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Arquitetura

Arquitetura de igrejas: estilos da basílica ao contemporâneo

Editora Valen •
Capela branca de paredes curvas e cobertura escura em forma de casco, no alto de uma colina gramada cercada de árvores
Capela de Notre-Dame-du-Haut, em Ronchamp, na França, de Le Corbusier: marco da arquitetura religiosa moderna.

Guia da arquitetura das igrejas: partes do templo, basílica, românico, gótico, Renascimento, Barroco (no Brasil também), neoclássico, moderno, contemporâneo e as regras do tombamento.

A arquitetura das igrejas acompanha a história do cristianismo e das técnicas de construção: começa na basílica romana adaptada ao culto, passa pelo românico, pelo gótico, pelo Renascimento e pelo Barroco, chega ao neoclassicismo e ao ecletismo e se abre, no século XX, às formas livres do modernismo e da arquitetura contemporânea. Este guia resume cada período com exemplos reconhecidos, mostra como o Brasil entra nessa história e explica a regra que vale hoje para quem reforma, compra ou avalia uma igreja tombada. A mesma sequência, aplicada a casas e prédios civis, aparece no guia de estilos arquitetônicos.

Pontos principais

  • As primeiras igrejas adotaram a planta da basílica romana: uma nave longa que conduz ao altar.
  • O românico usou paredes grossas e arcos plenos; o gótico trocou a parede pela luz, com arcobotantes e vitrais.
  • Renascimento e Barroco trouxeram a proporção clássica, as grandes cúpulas e os efeitos de luz e sombra.
  • No Brasil, o Barroco mineiro, com Aleijadinho, e o modernismo de Niemeyer na Pampulha são patrimônio mundial.
  • Igreja tombada não pode ser reparada nem pintada sem autorização prévia do órgão de patrimônio.

As partes de uma igreja

Antes dos estilos, vale conhecer o vocabulário que aparece em todos eles:

  • Nave: o espaço principal, onde ficam os fiéis. Muitas igrejas têm uma nave central e naves laterais.
  • Transepto: o braço transversal que cruza a nave e dá à planta a forma de cruz.
  • Cruzeiro: o ponto de encontro entre a nave e o transepto, onde muitas vezes se ergue uma torre ou cúpula.
  • Abside: a parte semicircular ou poligonal no fundo, atrás do altar.
  • Capela-mor: a área do altar principal.
  • Batistério: o espaço ou edifício destinado ao batismo.

A planta em cruz latina, com a nave mais longa que o transepto, predominou no Ocidente. A cruz grega, com os quatro braços iguais, e a planta centralizada, circular ou octogonal, aparecem com frequência no Oriente cristão e no Renascimento.

Da basílica romana à Idade Média

As primeiras igrejas cristãs aproveitaram a basílica romana, um edifício civil de planta retangular, dividido em naves por colunas e terminado por uma abside. A arquitetura bizantina acrescentou a cúpula como grande tema. A Basílica de Santa Sofia, do século VI, em Istambul, é o exemplo mais conhecido dessa herança do Oriente cristão. No Ocidente, a capela palatina da Catedral de Aachen, basílica octogonal encimada por cúpula, começou a ser construída por volta de 790, sob Carlos Magno.

Românico

Entre os séculos XI e XII, o românico espalhou igrejas e mosteiros pela Europa. As paredes são grossas, as janelas pequenas, os arcos plenos (em semicírculo) e as abóbadas de berço ou de aresta. O resultado é um espaço sólido e de pouca luz. A Catedral de Speyer, na Alemanha, fundada em 1030 e remodelada no fim do século XI, é considerada uma das maiores igrejas românicas que se conservam.

A catedral gótica

A partir do século XII, o gótico resolveu o problema da luz com engenharia. O arco ogival (quebrado) e a abóbada de nervuras concentram o peso em pontos específicos; os contrafortes e os arcobotantes levam esse peso para fora do edifício. Com isso, as paredes deixam de sustentar a estrutura e podem ser abertas em grandes vitrais coloridos, e as naves ganham altura.

Fachada gótica branca do Duomo de Milão, com dezenas de pináculos e agulhas, vista da praça
Arquitetura gótica: o Duomo de Milão, na Itália, com seus pináculos e agulhas de mármore.

A Catedral de Chartres começou a ser erguida em 1145 e foi reconstruída em cerca de 26 anos depois do incêndio de 1194, conservando vitrais dos séculos XII e XIII. A Catedral de Amiens, uma das maiores igrejas góticas do século XIII, é reconhecida pela coerência da planta e pela elevação interna em três níveis. Em Paris, a Catedral de Notre-Dame e a Sainte-Chapelle fazem parte do trecho das margens do Sena inscrito como patrimônio mundial. Outros exemplos de arquitetura medieval em cidades históricas aparecem no roteiro por Edimburgo, na Escócia.

Renascimento e Barroco

O Renascimento, a partir do século XV, retomou os princípios da arquitetura da Grécia e da Roma antigas: proporção, simetria, ordens clássicas e geometria simples. Em Florença, a Catedral de Santa Maria del Fiore, iniciada no século XIII, ganhou a cúpula de Brunelleschi, marco da engenharia renascentista, e está no centro do conjunto histórico da cidade, que reúne seis séculos de produção artística com nomes como Giotto e Brunelleschi.

Catedral de Florença com a grande cúpula de tijolos vermelhos e o campanário ao lado, sobre os telhados da cidade
Arquitetura renascentista: a Catedral de Santa Maria del Fiore e a cúpula de Brunelleschi, em Florença.

O Barroco, nos séculos XVII e XVIII, buscou emocionar. As plantas ganham curvas e elipses, as fachadas se movimentam, e a luz é usada como efeito dramático sobre talhas, pinturas e esculturas. No Vaticano, a Basílica de São Pedro, erguida sobre o túmulo do apóstolo e citada pela UNESCO como a maior construção religiosa do mundo, reúne o trabalho de Bramante, Rafael, Michelangelo, Bernini e Maderno na Cidade do Vaticano. O estilo é explicado em detalhe no texto sobre arquitetura barroca.

O Barroco no Brasil

O Brasil colonial ergueu algumas das igrejas mais ricas do Barroco e do Rococó, sobretudo em Minas Gerais, no ciclo do ouro. A cidade histórica de Ouro Preto e o santuário de Congonhas, com a igreja do Bom Jesus e sua escadaria, estão na lista do patrimônio mundial. Em Congonhas, a escadaria do santuário recebe os doze profetas esculpidos em pedra-sabão por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, entre 1800 e 1805, e as capelas dos Passos guardam suas esculturas em madeira policromada.

Neoclassicismo e ecletismo

Nos séculos XVIII e XIX, o interesse pelos modelos greco-romanos voltou com o neoclassicismo: frontões, colunatas e cúpulas de desenho rigoroso, em reação aos excessos do Barroco. O Panteão de Paris, projetado por Jacques-Germain Soufflot como igreja de Santa Genoveva, é um exemplo; depois da Revolução Francesa, virou mausoléu de personalidades do país.

Panteão de Paris com o pórtico de colunas coríntias e a grande cúpula, visto de frente
Arquitetura neoclássica: o Panteão de Paris, projetado como igreja e transformado em mausoléu.

No fim do século XIX e no começo do XX, o ecletismo combinou elementos de estilos históricos diferentes num mesmo edifício. Muitas igrejas neogóticas e neorromânicas construídas no Brasil nesse período pertencem a essa corrente. Na Grã-Bretanha do século XIX, o neogótico foi uma das marcas da arquitetura vitoriana.

Modernismo

No século XX, o modernismo abandonou a imitação dos estilos antigos em favor de formas geométricas, novos materiais, como o concreto armado, e do uso da luz e do espaço como elementos espirituais. A Capela de Notre-Dame-du-Haut, em Ronchamp, de Le Corbusier, entrou em 2016 na lista do patrimônio mundial como parte da obra arquitetônica do arquiteto, destacada pela forma como renovou a arquitetura religiosa.

Igreja da Pampulha com as abóbadas onduladas de concreto e o grande painel de azulejos azuis e brancos na fachada
Arquitetura moderna: a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte.

No Brasil, a Igreja de São Francisco de Assis faz parte do Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, projetado por Oscar Niemeyer a partir de 1940 e reconhecido pela UNESCO em 2016 pelas formas que exploram a plasticidade do concreto. Niemeyer também projetou a Catedral Metropolitana de Brasília, inaugurada em 1970, e recebeu o Prêmio Pritzker em 1988.

Arquitetura religiosa contemporânea

Depois do Concílio Vaticano II (1962–1965), a Igreja Católica afirmou que não adota um estilo próprio, o que abriu espaço para experiências muito diferentes entre si. No Japão, Tadao Ando construiu a Igreja sobre a Água, em Tomamu, em 1988, e a Igreja da Luz, em Ibaraki, em 1989, e recebeu o Prêmio Pritzker em 1995. Na Alemanha, Peter Zumthor levantou em 2007 a Capela de Campo Bruder Klaus, em Wachendorf, citada pelo júri do Pritzker de 2009 ao premiar o arquiteto.

Igreja de concreto com fachada curva e janelas em faixas horizontais entre árvores, no alto de um morro perto do mar
Church of Seed, do O Studio Architects, em Huizhou, na China: concreto moldado com textura de bambu.

Na China, a Church of Seed, do O Studio Architects, concluída em 2011 em Huizhou, na província de Guangdong, usa concreto moldado no local com fôrmas de bambu, que deixam a textura marcada nas paredes. Esses e outros projetos recentes, do México a Taiwan, estão reunidos no texto sobre igrejas contemporâneas.

Interior de igreja em concreto com parede curva, cadeiras de madeira e uma cruz de luz recortada na parede do fundo
Interior da Church of Seed: a luz natural entra por uma cruz recortada no concreto.

A igreja tombada e o imóvel

Boa parte desse acervo está protegida por lei. No Brasil, o Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, instituiu o tombamento e é taxativo sobre as intervenções:

"Art. 17. As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum ser destruidas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas, sob pena de multa de cincoenta por cento do dano causado." (Decreto-Lei 25/1937, art. 17, grafia original)

O artigo 18 protege também o entorno: obras vizinhas que tirem ou diminuam a visibilidade do bem, e até anúncios e cartazes, dependem de autorização prévia. E o artigo 19 obriga o proprietário que não tem recursos para conservar o imóvel a comunicar a necessidade das obras ao órgão de patrimônio.

Hoje o papel do antigo serviço é do Iphan, que inscreve os bens em quatro Livros do Tombo: Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico; Histórico; das Belas Artes; e das Artes Aplicadas. A Constituição de 1988, no artigo 216, ampliou os instrumentos de proteção ao prever inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação. Estados e municípios têm seus próprios órgãos e podem tombar bens que não constam da lista federal.

Intervir nesses imóveis é atribuição do arquiteto e urbanista: a Lei 12.378/2010 inclui o patrimônio histórico, cultural e artístico, com restauro, reabilitação, conservação e valorização de edificações, entre os campos de atuação da profissão. Os critérios de intervenção estão no texto sobre restauração do patrimônio histórico.

Perguntas frequentes

Quais são os principais estilos da arquitetura de igrejas?

Paleocristão e bizantino, românico, gótico, renascentista, barroco, neoclássico, eclético, moderno e contemporâneo.

Qual a diferença entre igreja românica e gótica?

A românica tem paredes grossas, arcos plenos e pouca luz. A gótica usa arcos ogivais, abóbadas de nervuras e arcobotantes, o que permite paredes mais finas, grandes vitrais e naves mais altas.

Qual é a maior igreja do mundo?

A UNESCO descreve a Basílica de São Pedro, no Vaticano, como a maior construção religiosa do mundo.

Quais igrejas brasileiras são patrimônio mundial?

Entre outras, as igrejas da cidade histórica de Ouro Preto, o santuário do Bom Jesus em Congonhas e a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte.

Posso reformar uma igreja tombada?

Sim, desde que haja autorização prévia do órgão de patrimônio responsável (federal, estadual ou municipal). Sem ela, nem pintar é permitido.

O que cada período construiu nas igrejas

A arquitetura das igrejas é um resumo da história da construção: cada período respondeu à fé do seu tempo com as técnicas que tinha, da parede grossa românica ao vitral gótico, da cúpula renascentista ao concreto moderno. Para quem lida com esses edifícios hoje, o ponto decisivo não é o estilo, e sim a proteção legal. Para descobrir o valor de mercado de um imóvel tombado ou situado no entorno de um bem protegido, considerando as restrições de uso e de reforma, conte com a Valen Brasil, que faz avaliações imobiliárias levando esses limites em conta.

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