Itapema (SC): praias, bairros, história e mercado imobiliário

Guia de Itapema com praias, bairros oficiais, história, infraestrutura e preço do metro quadrado pelo FipeZAP, com os cuidados para quem vai comprar.
Situada entre Balneário Camboriú, ao norte, e Porto Belo, ao sul, Itapema é uma cidade litorânea catarinense de 58,2 km². O Censo 2022 do IBGE, órgão federal de estatística, contou ali 75.940 moradores, 65,8% a mais que em 2010; a estimativa do instituto para 2026 é de 88.842 habitantes.
O preço médio pedido nos anúncios de venda residencial chegou a R$ 15.403 por metro quadrado em agosto de 2026, o segundo maior valor do país pelo Índice FipeZAP, atrás de Vitória (ES) e à frente da vizinha Balneário Camboriú. Este guia reúne praias, história, bairros, infraestrutura e os números do mercado imobiliário, com a fonte de cada dado. Para ver como Itapema se compara às demais cidades, consulte o ranking nacional de preço do metro quadrado.
Itapema faz parte de um corredor litorâneo que inclui Balneário Camboriú, Itajaí, Porto Belo e Bombinhas. Quem pesquisa a cidade para morar ou investir costuma comparar essas opções, e por isso o texto traz, sempre que possível, os dados das vizinhas lado a lado.

Pontos principais
- A população cresceu 65,8% entre os Censos de 2010 e 2022, e o IBGE estima mais 17% de 2022 a 2026. O crescimento pressiona serviços, trânsito e oferta de moradia.
- O preço anunciado do metro quadrado subiu 19,52% em 2023, 9,92% em 2024 e 9,97% em 2025, sempre acima da inflação, mas desacelerou em 2026: +4,85% nos 12 meses até agosto, praticamente o mesmo que o IPCA.
- A cidade tem 12 bairros oficiais e um Plano Diretor revisado no fim de 2024, com novas alterações em discussão em 2025. O zoneamento define o que pode ser construído em cada lote.
- Na orla, alguns lotes estão em área que pertence à União (terreno de marinha); isso gera cobranças anuais e deve ser checado na matrícula antes da compra.
- Obras e atrações recentes, como o Píer OPorto, inaugurado em dezembro de 2025, mudaram a orla da Meia Praia.
Itapema em números
| Indicador | Valor | Fonte e data |
|---|---|---|
| População no Censo 2010 | 45.797 habitantes | IBGE |
| População no Censo 2022 | 75.940 habitantes | IBGE |
| População estimada | 88.842 habitantes | IBGE, estimativa para 2026 |
| Área territorial | 58,21 km² | IBGE, 2025 |
| Bairros oficiais | 12 | Câmara Municipal de Itapema |
| Preço médio anunciado do m² residencial | R$ 15.403 | Índice FipeZAP, agosto de 2026 |
| Variação do preço em 12 meses | +4,85% | Índice FipeZAP, agosto de 2026 |
| Posição no ranking de preço | 2º entre 56 cidades | Índice FipeZAP, agosto de 2026 |
A diferença entre a área do IBGE (58,21 km²) e a informada pela Câmara (59 km²) vem de arredondamento e de revisões de limites; para fins de planejamento, os dois números indicam um município pequeno, com a maior parte da ocupação espremida entre a BR-101 e o mar.
O que é Itapema
Itapema fica no litoral centro-norte catarinense, na baía de Porto Belo. Pelos dados da Câmara Municipal, o município faz divisa com Balneário Camboriú ao norte, Porto Belo ao sul, Camboriú a oeste e o oceano Atlântico a leste, é atravessado pela BR-101 de norte a sul e integra a Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (AMFRI). Pelas distâncias informadas no site da prefeitura, Balneário Camboriú fica a cerca de 12 km e Florianópolis a cerca de 60 km, e a prefeitura apresenta a cidade como o terceiro município que mais recebe turistas no estado, informação que a própria prefeitura divulga sem indicar a pesquisa de origem.
A economia gira em torno do turismo de verão, da construção civil e do comércio e serviços que atendem moradores e visitantes. A prefeitura apresenta Itapema como a cidade que mais cresce em Santa Catarina, e os dados do IBGE confirmam um crescimento forte: entre 2010 e 2022, Itapema passou de 45.797 para 75.940 moradores, segundo o IBGE. A chegada de novos moradores, muitos de outras regiões do país, e a procura por segunda residência explicam boa parte da expansão imobiliária das últimas duas décadas.
Nos últimos anos, a cidade recebeu obras públicas e privadas na orla, como o Parque Calçadão da Meia Praia e o Píer OPorto. Anúncios de investimentos futuros, porém, circulam com valores em dólar que não têm fonte oficial conhecida; por isso, este guia trata apenas do que já está em operação ou foi publicado por órgão público.
História e formação de Itapema
Antes de receber o nome atual, a localidade era conhecida como Tapera, como registram a Câmara Municipal e o próprio hino da cidade. Sobre a origem do nome Itapema, a Câmara cita a versão local de que ele se refere a aves das pedras, por causa dos bandos de aves marinhas que passavam pelos costões entre o Canto da Praia e a Praia Grossa; a ave-símbolo do município é o gavião-tesoura. Outras explicações circulam, e nenhuma é consenso entre as fontes consultadas.
A ocupação por colonos de origem portuguesa, com forte ligação com a cultura açoriana, é o ponto comum das fontes oficiais. As datas, porém, variam: o histórico enviado pela prefeitura ao IBGE em 2009 fala em povoamento iniciado em 1748, com a vinda de 461 imigrantes açorianos, enquanto os textos atuais da Câmara e da prefeitura falam em colonização portuguesa no início do século XIX. A pesca artesanal e a agricultura de subsistência sustentaram a população por muito tempo, e o Canto da Praia é apontado pela prefeitura como o berço da pesca artesanal no município.
Na organização administrativa, a Itapema de hoje foi durante décadas um distrito de Porto Belo. Pelo registro do IBGE, o distrito foi criado pela Lei Municipal 28, de 30 de dezembro de 1904; a Câmara registra ainda que, entre 1923 e 1926, a área esteve anexada ao município de Camboriú. Em 1962, três vereadores de Porto Belo que moravam no distrito apresentaram a Resolução 01/62, pedindo a criação do novo município, aprovada por unanimidade.
A emancipação veio com a Lei Estadual 814, de 28 de fevereiro de 1962, que desmembrou Itapema de Porto Belo; o município foi instalado em 21 de abril de 1962, data considerada a de sua fundação. Até a primeira eleição, a cidade teve um prefeito provisório, Osni dos Santos. O primeiro prefeito eleito foi Olegário Bernardes, que governou de janeiro de 1963 a janeiro de 1969 e dá nome a um colégio da cidade.
Nas últimas décadas, o turismo de praia e a construção de prédios residenciais passaram a mudar a paisagem da orla, processo que se acelerou neste século com a verticalização da Meia Praia.
Principais praias de Itapema
A prefeitura lista seis praias ou trechos de orla no município. Nenhuma pode ser fechada ao público. A garantia vem da lei federal do gerenciamento costeiro, de 1988:
“As praias são bens públicos de uso comum do povo, sendo assegurado, sempre, livre e franco acesso a elas e ao mar, em qualquer direção e sentido, ressalvados os trechos considerados de interesse de segurança nacional ou incluídos em áreas protegidas por legislação específica.” (Lei 7.661/1988, art. 10)
Pelo § 1º do mesmo artigo, nenhum loteamento, prédio ou condomínio de frente para o mar pode bloquear a passagem até a areia.
| Praia | Características informadas |
|---|---|
| Meia Praia | cerca de 5 km, a maior e mais conhecida; Parque Calçadão na orla |
| Praia do Centro | 1,5 km, hotéis, pousadas, restaurantes e bares |
| Praia da Ilhota | reduto gastronômico, resort, mar aberto procurado por surfistas |
| Canto da Praia | berço da pesca artesanal, mar calmo, molhes |
| Costão | trecho de rochedos com vista panorâmica da cidade |
| Praia Grossa | 563 m de areia, praia agreste com acesso por trilha |
Fonte: página de turismo da Prefeitura de Itapema, consultada em setembro de 2026.
Meia Praia
A Meia Praia é a praia mais extensa do município, com cerca de cinco quilômetros segundo a prefeitura, e concentra a maior parte dos prédios altos, hotéis e restaurantes. Ao longo da orla, o Parque Calçadão reúne ciclovia, pista de caminhada, deques e bancos. É também a região mais procurada por quem compra imóvel para temporada.
No trecho da Meia Praia fica o Píer OPorto, inaugurado em 22 de dezembro de 2025. Pela descrição da prefeitura, o espaço tem mais de 18 mil m² com restaurantes, lojas, quiosques, roda-gigante, áreas de convivência e academia voltada para o mar. Versões anteriores deste guia falavam de um píer "futuro" com valores em dólar; esses valores não foram confirmados em fonte oficial e foram retirados.
Praia do Centro
A Praia do Centro tem cerca de 1,5 quilômetro e fica junto ao comércio e aos serviços da área central. A prefeitura destaca a presença de hotéis, pousadas, restaurantes, centro de lazer e bares na orla. É a opção mais prática para quem quer praia e cidade no mesmo trajeto, e costuma ter movimento intenso no verão.
Praia da Ilhota
A Praia da Ilhota é descrita pela prefeitura como um reduto gastronômico, com restaurantes de frutos do mar e um grande resort. O mar vem de mar aberto e atrai surfistas. Para quem procura imóvel, a região oferece um ambiente diferente do da Meia Praia, com orla menos extensa e mais voltada à gastronomia e à hospedagem.

Canto da Praia, Costão e Praia Grossa
O Canto da Praia preserva a tradição da pesca artesanal, com mar calmo, molhes e o arrastão feito por pescadores em algumas épocas do ano. O Costão é um trecho de rochedos de onde se tem uma vista ampla da cidade. A Praia Grossa, com 563 metros de faixa de areia, é agreste e só pode ser alcançada por trilha a pé, o que atrai quem procura surfe e caminhada em meio à mata.
Pontos turísticos já em operação
Além das praias, a prefeitura lista atrações que já estão abertas ao público:
- Mirante do Encanto: estrutura de 26 metros com base a 130 metros acima do nível do mar, elevador panorâmico e vista de 360 graus sobre Itapema, Porto Belo e a Costa Esmeralda.
- Píer OPorto: inaugurado em 22 de dezembro de 2025, com mais de 18 mil m² de restaurantes, lojas e lazer.
- Ponte dos Suspiros: ponte de pedra, em arcos, no encontro do rio Bela Cruz com o mar, usada por pedestres entre dois trechos da orla.
- Parque das Capivaras: área de preservação às margens do rio Perequê, com trilhas e ponte pênsil de onde se observam as capivaras.
- Capela São João Batista: construída em 1946 no Sertão do Trombudo, uma das igrejas mais antigas da cidade.
Esses pontos ajudam a diluir a sazonalidade: dão motivo para visitas fora do verão e movimentam o comércio no restante do ano.
Bairros e regiões de Itapema
Segundo a Câmara Municipal, Itapema tem 12 bairros. Em ordem alfabética: Alto São Bento; Canto da Praia; Casa Branca; Centro; Ilhota; Leopoldo Zarling, onde fica o Loteamento Jardim Praiamar; Meia Praia; Morretes; Sertão do Trombudo; Sertãozinho; Taboleiro dos Oliveiras; e Várzea. Nomes de regiões que aparecem em anúncios imobiliários, como "Andorinha", não constam dessa lista oficial e costumam designar loteamentos ou trechos de bairros; na hora de comprar, vale conferir na matrícula e no cadastro municipal a qual bairro o imóvel pertence.
O que o Plano Diretor define em cada bairro
O que pode ser construído em cada lote, como altura, recuos, taxa de ocupação e usos permitidos, é definido pelo Plano Diretor. Itapema aprovou a revisão do plano no fim de 2024, pela Lei Complementar municipal 143, de 30 de dezembro de 2024, citada em decretos e leis do município publicados no Diário Oficial dos Municípios de Santa Catarina em 2026. A prefeitura promoveu em fevereiro de 2025 uma reunião com profissionais da construção e corretores para explicar as mudanças e, em outubro de 2025, audiências públicas sobre novas alterações no plano.
A lei federal de política urbana (Lei 10.257, de 2001) torna o plano obrigatório para Itapema por dois motivos, a população e o turismo:
“O plano diretor é obrigatório para cidades: I – com mais de vinte mil habitantes; [...] IV – integrantes de áreas de especial interesse turístico;” (Lei 10.257/2001, art. 41)
Antes de comprar terreno ou imóvel na planta, peça a consulta de viabilidade ou a certidão de uso do solo na prefeitura. É esse documento que diz, para o lote específico, qual gabarito e quais usos são permitidos, e se a vizinhança pode receber prédios altos no futuro.
Meia Praia
É o bairro mais verticalizado da cidade, com torres na primeira quadra da praia e muitos apartamentos destinados à temporada. É ali que se vê a maior parte dos lançamentos de alto padrão, e os anúncios de frente para o mar estão entre os mais caros da cidade. A contrapartida é o movimento intenso no verão e a sombra dos prédios sobre parte da areia em alguns horários. O primeiro prédio de 150 metros da cidade ficou pronto em 2023, e há outras torres acima de 150 metros em obra ou em espera.
Centro
O Centro reúne comércio, bancos, serviços de saúde e escolas, além da Praia do Centro. Para quem mora o ano inteiro, a proximidade dos serviços pesa tanto quanto a praia. A oferta mistura prédios antigos, de menor altura, e edifícios novos, o que pode gerar diferença grande de preço entre imóveis na mesma rua.
Morretes e outros bairros residenciais
Morretes, Casa Branca, Várzea, Taboleiro dos Oliveiras e os demais bairros mais afastados da orla têm perfil mais residencial, com casas e prédios de menor porte. Costumam atrair famílias que moram na cidade o ano todo e quem procura imóvel de preço mais baixo que o da orla. Como não há índice público de preço por bairro, a comparação precisa ser feita com anúncios e vendas recentes de imóveis semelhantes.
Mercado imobiliário em Itapema
Itapema está há vários anos entre as cidades com o metro quadrado mais caro do país no Índice FipeZAP de Venda Residencial, que a Fipe, fundação de pesquisa econômica ligada à USP, calcula a partir de anúncios publicados no Zap, no Viva Real e na OLX. Nos informes de 2025, a cidade aparece em segundo lugar, atrás de Balneário Camboriú; liderou o índice em maio e junho de 2026 e voltou ao segundo lugar em julho, quando Vitória (ES) passou à frente. A metodologia está no site da Fipe.
| Período | Preço médio no fim do período | Variação do preço | IPCA no período | Variação real aproximada |
|---|---|---|---|---|
| 2023 | R$ 12.498 | +19,52% | 4,62% | +14,2% |
| 2024 | R$ 13.721 | +9,92% | 4,83% | +4,9% |
| 2025 | R$ 14.843 | +9,97% | 4,26% | +5,5% |
| 12 meses até agosto de 2026 | R$ 15.403 | +4,85% | 4,22% | +0,6% |
Fontes: informes FipeZAP de venda residencial de dezembro de 2023, dezembro de 2024, dezembro de 2025 e agosto de 2026; IPCA do IBGE (Sidra). A variação real é (1 + variação do preço) ÷ (1 + IPCA) − 1; em 2023, por exemplo, 1,1952 ÷ 1,0462 − 1 = 14,2%.
A tabela mostra uma alta forte e acima da inflação entre 2023 e 2025, seguida de desaceleração em 2026: nos 12 meses até agosto, o ganho real do preço anunciado foi próximo de zero. Em agosto de 2026, o preço ficou praticamente estável em relação a julho. Isso não indica queda, mas sugere que a fase de altas de dois dígitos ficou para trás, pelo menos no agregado da cidade.
Dois cuidados valem para qualquer leitura desses números. O índice usa preço pedido em anúncios, não o valor da escritura, e cobre a cidade inteira, sem distinguir bairros; a Fipe informa que não divulga preço médio por bairro. E a variação de 19,52% de 2023 se refere ao conjunto dos anúncios da cidade, e não apenas aos imóveis de frente para o mar, como às vezes aparece em material de divulgação.

Outro termômetro é o IGMI-R, índice residencial da ABECIP (a associação das entidades de crédito imobiliário e poupança) calculado com o IBRE da Fundação Getulio Vargas a partir de laudos de avaliação de imóveis financiados por bancos. Pela descrição publicada pela ABECIP, a amostra começa em janeiro de 2014 e reúne imóveis de mais de 4 mil municípios, mas os resultados separados são publicados só para o país e para nove capitais. Para Itapema, portanto, o FipeZAP é o índice público disponível, e a melhor referência para um imóvel específico continua sendo a comparação com vendas semelhantes.
Apartamentos
Os apartamentos formam a maior parte da oferta, principalmente na Meia Praia e no Centro. Preço por metro quadrado, número de vagas, andar, vista para o mar, idade do prédio e estrutura de lazer explicam boa parte das diferenças entre unidades. Faixas de preço por número de quartos mudam rápido e dependem muito do recorte do anúncio; por isso, este guia não reproduz tabelas de valores de portais, que ficam desatualizadas em poucos meses.
Uma conta simples ajuda a situar um anúncio. Com a média de R$ 15.403 por metro quadrado de agosto de 2026, um apartamento de 90 m² sairia por cerca de R$ 1,39 milhão (90 × 15.403 = R$ 1.386.270). Se o anúncio pede muito mais ou muito menos, a diferença deve ser explicada por localização, padrão ou estado de conservação. Se não houver explicação, é sinal para investigar melhor antes de negociar. Para comparar, o metro quadrado anunciado de imóveis em Blumenau é pouco mais que a metade desse valor.
Apartamentos de frente para o mar ou a poucos metros da praia costumam custar bem acima da média, também pelo potencial de renda com aluguel por temporada. Esse aluguel tem regra própria na Lei do Inquilinato:
“Considera - se locação para temporada aquela destinada à residência temporária do locatário, para prática de lazer, realização de cursos, tratamento de saúde, feitura de obras em seu imóvel, e outros fatos que decorrem tão-somente de determinado tempo, e contratada por prazo não superior a noventa dias, esteja ou não mobiliado o imóvel.” (Lei 8.245/1991, art. 48)
O artigo seguinte permite ao locador receber de uma vez e antecipadamente os aluguéis e encargos da temporada. Antes de comprar para alugar, confira se a convenção do condomínio permite a locação de curta duração e calcule a renda com ocupação realista, e não com a diária de pico do verão.
Faixa de marinha na orla
Nos imóveis mais próximos do mar, parte do terreno pode ser terreno de marinha. Esses terrenos pertencem à União, e a faixa é medida a partir da posição média da maré alta registrada em 1831, com 33 metros de profundidade em direção à terra, segundo o Decreto-Lei 9.760, de 1946. Quem ocupa não é dono pleno do terreno.
A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) administra essas áreas. Conforme o regime, o ocupante paga todo ano foro ou taxa de ocupação, e a venda do imóvel exige o recolhimento do laudêmio. A situação aparece na matrícula. A certidão pode ser solicitada on-line pelo Registro de Imóveis do Brasil, com validade igual à do documento retirado no cartório.
Casas
As casas se concentram nos bairros mais afastados da orla, como Morretes, Várzea e Casa Branca, e em áreas da Ilhota. Terrenos maiores permitem área de lazer, jardim e garagem para vários carros, itens procurados por famílias que moram na cidade o ano inteiro. Perto do mar, a oferta de casas é pequena diante da de apartamentos, e imóveis de valor alto tendem a ter menos compradores possíveis, o que pode alongar o prazo de venda.
Para quem pensa em construir, o preço do terreno e o custo da obra precisam entrar na mesma conta. O custo básico de construção em Santa Catarina, medido pelo CUB/m², tem artigo próprio: CUB em Santa Catarina, e a compra do lote exige a mesma conferência de zoneamento descrita acima.
O imposto na hora de vender
Na venda, o proprietário pessoa física paga imposto de renda sobre o lucro da operação (o chamado ganho de capital, que é o preço obtido menos o que se pagou pelo imóvel, com os ajustes legais). Desde a Lei 13.259, de 2016, a alíquota cresce por faixa de lucro: 15% nos primeiros R$ 5 milhões; 17,5% na faixa seguinte, até R$ 10 milhões; 20% na faixa que vai daí até R$ 30 milhões; e 22,5% no que exceder esse teto.
Quem vende imóvel residencial e compra outro pode ficar isento, desde que cumpra as condições da Lei 11.196/2005:
“Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País.” (Lei 11.196/2005, art. 39)
A mesma lei diz que, se só parte do dinheiro for reaplicada, o ganho é tributado na proporção do que ficou de fora (§ 2º), e que a mesma pessoa não pode repetir a isenção em intervalo menor que cinco anos (§ 5º). O guia do imposto de renda na venda de imóvel traz exemplos.
Infraestrutura e serviços
A infraestrutura de Itapema cresceu junto com a população, mas nem sempre no mesmo ritmo. Em 2025, a prefeitura iniciou a elaboração de planos estratégicos, como um plano de ação climática e a revisão do Plano de Mobilidade Urbana, com pesquisas feitas com passageiros do transporte coletivo em agosto daquele ano. Esses documentos mostram que trânsito, drenagem e transporte público estão entre os temas que a própria administração considera prioritários.
Transporte
O transporte coletivo municipal liga os bairros ao Centro e à Meia Praia, e linhas intermunicipais conectam Itapema às cidades vizinhas. Horários e itinerários mudam com a temporada; a prefeitura é a fonte para a informação atualizada.
O principal acesso rodoviário é a BR-101, que atravessa o município de norte a sul. O trecho catarinense da rodovia até Palhoça faz parte de uma concessão federal. Pelos dados da ANTT, Agência Nacional de Transportes Terrestres, a concessão Autopista Litoral Sul cobre 405,90 km entre Curitiba e Palhoça, pela BR-116/376 no Paraná e pela BR-101 em Santa Catarina, com contrato de 25 anos assinado em 14 de fevereiro de 2008 e pedágio cobrado desde 22 de fevereiro de 2009.
No verão, o volume de veículos na BR-101 e nas avenidas da orla cresce muito, e os deslocamentos entre Itapema e Balneário Camboriú podem levar bem mais tempo que fora da temporada. Para quem vai trabalhar em outra cidade, esse fator pesa na escolha do bairro.

Turismo e lazer
O turismo movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, comércio e aluguel de imóveis. As atividades náuticas, como vela, stand up paddle e passeios de barco, aproveitam o mar mais calmo de parte da orla, e as trilhas levam a praias agrestes e mirantes.
Eventos e festas ao longo do ano ajudam a atrair visitantes fora do verão. Projetos anunciados, como parques temáticos e novos resorts, só devem ser considerados na decisão de compra quando tiverem licença e obra em andamento; valores de investimento divulgados sem fonte oficial foram retirados desta versão do guia.
Gastronomia e vida noturna
A gastronomia de Itapema tem base nos frutos do mar, herança da pesca artesanal. Peixes, camarões e ostras da região aparecem em pratos típicos do litoral catarinense, e a influência de outras culinárias trazidas por moradores de fora ampliou a oferta. A Praia da Ilhota e o Canto da Praia são conhecidos pelos restaurantes de frutos do mar.
A Meia Praia concentra a maior parte dos bares, quiosques e casas noturnas, com movimento forte no verão e opções durante o ano. O Centro oferece cafés, restaurantes e praças mais voltados ao público local. Para quem compra para morar, a proximidade da vida noturna é vantagem ou incômodo conforme o perfil; vale visitar o imóvel à noite e em fim de semana de temporada antes de decidir.
A oferta de lazer e gastronomia influencia a procura por imóveis nas áreas próximas. Porto Belo, ao sul, também atrai compradores de segunda residência, e o lazer ligado ao golfe na região aparece no artigo sobre clubes de golfe no Brasil.
Um pouco mais ao sul, a península de Bombinhas reúne dezenas de praias e é conhecida pelo mergulho. O mercado imobiliário do município acompanha o de Itapema e Porto Belo: cresce com o turismo e com a procura por imóveis de veraneio ou de moradia permanente perto do mar.
Economia local
A economia de Itapema se apoia no turismo, na construção civil e nos serviços. O turismo alimenta hotelaria, gastronomia, comércio varejista, transporte e entretenimento, com forte concentração no verão.
A construção civil é o outro motor. Os lançamentos residenciais geram emprego para engenheiros, arquitetos e trabalhadores de obra e movimentam o comércio de materiais e acabamentos. Engenheiros e agrônomos são registrados no sistema do Confea, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, e respondem tecnicamente pelas obras. A dependência de um setor tão ligado ao crédito e à demanda de fora, porém, torna a economia sensível a juros altos e a fases de menor procura.
O setor de serviços cresceu junto com a população. Além de bancos, clínicas e escolas, surgiram empresas de administração de imóveis para temporada, de manutenção de condomínios e de consultoria imobiliária, que atendem proprietários que não moram na cidade.
A pesca artesanal ocupa hoje um espaço menor na economia, mas segue viva no Canto da Praia e na cultura local, com o arrastão feito em algumas épocas do ano e o abastecimento de restaurantes com pescado da região.
Vale a pena investir em Itapema?
A resposta depende do preço de entrada, do tipo de imóvel e do prazo do investidor. Alguns fatores jogam a favor da cidade: crescimento populacional forte, orla urbanizada, novas atrações e proximidade de Balneário Camboriú, que tem preços semelhantes. Outros pedem cautela: o preço médio já está entre os mais altos do país, a alta de 2026 praticamente empatou com a inflação e parte da demanda depende de compradores de fora e de juros mais baixos.
Para quem pensa em renda com aluguel, a sazonalidade é o principal risco. A ocupação se concentra em poucos meses, e condomínio, IPTU, manutenção e taxas de plataforma continuam o ano inteiro. Para quem pensa em valorização, o histórico recente mostra que as altas de dois dígitos não se repetem todo ano. A comparação com outras cidades está no levantamento de quanto os imóveis valorizam por ano.
Quem investe com a família ou tem vários imóveis na região pode avaliar se faz sentido organizar esse patrimônio em uma holding patrimonial, considerando impostos e custos de manutenção da empresa.
Terrenos em bairros em expansão podem oferecer preço de entrada menor, mas exigem atenção redobrada ao zoneamento, à infraestrutura existente e ao prazo até que a região se valorize. Também aqui, a decisão deve se apoiar em dados do lote e da vizinhança, não na média da cidade.
Em qualquer caso, os passos básicos são os mesmos: comparar o preço pedido com vendas recentes de imóveis semelhantes, conferir matrícula, situação de terreno de marinha e zoneamento, ler a convenção do condomínio e calcular a renda com números realistas.
De vila de pescadores a metro quadrado caro
Itapema passou de vila de pescadores, distrito de Porto Belo até 1962, a uma das cidades com o metro quadrado mais caro do país. O crescimento veio do turismo, da verticalização da Meia Praia e da chegada de novos moradores, e está documentado nos dados do IBGE e da Fipe. Em 2026, o preço anunciado desacelerou e passou a acompanhar a inflação, o que torna a escolha do imóvel e o preço pago mais importantes que a fama da cidade.
Se você está negociando um apartamento na Meia Praia ou um terreno em Itapema e quer saber se o valor pedido faz sentido, a Valen Brasil prepara laudos de avaliação com base em vendas comparáveis da região, úteis tanto para negociar quanto para inventário, partilha ou garantia bancária.
Perguntas frequentes
Onde fica Itapema?
No litoral norte de Santa Catarina, na baía de Porto Belo. O município faz divisa com Balneário Camboriú ao norte, Porto Belo ao sul e Camboriú a oeste, e é cortado pela BR-101.
Quantos habitantes tem Itapema?
O Censo 2022 do IBGE contou 75.940 moradores, 65,8% a mais que em 2010. A estimativa do IBGE para 2026 é de 88.842 habitantes.
Quanto custa o metro quadrado em Itapema?
R$ 15.403, em média, nos anúncios residenciais de venda acompanhados pela Fipe em agosto de 2026. É o segundo maior entre as 56 cidades do índice. A variação em 12 meses foi de 4,85%.
Quais são as praias de Itapema?
A prefeitura lista a Meia Praia, a Praia do Centro, a Praia da Ilhota, o Canto da Praia, o Costão e a Praia Grossa. A Meia Praia é a maior, com cerca de cinco quilômetros.
Quando Itapema virou município?
Pela Lei Estadual 814, de 28 de fevereiro de 1962, que a separou de Porto Belo. O município foi instalado em 21 de abril de 1962, e o primeiro prefeito eleito foi Olegário Bernardes.
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