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Investimento Imobiliário

Prédios mais altos do Brasil: ranking atualizado, torres em obra e comparação mundial

Editora Valen •
Vista aérea noturna da orla de Balneário Camboriú com dezenas de arranha-céus iluminados ao longo da praia e morros ao fundo
Balneário Camboriú tem a maior concentração de edifícios acima de 150 metros da América do Sul, segundo o CVU.

Ranking dos edifícios mais altos do Brasil com dados do CVU (set./2026): concluídos, em obra e propostos, por que Balneário Camboriú lidera e como ler rankings.

Os prédios mais altos do Brasil ficam hoje em Balneário Camboriú, cidade do litoral norte catarinense. As duas torres do Yachthouse by Pininfarina, com 294 metros, lideram a lista dos edifícios concluídos, seguidas pelo One Tower, com 290 metros. Quando o critério inclui torres em obras, a Senna Tower, também em Balneário Camboriú, aparece no topo com 544 metros no cadastro internacional, e seria o primeiro arranha-céu do país acima de 300 metros.

Este levantamento é editorial e usa dados públicos: a Valen Brasil não tem parceria com as incorporadoras dos edifícios citados nem recebe por mencioná-los. Os números de altura, andares, situação da obra e ano de conclusão vêm do The Skyscraper Center, banco de dados do Council on Vertical Urbanism (CVU, antigo CTBUH), consultado em 27 de setembro de 2026, salvo quando indicada outra fonte. Rankings de arranha-céus mudam a cada entrega, e por isso a data da consulta importa.

Pontos principais

  • O Brasil tem 81 edifícios concluídos com 150 metros ou mais no cadastro do CVU; 32 deles ficam em Balneário Camboriú, 22 em São Paulo e 9 em Goiânia.
  • Os seis prédios concluídos acima de 200 metros no país estão todos em Balneário Camboriú: as duas torres do Yachthouse, o One Tower, o Boreal Tower, o Infinity Coast e o Vitra by Pininfarina.
  • Oito dos dez edifícios concluídos mais altos do Brasil estão na cidade.
  • O país ainda não tem um arranha-céu concluído acima de 300 metros; a Senna Tower, em obras, é o único projeto brasileiro nessa faixa já em construção.
  • O mais alto da América do Sul continua sendo a Torre Costanera, em Santiago, com 300 metros; Balneário Camboriú lidera o continente em número de prédios acima de 150 metros.

Como se mede um arranha-céu

Não existe uma lei que diga, no Brasil, a partir de que altura um prédio vira arranha-céu. A referência usada no mundo inteiro é o conjunto de critérios do Council on Vertical Urbanism (antigo CTBUH), que mantém o The Skyscraper Center e arbitra títulos como "prédio mais alto do mundo".

Altura arquitetônica, altura até o topo e altura ocupada

O CVU mede os edifícios de três formas:

  • Altura arquitetônica: do nível da entrada principal de pedestres até o topo arquitetônico do prédio, incluindo pináculos, mas excluindo antenas, mastros, letreiros e equipamentos técnicos. É a medida usada nos rankings oficiais.
  • Altura até o ponto mais alto: inclui qualquer elemento, até mesmo antenas.
  • Altura do último pavimento ocupado: até o piso do andar mais alto em uso.

A diferença explica por que um pináculo pode mudar uma classificação e uma antena não. No caso do Yachthouse, os elementos no topo das torres entram na altura arquitetônica; no One World Trade Center, em Nova York, a antena não entra, e o prédio fica com 541,3 metros oficiais, embora chegue a 546,2 metros no ponto mais alto.

Tall, supertall e megatall

O CVU não fixa uma altura mínima para chamar um prédio de alto, mas indica que edifícios com 14 ou mais andares, ou mais de 50 metros, costumam ser tratados como altos. Dois subgrupos têm limites exatos: supertall é o edifício com 300 metros ou mais, e megatall, com 600 metros ou mais. Nas comparações entre cidades e países, o próprio cadastro usa o corte de 150 metros, e é esse o número que aparece quando se diz que uma cidade tem tantos arranha-céus.

Concluído, em construção e proposto

O status também tem regra. Um edifício só é considerado em construção quando a limpeza do terreno foi concluída e as fundações ou estacas começaram. Antes disso, ele é um projeto proposto, desde que tenha terreno, equipe de projeto, pedido de aprovação e intenção real de construir. Há ainda as situações de obra paralisada, em espera e cancelada. Por isso, listas que misturam torres prontas, torres em obra e projetos anunciados comparam coisas diferentes.

Os prédios concluídos mais altos do Brasil

Edifícios concluídos mais altos do Brasil (altura arquitetônica, cadastro do CVU, set./2026)
PosiçãoEdifícioCidadeAlturaAndaresConclusão
1ºYachthouse by Pininfarina, Torre 2Balneário Camboriú (SC)294,1 m802023
2ºYachthouse by Pininfarina, Torre 1Balneário Camboriú (SC)294,0 m802023
3ºOne TowerBalneário Camboriú (SC)290,0 m702022
4ºBoreal TowerBalneário Camboriú (SC)241,0 m552025
5ºInfinity CoastBalneário Camboriú (SC)234,8 m662019
6ºVitra by PininfarinaBalneário Camboriú (SC)211,5 m622025
7ºÓrion Business & Health ComplexGoiânia (GO)191,5 m—2018
8ºEpic TowerBalneário Camboriú (SC)191,1 m—2020
9ºCopenhagenBalneário Camboriú (SC)190,0 m—2022
10ºTour GeneveJoão Pessoa (PB)182,3 m—2018

Yachthouse by Pininfarina

As duas torres gêmeas do Yachthouse, na Barra Sul de Balneário Camboriú, somam 80 andares cada e foram concluídas em 2023, com obras iniciadas em 2014. O projeto leva a assinatura de design do estúdio italiano Pininfarina, conhecido pelo desenho de automóveis, que também assina outras torres na cidade. A Torre 2, com 294,1 metros, é hoje o edifício mais alto do país, e a Torre 1 fica apenas 11 centímetros abaixo.

As torres superaram o One Tower depois da instalação dos elementos arquitetônicos no topo, o que mostra como a regra de medição pesa no ranking: sem eles, o título continuaria com o vizinho.

Ilustração digital de edifício futurista com formato de iate sobre a água, cercado por torres de vidro
Ilustração artística; a imagem não retrata o Yachthouse nem outro edifício real.

One Tower

Com 290 metros e 70 andares, o One Tower foi concluído em 2022 e, por pouco tempo, foi o prédio mais alto do Brasil. Fica na Avenida Atlântica, de frente para a Praia Central, e marcou a passagem da cidade para a faixa próxima dos 300 metros.

Boreal Tower e Vitra by Pininfarina

Os dois edifícios concluídos em 2025 entraram direto na lista dos seis acima de 200 metros. O Boreal Tower tem 241 metros e 55 andares; o Vitra by Pininfarina, 211,5 metros e 62 andares. Textos antigos ainda descrevem o Boreal como obra em andamento, o que já não corresponde ao cadastro.

Infinity Coast

O Infinity Coast, com 234,8 metros e 66 andares, foi concluído em 2019 e foi, por alguns anos, o mais alto do país. É um exemplo de como o recorde nacional mudou de mãos várias vezes em pouco tempo, sempre dentro da mesma cidade.

Fora de Balneário Camboriú

Os dois únicos prédios do top 10 fora da cidade são o Órion Business & Health Complex, em Goiânia, com 191,5 metros, concluído em 2018, e o Tour Geneve, em João Pessoa, com 182,3 metros, também de 2018. Goiânia é a terceira cidade do país em número de edifícios acima de 150 metros, com nove, e João Pessoa tem quatro.

Torres em construção e projetos anunciados

A lista muda bastante quando entram as obras e os projetos. A tabela abaixo separa o que já está em construção do que ainda é proposta, segundo os critérios do CVU.

Maiores torres em obra e em projeto no Brasil (cadastro do CVU, set./2026)
EdifícioCidadeAltura previstaSituação
Senna TowerBalneário Camboriú (SC)544 mEm construção (obra iniciada em 2025)
FG TowerBalneário Camboriú (SC)350 mProposta
The TowerBalneário Camboriú (SC)340 mProposta
Marambaia TowerBalneário Camboriú (SC)300 mProposta
Armani/Casa ResidencesBalneário Camboriú (SC)270 mProposta
Charles II Yacht Royal HomeItapema (SC)252 mProposta
Niraj Tower 1 e 2Rondonópolis (MT)250,5 m cadaProposta
Titanium TowerBalneário Camboriú (SC)240 mEm construção
SwedenItapema (SC)220 mEm construção
Sapphire TowerBalneário Camboriú (SC)216 mEm construção

O que chama a atenção é a distância entre anúncio e obra. The Tower, por exemplo, aparece no cadastro como proposta desde 2013; o Armani/Casa e o Charles II também ainda não passaram para a fase de construção pelos critérios do CVU. Material de lançamento costuma falar em "obra iniciada" quando há só o estande de vendas ou a demolição do que havia no terreno, e isso não conta.

Ilustração de torre envidraçada em construção com duas gruas, operários e veículos na rua em frente
Ilustração artística de uma torre em construção; não retrata um edifício específico.

Senna Tower

A Senna Tower fica na Avenida Atlântica e é um projeto da incorporadora FG, feito em conjunto com a Havan e com a marca que leva o nome do piloto. Os números de altura dependem de quem informa. No material da FG, a torre passa dos 550 metros, com 157 pavimentos; no The Skyscraper Center, que ainda trata o dado como provisório, são 544 metros e 135 pavimentos, com obra começada em 2025. Reportagens citam entrega entre 2033 e 2035.

Se a altura do cadastro se confirmar, a torre será o primeiro supertall do Brasil e o prédio mais alto das Américas, acima dos 541,3 metros do One World Trade Center. O título de "residencial mais alto do mundo" é mais incerto, porque há em Dubai outra torre residencial de altura parecida em obras, o Burj Binghatti Jacob & Co Residences, e a ordem entre as duas só se define com as alturas finais. A análise completa do projeto, com preços divulgados, vendas, engenharia e riscos, está no artigo sobre a Senna Tower.

Ilustração de torre de vidro muito alta e afunilada entre prédios menores e palmeiras, à beira de uma orla
Ilustração artística de uma torre supertall; não é a imagem oficial da Senna Tower.

Prazos longos e o que isso significa para quem compra

Torres dessa altura levam muitos anos para ficar prontas. Na venda na planta, o prazo de entrega vira cláusula de contrato, e a lei limita a tolerância:

“Art. 43-A. A entrega do imóvel em até 180 (cento e oitenta) dias corridos da data estipulada contratualmente como data prevista para conclusão do empreendimento, desde que expressamente pactuado, de forma clara e destacada, não dará causa à resolução do contrato por parte do adquirente nem ensejará o pagamento de qualquer penalidade pelo incorporador.” (Lei 4.591/1964, incluído pela Lei 13.786/2018)

Se o atraso passar disso e o adquirente não tiver contribuído para ele, o § 1º do mesmo artigo autoriza a rescisão, com restituição integral das parcelas e da multa contratual em até 60 dias. E nenhuma unidade pode ser vendida antes que a incorporação esteja registrada no cartório, com todos os documentos exigidos pelo art. 32. Em obras previstas para daqui a oito ou dez anos, ler o contrato e conferir o registro é mais importante do que o folheto.

Balneário Camboriú: a cidade dos arranha-céus

No The Skyscraper Center, a ficha de Balneário Camboriú traz três posições no ranking por quantidade de torres prontas acima de 150 metros: 1ª no país, 1ª no continente e 54ª no planeta. A ficha aponta o Sea's Palace Residence, entregue em 2012, como a torre que inaugurou essa faixa na cidade; desde então, vieram mais de 30.

Os números do cadastro, consultado em setembro de 2026, mostram a escala:

  • 32 edifícios concluídos com 150 metros ou mais, de um total de 81 no país;
  • os seis prédios brasileiros acima de 200 metros;
  • oito dos dez edifícios concluídos mais altos do país;
  • 16 torres acima de 150 metros em construção, em obra paralisada ou em espera.

Textos de alguns anos atrás falavam em 29 prédios acima de 150 metros em Balneário Camboriú e em 61 no Brasil. Os dois números ficaram para trás com as entregas recentes.

Ilustração de orla com arranha-céus de vidro e concreto junto a uma praia de areia clara e mar azul
Ilustração artística de uma orla com arranha-céus; não retrata Balneário Camboriú.

Por que a verticalização se concentrou ali

Alguns fatores explicam a concentração. O município ocupa cerca de 46 quilômetros quadrados, e a área plana disponível para construir, entre a praia e a encosta, é estreita. A procura por apartamentos com vista para o mar, de moradores e de compradores de segunda residência de outros estados e do exterior, sustenta preços por metro quadrado entre os mais altos do país. E a legislação urbanística local permitiu, em certas áreas, aproveitamentos muito acima do padrão das capitais.

Há ainda um efeito de imagem. Depois que as primeiras torres acima de 200 metros ficaram prontas, a própria altura passou a ser argumento de venda, e incorporadoras locais começaram a disputar o recorde seguinte, muitas vezes associando os projetos a marcas internacionais de design, moda ou automóveis. Esse ciclo ajuda a explicar por que tantos projetos acima de 250 metros foram anunciados na mesma cidade em poucos anos, mesmo que parte deles ainda não tenha começado.

O perfil completo da cidade, com população, mercado e regras urbanas, está no guia de Balneário Camboriú.

A regra urbanística por trás da altura

Quanto se pode construir em cada terreno é decisão da lei municipal, e não do incorporador. O Estatuto da Cidade criou o mecanismo que permite construir além do básico mediante pagamento:

“Art. 28. O plano diretor poderá fixar áreas nas quais o direito de construir poderá ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico adotado, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário.” (Lei 10.257/2001)

A outorga onerosa do direito de construir é regulada por lei municipal específica, que define a fórmula de cálculo da cobrança, os casos de isenção e a contrapartida (art. 30). Na prática, a altura de uma torre depende do coeficiente de aproveitamento da zona, dos recuos, da taxa de ocupação e do quanto o incorporador compra de potencial adicional. A conta de quanto um lote permite erguer está explicada no texto sobre potencial construtivo do terreno, e o trâmite na prefeitura, em aprovação de projetos.

O que isso significa para o mercado

Arranha-céu não é sinônimo de valorização garantida. No levantamento de preços de anúncios da Fipe com o portal Zap referente a agosto de 2026, Balneário Camboriú marcou R$ 15.343 por metro quadrado, o terceiro maior entre as cidades acompanhadas, atrás de Vitória e de Itapema; em doze meses, a alta foi de 2,82%, abaixo da média do índice e da inflação do período. Preço alto e crescimento lento podem conviver, e cada torre tem o seu próprio mercado de revenda.

Itapema e o litoral vizinho

A verticalização se espalhou para as cidades ao lado. Em Itapema, o primeiro prédio a chegar aos 150 metros, o Noah, ficou pronto em 2023. O cadastro do CVU registra dez torres acima de 150 metros em construção ou em espera na cidade, entre elas o Sweden, com 220 metros previstos, e o La Rocca, com 201 metros. O Charles II Yacht Royal Home, de 252 metros, aparece como proposta com início previsto para 2026.

Itapema tem outro dado relevante: no mesmo índice e no mesmo mês, a cidade apareceu com R$ 15.403 por metro quadrado, à frente de Balneário Camboriú. O movimento acompanha o que acontece no restante do litoral centro-norte catarinense, tratado no panorama de imóveis em Santa Catarina.

Arranha-céus em outras regiões

São Paulo

São Paulo tem 22 edifícios concluídos acima de 150 metros, o segundo maior número do país, mas nenhum acima de 200 metros. O mais alto da cidade no cadastro é o Platina 220, com 171,7 metros, concluído em 2022, logo acima do Mirante do Vale (Palácio W. Zarzur), de 170 metros, de 1967. A capital paulista tem centenas de prédios entre 100 e 150 metros, mas o zoneamento e o perfil corporativo de boa parte das torres limitaram as alturas.

Rio de Janeiro

No Rio, os edifícios mais altos do cadastro são antigos: o Palácio Duque de Caxias, de 1941, com 171 metros, e o Rio Sul Center, de 1982, com 163,1 metros. A cidade tem três prédios concluídos acima de 150 metros.

Goiânia, João Pessoa e Fortaleza

Goiânia se tornou o terceiro polo do país, com nove prédios acima de 150 metros e o City Park Majestic, de 200 metros, em construção. João Pessoa tem quatro, com o Tour Geneve à frente, e Fortaleza aparece com oito torres acima de 150 metros em construção ou em espera. No Mato Grosso, as Niraj Towers, em Rondonópolis, com 250,5 metros cada, ainda são proposta.

Recordes históricos

Por décadas, os edifícios mais altos do país ficaram entre 160 e 175 metros, quase todos em São Paulo e no Rio. A tabela reúne alguns marcos com as alturas registradas pelo CVU.

Marcos históricos da verticalização brasileira (cadastro do CVU)
EdifícioCidadeAlturaConclusão
Edifício MartinelliSão Paulo105,7 m1929
Palácio Duque de CaxiasRio de Janeiro171,0 m1941
Edifício Altino ArantesSão Paulo161,0 m1947
Edifício ItáliaSão Paulo165,0 m1965
Edifício CopanSão Paulo115,0 m1966
Mirante do Vale (Palácio W. Zarzur)São Paulo170,0 m1967
Millennium PalaceBalneário Camboriú177,3 m2014
Infinity CoastBalneário Camboriú234,8 m2019
One TowerBalneário Camboriú290,0 m2022
Yachthouse by Pininfarina (Torre 2)Balneário Camboriú294,1 m2023

O Edifício Martinelli, de 1929, é lembrado como símbolo dos primeiros arranha-céus brasileiros e continua em uso quase cem anos depois, depois de passar por retrofit, a atualização dos sistemas sem descaracterizar a arquitetura. O Copan, de Oscar Niemeyer, não está entre os mais altos, mas é um dos edifícios mais conhecidos do país pela forma ondulada e pelo tamanho: são mais de mil apartamentos. Nos Estados Unidos, a mesma época produziu os arranha-céus Art Déco, como o Chrysler Building e o Empire State.

A virada veio em 2014, quando o Millennium Palace, em Balneário Camboriú, passou dos 177 metros. Em menos de dez anos, a cidade empurrou o recorde nacional para perto dos 300 metros.

O Brasil em comparação com o mundo

Comparação com edifícios de referência (altura arquitetônica, cadastro do CVU)
EdifícioCidadeAlturaConclusão
Burj KhalifaDubai828,0 m2010
Shanghai TowerXangai632,0 m2015
Makkah Royal Clock TowerMeca601,0 m2012
Senna Tower (em obras)Balneário Camboriú544,0 m—
One World Trade CenterNova York541,3 m2014
Central Park TowerNova York472,4 m2020
432 Park AvenueNova York425,7 m2015
Empire State BuildingNova York381,0 m1931
Torre CostaneraSantiago300,0 m2014
Yachthouse by Pininfarina (Torre 2)Balneário Camboriú294,1 m2023

Os números mostram onde o Brasil está. O prédio mais alto do país tem cerca de um terço da altura do Burj Khalifa, e fica abaixo da Torre Costanera, em Santiago, que segue como a mais alta da América do Sul. O Empire State Building, de 1931, ainda é quase 90 metros mais alto do que qualquer prédio brasileiro concluído.

O salto previsto está na Senna Tower: com 544 metros, ela passaria o One World Trade Center e ficaria abaixo apenas de megatalls como a Makkah Royal Clock Tower e a Shanghai Tower. Enquanto a obra não termina, porém, o Brasil não tem nenhum supertall concluído.

Onde o país se destaca é na concentração de torres residenciais. Em Nova York, os supertalls residenciais da chamada Billionaires' Row, como a Central Park Tower e o 432 Park Avenue, são poucos e muito esbeltos; em Balneário Camboriú, dezenas de torres acima de 150 metros ocupam poucos quilômetros de orla.

Engenharia e segurança

Vento, fundação e conforto

Quanto mais alto o prédio, mais o vento passa a comandar o projeto. Torres altas e esbeltas oscilam, e o desafio é manter essa oscilação dentro de limites que não causem desconforto aos moradores dos últimos andares. Ensaios em túnel de vento, formas que desviam o fluxo de ar e amortecedores de massa sintonizada no topo, grandes pesos que se movem em sentido contrário ao do prédio, fazem parte do repertório. Formas torcidas, como a do Turning Torso, em Malmö, projeto de Santiago Calatrava, também ajudam a quebrar o efeito do vento, além do papel estético. O perfil arredondado do 30 St Mary Axe, em Londres, do escritório de Norman Foster, também foi pensado para suavizar o vento em volta da torre.

Na fundação, o peso de uma torre de 50 ou 80 andares é transmitido ao solo por estacas profundas, que precisam atravessar camadas de areia e argila típicas das planícies litorâneas até encontrar terreno resistente. Elevadores são outro limite: em prédios muito altos, é comum dividir a subida em blocos, com andares de transferência, para evitar cabos longos demais e tempos de espera excessivos.

Segurança contra incêndio

Em Santa Catarina, as medidas de segurança contra incêndio e pânico são dimensionadas a partir de parâmetros fixados pela Lei estadual 16.157/2013, que incluem ocupação, lotação, altura, área construída, carga de incêndio e riscos especiais, e detalhadas nas instruções normativas do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. A altura entra como variável direta, o que coloca as torres de Balneário Camboriú e Itapema na faixa mais exigente: escadas de segurança pressurizadas, compartimentação, chuveiros automáticos, elevadores de emergência e áreas de refúgio.

A mesma lei exige que o projeto e a execução dos sistemas fiquem a cargo de profissional legalmente habilitado, com registro no conselho profissional. Para arquitetos e urbanistas, o registro de responsabilidade técnica segue a Lei 12.378/2010; para engenheiros, a Anotação de Responsabilidade Técnica.

Heliponto

Muitas torres altas anunciam heliponto na cobertura. Helipontos privativos elevados precisam seguir os requisitos da ANAC para projeto e operação, como os do RBAC 155, e dependem de cadastro e autorização para funcionar. Um heliponto previsto em projeto não garante que ele poderá ser usado.

Morar ou investir em um arranha-céu

Comprar uma unidade em uma torre de 200 ou 300 metros tem vantagens e custos próprios.

  • Condomínio: elevadores de alta velocidade, sistemas de incêndio, bombas, geradores e áreas comuns extensas geram taxas condominiais altas, que pesam na rentabilidade de quem aluga e no preço de revenda.
  • Revenda: o público comprador de unidades de alto padrão é restrito, e o tempo de venda tende a ser maior do que o de apartamentos médios. A valorização do imóvel depende do mercado local, e não da altura do prédio.
  • Compra na planta: vale checar se a incorporação está registrada, se a obra tem patrimônio de afetação, qual é o prazo e como funciona a desistência, especialmente em obras de longa duração. O papel de cada empresa no processo está explicado em construtora e incorporadora.
  • Comprador estrangeiro: unidades em condomínio urbano podem ser compradas por estrangeiros sem autorização especial, mesmo perto do mar; as regras estão no guia sobre estrangeiro comprando imóvel no Brasil.
  • Preço justo: o preço do metro quadrado em torres icônicas embute a marca e o projeto. Uma avaliação imobiliária independente compara com vendas reais na região e separa o que é mercado do que é lançamento.

A arquitetura, porém, pesa no preço: fachada, planta, vista e assinatura de projeto influenciam a procura, como mostra o texto sobre o impacto da arquitetura no mercado imobiliário. A Valen Brasil avalia apartamentos em edifícios altos com base em vendas comparáveis, para que o comprador saiba quanto do preço corresponde ao mercado.

Como ler um ranking de prédios altos

Listas de "prédios mais altos" circulam em portais, redes sociais e material de venda, e muitas vezes se contradizem. Alguns cuidados ajudam a separar informação de propaganda:

  • Veja a data. Um ranking de dois anos atrás pode estar desatualizado: entre 2022 e 2025, três torres de Balneário Camboriú entraram na faixa acima de 200 metros.
  • Confira o status. Misturar prédios prontos com torres em obra e projetos anunciados distorce a lista. Um projeto proposto pode mudar de altura, ser adiado ou nunca sair do papel.
  • Confira a medida. Altura arquitetônica, altura até o topo da antena e altura do último andar dão resultados diferentes. Os rankings oficiais usam a arquitetônica.
  • Desconfie de superlativos sem fonte. Expressões como "o maior do mundo" ou "o mais alto das Américas" precisam de um cadastro ou de um órgão de referência por trás. Quando vêm só do material de lançamento, são promessa.
  • Separe número de andares de altura. O pé-direito muda muito entre prédios residenciais e comerciais, e a contagem de andares varia com a inclusão de mezaninos e andares técnicos.

Arranha-céus e a cidade

A concentração de torres muito altas também tem efeitos urbanos que entram no debate de cada revisão de plano diretor. Prédios altos junto à praia projetam sombra sobre a faixa de areia em parte do dia, sobretudo no inverno, quando o sol está mais baixo. A densidade maior aumenta a demanda por água, esgoto, energia e vagas de estacionamento, e pressiona o trânsito em vias que muitas vezes foram traçadas para um bairro de casas. Em contrapartida, a verticalização concentra moradores perto de serviços e pode reduzir a expansão horizontal sobre áreas verdes.

Por isso, a altura permitida não é só uma questão de mercado. Estudos de impacto de vizinhança, contrapartidas pela outorga onerosa e limites de adensamento são os instrumentos que as cidades usam para equilibrar esses efeitos, e acompanhar essas discussões ajuda a entender como cada bairro deve mudar nos próximos anos.

O que esperar nos próximos anos

O cadastro do CVU dá pistas sobre os próximos anos. Há 58 torres brasileiras acima de 150 metros em construção, paralisadas ou em espera, 16 delas em Balneário Camboriú e dez em Itapema. Pelas datas previstas, a Titanium Tower, o Sapphire Tower e o Iconic Tower, todos em Balneário Camboriú e acima de 200 metros, devem ser concluídos por volta de 2027, o que aumentaria a lista dos prédios brasileiros acima de 200 metros.

O primeiro supertall do país, porém, depende da Senna Tower, e os projetos acima de 300 metros anunciados na mesma cidade (FG Tower, The Tower e Marambaia Tower) ainda estão na fase de proposta. Prazos de lançamento, aprovação e obra dessas torres costumam mudar, e o mais seguro é acompanhar o status no cadastro, e não a data do material de venda.

Fora de Santa Catarina, Goiânia, Fortaleza e João Pessoa são as cidades com mais torres altas em andamento. A verticalização, porém, depende de plano diretor, de demanda e de crédito, e nenhuma dessas cidades mostra, por enquanto, a concentração de Balneário Camboriú.

Um ranking concentrado em Balneário Camboriú

O ranking dos prédios mais altos do Brasil é, hoje, praticamente um ranking de Balneário Camboriú: a cidade tem os seis edifícios concluídos acima de 200 metros, oito dos dez mais altos e 32 dos 81 prédios brasileiros com 150 metros ou mais. O Yachthouse, com 294,1 metros, é o mais alto concluído, e a Senna Tower, se chegar aos 544 metros registrados no cadastro, será o primeiro supertall do país e o prédio mais alto das Américas.

Para ler esses rankings com cuidado, vale separar o que está pronto do que está em obra e do que é só projeto, olhar a altura arquitetônica e a data da consulta. E, para quem pensa em comprar em uma dessas torres, lembrar que altura é atributo de arquitetura: o valor do apartamento continua dependendo do mercado, do contrato e dos custos de manter o prédio.

Perguntas frequentes

Qual o prédio mais alto do país hoje?

Entre os concluídos, a Torre 2 do Yachthouse by Pininfarina, em Balneário Camboriú, com 294,1 metros de altura arquitetônica e 80 andares, concluída em 2023. A Torre 1 tem 294,0 metros.

O que é altura arquitetônica?

É a medida usada nos rankings oficiais: vai do nível da entrada principal de pedestres até o topo arquitetônico do edifício, incluindo pináculos e coroamentos que fazem parte do projeto, mas sem contar antenas, mastros, letreiros e equipamentos técnicos. É por isso que um elemento decorativo no topo pode mudar a posição de um prédio e uma antena, não.

Qual cidade brasileira vem depois de Balneário Camboriú?

Em número de edifícios concluídos acima de 150 metros, São Paulo, com 22, e Goiânia, com 9, segundo o cadastro do CVU consultado em setembro de 2026. Em altura, os dois prédios mais altos fora de Balneário Camboriú são o Órion, em Goiânia, e o Tour Geneve, em João Pessoa.

Quantos arranha-céus o Brasil tem?

No cadastro do CVU, consultado em setembro de 2026, são 81 edifícios concluídos com 150 metros ou mais, dos quais 32 em Balneário Camboriú, 22 em São Paulo e 9 em Goiânia.

A Senna Tower já é o prédio mais alto do Brasil?

Ainda não, porque a obra está em andamento. Os 544 metros do cadastro internacional e os mais de 550 metros do material da incorporadora são alturas previstas; a imprensa fala em conclusão entre 2033 e 2035.

Qual é o prédio mais alto da América do Sul?

A Torre Costanera, em Santiago, no Chile, com 300 metros, concluída em 2014. Balneário Camboriú é a cidade sul-americana com mais prédios acima de 150 metros.

O Brasil tem algum supertall?

Ainda não. O CVU chama de supertall a torre que chega a 300 metros, e no Brasil só a Senna Tower, entre os projetos dessa altura, já saiu do papel.

Por que Balneário Camboriú tem tantos prédios altos?

Por uma combinação de território pequeno entre o mar e os morros, procura por imóveis com vista para o mar, preços elevados por metro quadrado e regras urbanísticas que permitiram grandes aproveitamentos em algumas áreas.

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