clássico ao contemporâneo, com as características de cada um, exemplos no Brasil, um quadro comparativo e dicas para reconhecer o estilo de um imóvel.

Estilos arquitetônicos são conjuntos de traços que se repetem nas construções de uma época ou de uma região: a forma do telhado, o desenho das janelas, os materiais, o tipo de ornamento e o jeito de organizar os espaços. Os mais citados, do mais antigo ao mais recente, são o clássico, o gótico, o barroco, o neoclássico e o eclético, os estilos britânicos georgiano, vitoriano e eduardiano, o Art Nouveau e o Art Déco, o modernismo, o brutalismo, o minimalismo e a arquitetura contemporânea, além da arquitetura vernacular, que atravessa todas as épocas. Este guia resume cada um, mostra exemplos no Brasil e explica como reconhecer o estilo de um imóvel. Os estilos que têm artigo próprio no blog trazem o link para o guia completo.

Pontos principais

  • Um estilo nasce da combinação entre técnica disponível, materiais, clima, gosto e ideias de uma época; por isso a mesma cidade pode ter prédios de estilos muito diferentes lado a lado.
  • A sequência clássico, gótico, barroco e neoclássico cobre mais de dois mil anos de arquitetura europeia, que chegou ao Brasil com a colonização e com a formação dos arquitetos no século XIX.
  • No Brasil, o barroco mineiro, o neoclássico da Missão Artística Francesa, o eclético dos teatros municipais e o modernismo de Brasília são os conjuntos mais conhecidos.
  • Do século XX em diante, a recusa do ornamento deu origem ao modernismo, ao brutalismo e ao minimalismo, cada um com uma resposta diferente sobre o que mostrar e o que esconder.
  • O estilo pode pesar no valor de um imóvel, mas não sozinho: estado de conservação, localização e eventual tombamento contam tanto quanto a fachada.

O que define um estilo arquitetônico

Nenhum estilo foi decretado. Ele é reconhecido depois, quando historiadores e arquitetos percebem que muitos edifícios de um período usam as mesmas soluções. Algumas dessas soluções são técnicas: o arco ogival permitiu igrejas mais altas na Idade Média, e o concreto armado permitiu os vãos livres do século XX. Outras são escolhas de gosto, como a preferência do barroco pela curva ou a do Art Déco pela geometria.

Os nomes também têm origens variadas. Alguns vêm de críticos que queriam desqualificar o estilo, outros de exposições, de revistas ou do monarca que reinava na época. Por isso, a fronteira entre um estilo e outro raramente é nítida, e muitos prédios misturam elementos de mais de uma corrente.

Como identificar o estilo de um imóvel

Olhar a fachada com método ajuda mais do que decorar nomes. Os pontos abaixo resolvem a maioria dos casos:

  1. Simetria: fachadas simétricas, com porta no centro e janelas iguais dos dois lados, apontam para o clássico, o neoclássico e o georgiano. A assimetria é comum no vitoriano, no Art Nouveau e na arquitetura contemporânea.
  2. Ornamento: muito ornamento sugere barroco, eclético ou Art Nouveau; ornamento geométrico e escalonado, Art Déco; ausência de ornamento, modernismo, brutalismo ou minimalismo.
  3. Forma dos arcos e janelas: arco pontudo é sinal gótico ou neogótico; arco redondo e colunas, clássico; janelas em faixa horizontal, modernismo.
  4. Material aparente: concreto bruto à mostra indica brutalismo; madeira, barro ou pedra local em técnica tradicional, arquitetura vernacular.
  5. Data da construção: a matrícula e o cadastro da prefeitura costumam registrar o ano da obra ou da averbação, o que ajuda a situar o imóvel no tempo.

Reformas mudam fachadas. Uma casa antiga pode ter recebido esquadrias novas, e um prédio moderno pode ter ganhado revestimento que esconde o desenho original. Na dúvida, fotos antigas e a planta aprovada na prefeitura ajudam a reconstituir o projeto.

Clássico: Grécia e Roma

A arquitetura clássica é a dos templos gregos e dos edifícios romanos, e continua sendo a referência mais copiada da história. Os gregos organizaram o edifício em torno das ordens, sistemas de proporção que definem coluna, base, capitel e entablamento: dórica, a mais simples; jônica, com volutas no capitel; e coríntia, com folhas de acanto. O Partenon, em Atenas, começou a ser erguido em 447 a.C., com projeto de Ictinos e Calícrates e esculturas supervisionadas por Fídias.

Os romanos herdaram as ordens e acrescentaram o arco, a abóbada e a cúpula, que permitiram cobrir grandes espaços. Esse vocabulário de colunas, frontões triangulares e simetria voltou várias vezes: no Renascimento, no neoclássico e no ecletismo. Quando uma fachada brasileira do século XIX tem colunas e frontão, ela está citando a Antiguidade.

Gótico

O gótico é o estilo das catedrais medievais europeias. Seu marco inicial costuma ser a reconstrução da Abadia de Saint-Denis, perto de Paris, conduzida pelo abade Suger e dedicada em 1144. A novidade estava na estrutura: o arco ogival, pontudo, e a abóbada de cruzaria concentram o peso em pontos específicos, e os arcobotantes, apoios externos em arco, transferem esse esforço para contrafortes do lado de fora. Com as paredes aliviadas, elas puderam ser rasgadas por vitrais e rosáceas.

O resultado são igrejas muito altas e iluminadas, como Notre-Dame de Paris e a Catedral de Chartres. O Brasil não teve gótico medieval, mas conheceu o neogótico, a retomada do estilo que marcou o século XIX na Europa e aparece em igrejas e capelas brasileiras. A evolução dos templos, da basílica ao contemporâneo, é o tema do texto sobre arquitetura de igrejas.

Barroco

Nascido na Roma do final do século XVI, o barroco predominou na Europa até meados do século XVIII. É uma arquitetura de movimento: fachadas que se curvam, contrastes fortes de luz e sombra, tetos pintados que parecem se abrir para o céu e interiores em que talha, pintura e escultura formam um só conjunto. A intenção era emocionar o fiel e impressionar o visitante.

No Brasil, o estilo chegou com os portugueses e ganhou feição própria no século XVIII, sobretudo em Minas Gerais, com a riqueza do ouro. Dois conjuntos mineiros foram inscritos pela Unesco como Patrimônio Mundial: o centro histórico ouro-pretano e o santuário do Bom Jesus, em Congonhas, com os profetas esculpidos por Aleijadinho em pedra-sabão. A história, as fases e as obras principais estão no guia de arquitetura barroca.

Fachada da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, com duas torres cilíndricas
Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto (MG), projeto de Aleijadinho iniciado em 1766: um dos marcos do barroco mineiro.

Neoclássico e eclético

O neoclássico apareceu na segunda metade do século XVIII como reação ao excesso decorativo do barroco e do rococó. Ele volta à Antiguidade com disciplina: fachadas simétricas, colunas, frontões, cores claras e ornamento contido. No Brasil, o estilo ganhou força depois da chegada ao Rio de Janeiro, em março de 1816, da Missão Artística Francesa, grupo de artistas que incluía o arquiteto Auguste-Henri-Victor Grandjean de Montigny. Um dos primeiros exemplos no país é a atual Casa França-Brasil, projetada por ele para a Praça do Comércio e inaugurada em 1820.

O ecletismo veio em seguida, a partir da segunda metade do século XIX, e fez da mistura um programa: o mesmo edifício combina elementos renascentistas, barrocos, clássicos e, às vezes, Art Nouveau. É o estilo de muitos teatros, bancos, estações e palacetes brasileiros da virada para o século XX. O Theatro Municipal do Rio de Janeiro, inaugurado em 1909 na então Avenida Central, e o Theatro Municipal de São Paulo, de 1911, projetado por Ramos de Azevedo, Claudio Rossi e Domiziano Rossi com inspiração na Ópera de Paris, são os exemplos mais visitados.

Georgiano, vitoriano e eduardiano

Esses três estilos britânicos levam o nome dos monarcas do período. O georgiano, de 1714 a 1830, é sóbrio e simétrico, com tijolo e janelas de guilhotina alinhadas. O vitoriano, de 1837 a 1901, abraça a variedade: fachadas assimétricas, janelas salientes, tijolos de cores diferentes e muita inspiração neogótica. O eduardiano, do começo do século XX, simplifica a decoração e abre casas mais largas e claras.

Eles interessam ao leitor brasileiro porque aparecem em bairros históricos de cidades inglesas, irlandesas e americanas, e porque inspiraram casas de influência inglesa no Brasil. Como diferenciar os três pela fachada é o assunto do guia de arquitetura vitoriana, que também trata da georgiana e da eduardiana.

Desenho de três fachadas lado a lado: georgiana simétrica, vitoriana com sacada e empena, eduardiana mais larga
Esquema comparativo das fachadas georgiana, vitoriana e eduardiana: da simetria clássica à casa mais larga e iluminada do começo do século XX.

Art Nouveau e Art Déco

O Art Nouveau teve seu auge europeu nas duas décadas que antecederam a guerra de 1914. Foi uma tentativa de criar um estilo novo, sem copiar o passado, com curvas tiradas da natureza, ferro trabalhado como se fosse caule e vitrais coloridos. Victor Horta, em Bruxelas, Hector Guimard, em Paris, e Antoni Gaudí, em Barcelona, estão entre os nomes centrais. Por aqui, o marco inicial costuma ser a Vila Penteado, casa paulistana de 1902.

O Art Déco trocou a curva pela geometria nos anos 1920 e 1930: linhas retas, volumes escalonados, ziguezagues, simetria e materiais polidos. A exposição de artes decorativas de Paris, em 1925, consagrou o estilo, e o Edifício Chrysler, em Nova York, virou seu símbolo. O Rio de Janeiro guarda uma das maiores coleções de prédios Art Déco do continente, e Goiânia tem um conjunto do estilo protegido por tombamento. O guia de Art Nouveau mostra as diferenças entre os dois estilos e o Arts and Crafts britânico.

Fachada ondulada da Casa Batlló vista de baixo, com varandas curvas e janelas de formas orgânicas
Casa Batlló, em Barcelona, reformada por Antoni Gaudí a partir de 1904: a fachada ondulada é um dos exemplos mais conhecidos do Art Nouveau.
Hotéis brancos e amarelos de Miami Beach com letreiro vertical e cúpula, sob céu azul
Hotéis de Miami Beach, nos Estados Unidos: letreiros verticais, volumes escalonados e cores claras marcam o Art Déco.

Modernismo

A arquitetura moderna rompeu com a ideia de estilo como decoração. Para os modernistas, a forma deveria nascer da função, da estrutura e dos materiais industriais, como o concreto armado, o aço e o vidro. A escola Bauhaus, fundada por Walter Gropius na Alemanha em 1919, e a obra de Le Corbusier, cuja Villa Savoye, perto de Paris, foi construída entre 1928 e 1931, espalharam os princípios do movimento: pilotis que liberam o térreo, planta livre, janelas em faixa e fachadas sem ornamento.

O Brasil teve papel de destaque nessa história. A antiga sede do ministério da Educação e Saúde Pública, no centro carioca, hoje Palácio Gustavo Capanema, foi projetado por uma equipe liderada por Lucio Costa, com consultoria de Le Corbusier, e construído entre 1937 e 1945. Oscar Niemeyer, que fazia parte da equipe, introduziu a curva na arquitetura moderna no Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, reconhecido como Patrimônio Mundial em 2016. Brasília, com plano de Lucio Costa e edifícios de Niemeyer, entrou na mesma lista em 1987. Vida e obra do arquiteto carioca são contadas na biografia de Oscar Niemeyer.

Vista do alto do Congresso Nacional: duas torres no centro, a cúpula menor à esquerda e a cúpula invertida, maior, à direita, com o lago Paranoá ao fundo
Congresso Nacional, em Brasília, de Oscar Niemeyer: a cúpula voltada para baixo abriga o Senado, e a voltada para cima, a Câmara. Foto: Agência Senado (CC BY 2.0).

Brutalismo

O brutalismo é uma vertente do modernismo que surgiu na Grã-Bretanha nos anos 1950 e se espalhou até o fim da década de 1970. Sua marca é o concreto aparente, sem reboco nem pintura, muitas vezes com a textura das fôrmas de madeira, somado a volumes pesados e estrutura exposta. O nome foi popularizado pelo crítico Reyner Banham e se liga à expressão francesa béton brut, concreto bruto.

Em São Paulo, a chamada escola paulista adaptou o brutalismo ao clima e à cidade, com vãos amplos sob os edifícios e áreas abertas a quem passa. Vilanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha e Lina Bo Bardi são os nomes de referência, e o Museu de Arte de São Paulo (MASP), de Lina, é a obra mais conhecida. Depois de décadas de rejeição, muitos prédios do estilo passaram a ser protegidos como patrimônio. Características, obras e cuidados com o concreto estão no guia de brutalismo.

MASP visto da Avenida Paulista: bloco de concreto e vidro suspenso por dois pórticos vermelhos sobre o vão livre
MASP, de Lina Bo Bardi, em São Paulo: o bloco apoiado em quatro pilares deixa um vão livre de 74 metros. Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0).

Minimalismo

O minimalismo leva ao limite a redução do projeto ao essencial: poucas formas, geometria simples, paleta curta de cores e materiais e nenhum ornamento sem função. A ideia vem da recusa do ornamento defendida no começo do século XX por Adolf Loos e pelos modernistas, e o nome surgiu nas artes visuais dos anos 1960. A frase "menos é mais", popularizada por Mies van der Rohe, virou o lema do estilo.

Diferente do brutalismo, que exibe a estrutura pesada, o minimalismo busca superfícies contínuas, juntas escondidas e muita luz. No Brasil, casas do Studio MK27, de Marcio Kogan, estão entre os exemplos citados. Como aplicar o estilo em casas e interiores é o tema do guia de arquitetura minimalista.

Casa com volume superior revestido de ripas de madeira sobre térreo de vidro, piscina e muro de pedra
Casa dos Ipês, em São Paulo, de Marcio Kogan / Studio MK27 (2011): volumes simples, madeira e vidro.

Arquitetura vernacular

A arquitetura vernacular não é um estilo de época, e sim um modo de construir: o saber de uma comunidade, passado entre gerações, que usa os materiais da região e responde ao clima sem depender de um arquiteto formado. Casas de barro, de pedra, de madeira ou de palha, em qualquer continente, entram nessa categoria. O Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) aprovou em 1999 uma carta dedicada a proteger esse patrimônio.

Entre os exemplos brasileiros estão o pau a pique, comum em casas rurais, as paredes de taipa de pilão paulistas, as palafitas amazônicas e as habitações dos povos indígenas. No Sul, os colonos alemães ergueram casas em enxaimel, técnica em que o esqueleto de madeira fica à vista na fachada e os vãos entre as peças recebem tijolo ou barro. Técnicas, exemplos pelo mundo e o uso dessas soluções hoje estão no guia de arquitetura vernacular.

Casa rural de pau a pique com paredes de barro sobre trama de madeira e telhado de palha
Pau a pique: trama de madeira preenchida com barro e cobertura de palha, uma das técnicas vernaculares mais difundidas no interior do Brasil.

Arquitetura contemporânea

Contemporânea é a arquitetura produzida nas últimas décadas e nos dias de hoje. Ela não tem uma regra única de forma: convivem projetos de linhas retas herdados do modernismo, edifícios de formas livres desenhados com apoio de computador e obras que reinterpretam técnicas locais. O que une boa parte da produção atual são as preocupações com eficiência energética, conforto térmico, luz natural, reaproveitamento de edifícios existentes e escolha de materiais com menor impacto.

No Brasil, o Museu do Amanhã, projetado pelo espanhol Santiago Calatrava e inaugurado em dezembro de 2015 na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, é um dos exemplos mais fotografados. Práticas para a casa estão no texto sobre arquitetura sustentável, e a adaptação de prédios antigos a usos novos, no guia de retrofit. Os arquitetos premiados das últimas décadas aparecem na lista do Prêmio Pritzker.

Quadro comparativo dos estilos

Principais estilos arquitetônicos: época, traços e exemplos
EstiloÉpoca aproximadaTraços que ajudam a reconhecerExemplo no Brasil ou no exterior
ClássicoAntiguidade grega e romanaColunas das ordens dórica, jônica e coríntia, frontão, simetria, arco e cúpula romanosPartenon, Atenas
GóticoSéculos XII a XVI, na EuropaArco ogival, arcobotantes, vitrais, rosáceas e verticalidadeAbadia de Saint-Denis e Notre-Dame, França
BarrocoFim do século XVI a meados do XVIII (no Brasil, sobretudo no XVIII)Curvas, contraste de luz, talha dourada, integração das artesIgreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto (MG)
NeoclássicoSegunda metade do século XVIII ao XIXSimetria, colunas e frontões, ornamento contidoCasa França-Brasil, Rio de Janeiro
EcléticoSegunda metade do século XIX ao começo do XXMistura de estilos históricos na mesma fachadaTheatro Municipal do Rio (1909) e de São Paulo (1911)
Georgiano, vitoriano e eduardiano1714 a 1914, no Reino UnidoSimetria georgiana; assimetria e neogótico vitorianos; casas eduardianas mais largasBairros históricos britânicos
Art NouveauDécada de 1890 à Primeira GuerraCurvas inspiradas na natureza, ferro trabalhado, vitraisVila Penteado, São Paulo (1902)
Art DécoDécadas de 1920 e 1930Geometria, volumes escalonados, ziguezague, simetriaConjunto Art Déco do Rio de Janeiro e de Goiânia
ModernismoA partir da década de 1920Pilotis, planta livre, janelas em faixa, nenhum ornamentoPalácio Capanema (Rio), Pampulha (BH), Brasília
BrutalismoDécadas de 1950 a 1970Concreto aparente, estrutura exposta, volumes pesadosMASP, São Paulo
MinimalismoDa década de 1960 aos dias de hojeGeometria simples, poucas cores, superfícies contínuasCasa dos Ipês, São Paulo
VernacularTodas as épocasMateriais locais e técnicas tradicionais adaptadas ao climaEnxaimel em Santa Catarina, pau a pique, palafitas
ContemporâneoÚltimas décadas até hojeLiberdade formal, eficiência energética, novos materiaisMuseu do Amanhã, Rio de Janeiro (2015)

O estilo influencia o valor do imóvel?

Pode influenciar, mas raramente sozinho. Quem avalia olha o conjunto: localização, área, padrão de acabamento, idade, estado de conservação e situação documental. Um estilo reconhecido, como uma casa modernista bem preservada ou um sobrado eclético restaurado, pode atrair compradores dispostos a pagar mais por ela. O mesmo estilo, num imóvel malconservado, pode significar reforma cara e demorada. Os fatores que o avaliador considera estão no guia de avaliação de imóveis.

O tombamento é o ponto que mais muda a conta. Um imóvel protegido por lei não pode ser alterado livremente, e qualquer intervenção depende de autorização do órgão de patrimônio. No âmbito federal, a regra está no decreto-lei que organizou a proteção do patrimônio histórico:

“As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum ser destruidas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cincoenta por cento do dano causado.” (Decreto-Lei 25/1937, art. 17)

Na prática, a proteção preserva o caráter do imóvel e do entorno, mas limita reformas, ampliações e demolição, o que interessa a quem pensa em comprar para reformar ou incorporar. As regras para intervir em bens protegidos estão explicadas no guia de restauração do patrimônio histórico, e a relação entre projeto e preço é discutida no texto sobre arquitetura imobiliária.

Perguntas frequentes

Quais são os principais estilos arquitetônicos?

Os mais citados são o clássico, o gótico, o barroco, o neoclássico, o eclético, o georgiano, o vitoriano, o eduardiano, o Art Nouveau, o Art Déco, o modernismo, o brutalismo, o minimalismo e o contemporâneo. A arquitetura vernacular também costuma entrar nas listas, embora seja um modo de construir, e não um estilo de época.

Qual é a diferença entre estilo arquitetônico e estilo de decoração?

O estilo arquitetônico está na construção: estrutura, fachada, telhado, aberturas e distribuição dos espaços. O estilo de decoração trata de móveis, cores, objetos e revestimentos internos. Uma casa modernista pode ter decoração rústica, e um apartamento de prédio eclético pode ter interiores minimalistas.

Quais estilos arquitetônicos existem no Brasil?

O barroco colonial, sobretudo em Minas Gerais, o neoclássico ligado à Missão Artística Francesa, o eclético das capitais na virada do século XX, o Art Nouveau e o Art Déco, o modernismo de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, o brutalismo da escola paulista, o minimalismo e a produção contemporânea. A arquitetura vernacular aparece em todo o país, das ocas indígenas às casas de enxaimel do Sul.

Qual é o estilo arquitetônico mais antigo?

Entre os estilos que costumam aparecer nas listas, o clássico, da Grécia e de Roma antigas, é o mais antigo. As técnicas vernaculares, porém, são ainda mais antigas, porque acompanham as comunidades humanas desde muito antes dos templos gregos.

Como saber o estilo da minha casa?

Observe a simetria da fachada, a quantidade e o tipo de ornamento, o formato de arcos e janelas e os materiais aparentes, e compare com o quadro deste guia. A data da construção, que costuma constar na matrícula ou no cadastro da prefeitura, ajuda a confirmar. Reformas podem ter mudado a fachada original.

Qual a diferença entre arquitetura moderna e contemporânea?

Moderna é a arquitetura do movimento que começou na década de 1920, com princípios definidos, como a planta livre, os pilotis e a ausência de ornamento. Contemporânea é a produzida nas últimas décadas e hoje, sem um conjunto único de regras formais e com atenção maior a energia, conforto e materiais.

Imóvel de estilo histórico vale mais?

Depende da conservação, da localização e da existência de tombamento. Um imóvel bem preservado de um estilo procurado pode ter mais demanda; um imóvel tombado tem limites para reforma que precisam entrar na conta de quem compra.

Conclusão

Conhecer os estilos arquitetônicos ajuda a ler a cidade: uma rua com um sobrado eclético, um prédio Art Déco e uma casa modernista conta, em poucos metros, mais de um século de história. Na compra, na venda ou numa herança, esse olhar também tem efeito prático, porque o estilo se liga à idade da construção, ao padrão dos materiais, ao estado de conservação e, às vezes, a regras de proteção.

Quando a pergunta é quanto vale uma casa de época, um apartamento em prédio modernista ou um imóvel tombado, a Valen Brasil faz a avaliação com arquitetos que conhecem a história da construção e o mercado de Itajaí, Balneário Camboriú, Blumenau e de outras cidades catarinenses.

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