Metro quadrado mais caro do Brasil: ranking FipeZAP de 2026

Vitória, Itapema e Balneário Camboriú lideram o FipeZAP de agosto de 2026. Veja o top 10, a variação real em 12 meses e o que o índice não mede.
No levantamento mais recente do Índice FipeZAP, referente a agosto de 2026, o metro quadrado residencial mais caro do Brasil é o de Vitória (ES): R$ 15.650 em média nos anúncios de venda. Logo atrás vêm Itapema (R$ 15.403) e Balneário Camboriú (R$ 15.343), as duas no litoral norte de Santa Catarina.
A média das 56 cidades acompanhadas pelo índice foi de R$ 9.954 por metro quadrado. A liderança mudou três vezes em pouco mais de um ano: Balneário Camboriú ficou em primeiro até abril de 2026, Itapema passou à frente em maio e Vitória assumiu o topo em julho. A seguir, o ranking completo das dez cidades mais caras, a variação de cada uma em 12 meses, o que esses números medem e o que não medem.
Pontos principais
- Três das cinco cidades mais caras do índice ficam em Santa Catarina: Itapema, Balneário Camboriú e Itajaí; Florianópolis completa o grupo como quarta colocada.
- Preço alto não significa alta recente: descontada a inflação oficial (IPCA de 4,22% em 12 meses), Balneário Camboriú teve queda real de 1,3% no preço anunciado, enquanto Vitória subiu 5,7% acima da inflação.
- O índice acompanha valores pedidos pelos vendedores, não valores de escritura, e a Fipe não publica médias por bairro.
- Para saber quanto vale um imóvel específico, a média da cidade serve só como ponto de partida; a resposta vem de uma avaliação com comparação de imóveis semelhantes.
O que é o Índice FipeZAP
O Índice FipeZAP de Venda Residencial é calculado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) em parceria com o Grupo OLX, que reúne os portais Zap, Viva Real e OLX. Ele acompanha a variação dos preços de imóveis residenciais em 56 cidades brasileiras, 22 delas capitais, a partir de anúncios publicados na internet. A metodologia completa está no site da Fipe.
Três características explicam boa parte das dúvidas sobre o ranking:
- É preço de anúncio. O valor informado é o que o vendedor pede, antes da negociação. O preço efetivamente pago na escritura costuma ser menor, em proporção que varia conforme o mercado.
- É média da cidade inteira. Um apartamento de frente para o mar e um imóvel antigo na periferia entram na mesma conta. Cidades pequenas e muito voltadas ao alto padrão tendem a ter média mais alta que metrópoles com grande variedade de bairros.
- Não há dado por bairro. Os informes mensais trazem as zonas mais representativas da amostra, mas a própria Fipe avisa que não divulga tabelas de preço médio por zona, distrito ou bairro.
Por isso, rankings de "bairro mais caro do Brasil" com valores exatos que circulam na internet não vêm do FipeZAP e precisam ter a fonte conferida antes de serem usados.
Ranking: as 10 cidades com o metro quadrado mais caro
A tabela reúne as dez primeiras colocadas no informe de agosto de 2026, com o preço médio anunciado e a variação nominal em 12 meses (de setembro de 2025 a agosto de 2026).
| Posição | Cidade | Preço médio do m² | Variação em 12 meses |
|---|---|---|---|
| 1º | Vitória (ES) | R$ 15.650 | +10,16% |
| 2º | Itapema (SC) | R$ 15.403 | +4,85% |
| 3º | Balneário Camboriú (SC) | R$ 15.343 | +2,82% |
| 4º | Florianópolis (SC) | R$ 13.531 | +8,20% |
| 5º | Itajaí (SC) | R$ 13.354 | +4,92% |
| 6º | Barueri (SP) | R$ 12.206 | +5,39% |
| 7º | São Paulo (SP) | R$ 12.143 | +3,63% |
| 8º | Curitiba (PR) | R$ 11.731 | +2,74% |
| 9º | Vila Velha (ES) | R$ 11.446 | +15,12% |
| 10º | Rio de Janeiro (RJ) | R$ 11.216 | +5,12% |
| - | Média do índice (56 cidades) | R$ 9.954 | +5,49% |
Dados do relatório mensal da Fipe para agosto de 2026. Logo abaixo do top 10 aparecem Belo Horizonte (R$ 10.667), Brasília (R$ 10.369) e Maceió (R$ 9.974).
1º lugar: Vitória (ES), R$ 15.650/m²
A capital do Espírito Santo é a única capital entre as três primeiras e também a cidade do top 10 com a segunda maior alta em 12 meses (+10,16%), atrás apenas da vizinha Vila Velha. Vitória é uma cidade de área pequena, em boa parte numa ilha, o que limita a oferta de terrenos nos bairros mais procurados. Em agosto de 2025, com R$ 14.117, ela era a terceira do ranking; a subida para o primeiro lugar veio do ritmo de alta acima das duas cidades catarinenses que estavam à frente.

2º lugar: Itapema (SC), R$ 15.403/m²
Itapema fica ao sul de Balneário Camboriú e passou a vizinha no preço médio no informe de maio de 2026, liderando o índice em maio e junho. Em agosto, o preço ficou praticamente parado em relação a julho (variação de −0,002% no mês), e a alta em 12 meses foi de 4,85%, pouco acima da inflação. Como a vizinha, tem orla verticalizada, com prédios altos de frente para o mar, e está a poucos quilômetros de Balneário Camboriú, e por isso os dois mercados costumam ser comparados por quem procura imóvel no litoral norte catarinense.

3º lugar: Balneário Camboriú (SC), R$ 15.343/m²
Balneário Camboriú foi a primeira do ranking nos relatórios de janeiro, maio, agosto e dezembro de 2025, posição que manteve no relatório de abril de 2026. Desde então, a cidade perdeu posições não por queda nominal de preço, mas porque subiu menos que as concorrentes: +2,82% em 12 meses, a segunda menor alta do top 10, depois de Curitiba. A cidade concentra a maior quantidade de prédios acima de 150 metros do país, e o guia de Balneário Camboriú traz os dados de população, arranha-céus e os cuidados para quem compra ali.

4º e 5º lugares: Florianópolis e Itajaí
Florianópolis (R$ 13.531) é a segunda capital mais cara do índice, atrás de Vitória. A cidade reúne um setor de tecnologia relevante, que deu origem ao apelido de "Ilha do Silício" e é representado pela ACATE, a Associação Catarinense de Tecnologia. A alta de 8,20% em 12 meses foi a maior entre as cidades catarinenses do top 10.
Itajaí (R$ 13.354) completa o bloco catarinense. A cidade abriga o Porto de Itajaí, na foz do rio Itajaí-Açu, e bairros de praia, como a Praia Brava, que atraem o mesmo público de alto padrão das cidades vizinhas.
6º a 10º lugares: São Paulo, arredores e outras capitais
Barueri (R$ 12.206), na região metropolitana de São Paulo, aparece à frente da capital paulista. São Paulo (R$ 12.143) fica em sétimo: a média da cidade inteira dilui os valores dos bairros mais caros, o que explica por que a maior cidade do país não lidera um ranking de média municipal. Curitiba (R$ 11.731) aparece em oitavo, com alta de 2,74%, abaixo da inflação.
Vila Velha (R$ 11.446), vizinha de Vitória, teve a maior alta nominal entre as 56 cidades do índice em 12 meses: 15,12%. O Rio de Janeiro (R$ 11.216) fecha o top 10. Porto Alegre, citada com frequência entre as cidades caras, está bem abaixo, com R$ 7.510 e alta de apenas 0,96% em 12 meses.
Quem liderou o ranking desde 2025
A troca de liderança em 2026 ajuda a entender como o índice funciona: posições mudam por diferenças pequenas de preço e de ritmo de alta.
| Informe | 1º lugar | 2º lugar | 3º lugar |
|---|---|---|---|
| Janeiro de 2025 | Balneário Camboriú (R$ 14.041) | Itapema (R$ 13.592) | Vitória (R$ 12.522) |
| Agosto de 2025 | Balneário Camboriú (R$ 14.839) | Itapema (R$ 14.674) | Vitória (R$ 14.117) |
| Dezembro de 2025 | Balneário Camboriú (R$ 14.906) | Itapema (R$ 14.843) | Vitória (R$ 14.108) |
| Abril de 2026 | Balneário Camboriú (R$ 15.185) | Itapema (R$ 15.179) | Vitória (R$ 14.818) |
| Maio de 2026 | Itapema (R$ 15.226) | Balneário Camboriú (R$ 15.215) | Vitória (R$ 14.965) |
| Julho de 2026 | Vitória (R$ 15.448) | Itapema (R$ 15.403) | Balneário Camboriú (R$ 15.295) |
| Agosto de 2026 | Vitória (R$ 15.650) | Itapema (R$ 15.403) | Balneário Camboriú (R$ 15.343) |
Fonte: informes mensais do Índice FipeZAP de venda residencial, publicados pela Fipe. Em abril e maio de 2026, a diferença entre primeiro e segundo lugar foi de R$ 6 e R$ 11 por metro quadrado, menos de 0,1% do preço. Diferenças desse tamanho estão dentro do que o próprio método de anúncios pode oscilar de um mês para outro, e não justificam manchetes sobre "a cidade mais cara do país".
Cidade cara nem sempre é cidade que valoriza
A variação em 12 meses mostra quanto o preço anunciado subiu em reais. Para saber se o dono do imóvel ganhou poder de compra, é preciso descontar a inflação. O IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo IBGE, acumulou 4,22% nos 12 meses até agosto de 2026, segundo a série do Sidra, o banco de dados do instituto.
| Cidade | Variação nominal | Variação real (descontado o IPCA) |
|---|---|---|
| Vitória (ES) | +10,16% | +5,7% |
| Itapema (SC) | +4,85% | +0,6% |
| Balneário Camboriú (SC) | +2,82% | −1,3% |
| Florianópolis (SC) | +8,20% | +3,8% |
| Itajaí (SC) | +4,92% | +0,7% |
| São Paulo (SP) | +3,63% | −0,6% |
| Curitiba (PR) | +2,74% | −1,4% |
| Vila Velha (ES) | +15,12% | +10,5% |
| Média do índice | +5,49% | +1,2% |
A conta da variação real é (1 + variação nominal) ÷ (1 + inflação) − 1. Para Balneário Camboriú: 1,0282 ÷ 1,0422 − 1 = −1,3%. O resultado mostra que, nas cidades mais caras, o preço já alto avança devagar, enquanto mercados que estavam mais baratos, como Vila Velha, sobem mais depressa. O guia sobre quanto um imóvel valoriza por ano detalha esse cálculo e mostra a série histórica.
O informe da Fipe também compara o índice com o IGP-M, da Fundação Getulio Vargas, que ficou em 2,16% em 12 meses no mesmo relatório. A série oficial do IGP-M está no portal do IBRE/FGV. Contratos de aluguel costumam usar um desses índices, e a escolha muda bastante o resultado em anos em que eles se afastam.
O que explica o preço do metro quadrado
O preço médio de uma cidade resulta da combinação de oferta, demanda e do tipo de imóvel anunciado. Alguns fatores aparecem em quase todas as cidades do topo do ranking:
- Pouca terra disponível. Vitória, Balneário Camboriú e Itapema têm áreas urbanas limitadas por mar, morros ou baías, o que encarece o terreno.
- Perfil do estoque. Cidades com muitos lançamentos de alto padrão e poucos imóveis populares têm média mais alta, mesmo que o preço de um imóvel comum seja parecido com o de outras cidades.
- Demanda de fora. Cidades de praia recebem compradores de outras regiões que buscam segunda residência ou investimento, o que amplia a procura além da renda local.
- Regras urbanísticas. O quanto se pode construir em cada terreno define quantas unidades cabem nele e, portanto, quanto o terreno vale.
Do lado do custo, há um piso para o preço de imóveis novos. O CUB/m², custo unitário básico da construção, é calculado mensalmente pelos sindicatos da construção de cada estado com base nos projetos-padrão da norma ABNT NBR 12721, e o site do CUB mantido pela CBIC reúne os valores estaduais. A diferença entre o CUB e o preço de venda corresponde, em boa parte, ao valor do terreno e à margem do incorporador. O artigo sobre o CUB explica o indicador, e o do CUB de Santa Catarina mostra os valores do estado.
Plano diretor e outorga onerosa do direito de construir
Nas cidades verticalizadas, o plano diretor tem peso direto no preço. A lei federal de política urbana, conhecida como Estatuto da Cidade (Lei 10.257, de 2001), permite que o município cobre pelo direito de construir além de um limite básico:
“O plano diretor poderá fixar áreas nas quais o direito de construir poderá ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico adotado, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário.” (Lei 10.257/2001, art. 28)
Esse coeficiente compara a área construída permitida com o tamanho do lote: coeficiente 4 num terreno de 1.000 m², por exemplo, autoriza 4.000 m² de construção. Um coeficiente maior permite mais apartamentos no mesmo lote, o que eleva o valor do terreno. A mesma lei manda o plano diretor fixar os coeficientes máximos levando em conta a infraestrutura disponível e o aumento de densidade previsto, de modo que mudanças no plano costumam mexer com o preço dos terrenos antes mesmo de qualquer obra.
Terreno de marinha na faixa litorânea
Nas cidades de praia do topo do ranking, parte dos imóveis perto do mar fica sobre terrenos de marinha. Esses terrenos pertencem à União, conforme o primeiro artigo do Decreto-Lei 9.760, de 1946, e ocupam uma faixa de 33 metros de profundidade tomada a partir da posição média das marés altas no ano de 1831, segundo o artigo seguinte. Nesses casos, o comprador adquire o domínio útil ou a ocupação, não a propriedade plena do terreno, e paga taxas à União. Essa diferença aparece na matrícula do imóvel, não no anúncio, e deve pesar no preço. Na venda, a transferência costuma exigir ainda o pagamento do laudêmio à União.
FipeZAP e IGMI-R: dois índices, duas leituras
O FipeZAP não é o único termômetro do mercado residencial. O IGMI-R, indicador residencial da ABECIP (a associação das instituições de crédito imobiliário e poupança), foi criado em novembro de 2016 com o IBRE, instituto de economia da Fundação Getulio Vargas, e é calculado com base nos laudos de avaliação dos imóveis financiados pelos bancos, conforme a descrição do índice publicada pela ABECIP.
A diferença de método muda a leitura. O FipeZAP capta o que o vendedor pede; o IGMI-R, o valor apurado por avaliador em imóvel que foi efetivamente financiado. Quando os dois índices andam em ritmos diferentes, a distância costuma refletir a negociação entre o preço pedido e o preço fechado, além das diferenças de cobertura geográfica.
Os laudos que alimentam o IGMI-R seguem a norma NBR 14653, da ABNT, e são feitos por profissionais habilitados. No campo profissional, o IBAPE nacional congrega as entidades estaduais de engenheiros avaliadores e peritos e promove formação e certificação nessas atividades.
Bairros mais caros: por que os números variam tanto
Como a Fipe não divulga preço médio por bairro, listas de bairros mais caros do país usam outras fontes, em geral bases próprias de portais imobiliários ou de consultorias, com métodos e datas diferentes. Nomes como Leblon e Ipanema, no Rio de Janeiro, Jardim Europa e Vila Nova Conceição, em São Paulo, Batel, em Curitiba, Jurerê Internacional, em Florianópolis, Noroeste, em Brasília, e Moinhos de Vento, em Porto Alegre, aparecem com frequência nessas listas, mas os valores por metro quadrado mudam muito de uma fonte para outra.
Para uma decisão de compra, o dado por bairro de um portal é apenas uma referência inicial. O que mostra o valor de um imóvel específico é a comparação com vendas recentes de imóveis semelhantes no mesmo bairro, com ajuste para área, andar, vista, estado de conservação e vagas. É esse o trabalho de uma avaliação imobiliária feita segundo a norma técnica.
Os extremos do índice: do mais caro ao mais barato
A distância entre o topo e a base do índice é grande. A cidade mais barata entre as 56 em agosto de 2026 foi Pelotas (RS), com R$ 4.647 por metro quadrado. O preço médio anunciado em Vitória foi cerca de 3,4 vezes maior, ou 237% acima; o de Balneário Camboriú, 3,3 vezes maior, ou 230% acima.
| Situação | Cidade | Preço médio do m² |
|---|---|---|
| Mais cara | Vitória (ES) | R$ 15.650 |
| Média do índice | 56 cidades | R$ 9.954 |
| Mais barata | Pelotas (RS) | R$ 4.647 |
Entre as capitais, as médias mais baixas do mês foram as de Aracaju (R$ 5.826), Teresina (R$ 6.032) e Natal (R$ 6.439). No Rio Grande do Sul, várias cidades aparecem na parte de baixo da tabela, incluindo São Leopoldo, Novo Hamburgo e Santa Maria, além da própria Pelotas.
Essas diferenças refletem renda da população, oferta de terrenos, tipo de imóvel anunciado e atividade econômica de cada lugar. Também mostram que "preço médio do Brasil" é uma abstração: o metro quadrado de uma cidade pode custar três vezes o de outra, e mesmo dentro de uma cidade a variação entre bairros é grande.
Como usar o ranking na prática
Para quem vai comprar, o ranking serve para situar a cidade: mostra se o preço pedido num anúncio está muito acima ou abaixo da média local e se o mercado vem subindo ou parado. Um apartamento anunciado em Itapema por R$ 12 mil o metro quadrado está abaixo da média da cidade, o que pode indicar oportunidade ou um imóvel com desvantagens, como andar baixo, idade ou distância da praia. Só a visita e a comparação com imóveis parecidos respondem qual é o caso.
Para quem vai vender, a média ajuda a calibrar a expectativa, mas não fixa preço. Anunciar muito acima do que imóveis semelhantes estão pedindo costuma alongar o prazo de venda, e cada mês parado tem custo de condomínio, IPTU e oportunidade. Para quem precisa de um valor formal, como em partilha, inventário, garantia bancária ou discussão judicial, a média do índice não substitui um laudo: a lei e os juízes pedem a avaliação do bem específico, feita por profissional habilitado e com método descrito.
Oportunidades e riscos para quem investe
O ranking não diz onde comprar. Ele mostra onde os anúncios estão mais caros e onde subiram mais nos últimos meses. Algumas leituras práticas:
- Cidades caras e com alta lenta, como Balneário Camboriú e Curitiba no último ano, pedem cautela com a expectativa de valorização. O preço de entrada já é alto e o histórico recente ficou abaixo da inflação.
- Cidades com alta forte, como Vila Velha e Vitória, atraem atenção, mas alta passada não garante alta futura. Vale olhar oferta de lançamentos, renda local e prazo de venda.
- Liquidez importa. Metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro têm mais compradores potenciais e, em geral, vendem mais depressa. O artigo sobre liquidez de investimentos explica por que a facilidade de vender pesa tanto quanto o preço.
- Negociação conta. Como o índice mede preço pedido, o valor final depende da negociação, das condições de pagamento e do estado do imóvel.
Quem compra para alugar deve calcular a renda com base no aluguel efetivamente praticado e na ocupação realista, e descontar condomínio, IPTU, manutenção e períodos vazios. Uma renda que parece boa no anúncio pode cair bastante depois dessas contas.
Impostos que acompanham a compra e a venda
Na compra incide o ITBI, imposto municipal sobre a transmissão onerosa de imóveis. O fato gerador está no art. 35 do Código Tributário Nacional, cuja redação atual foi dada pela Lei Complementar 227/2026, e a alíquota e a base de cálculo são definidas por cada município. Como calcular e contestar o imposto está no guia do ITBI; os casos em que ele não é cobrado, no texto sobre isenção de ITBI. Todo ano, o proprietário paga o IPTU, calculado sobre o valor venal, que o art. 33 do mesmo Código fixa como base do imposto e que costuma ficar abaixo do preço de mercado justamente nas cidades onde o metro quadrado subiu depressa.
Quando vende, a pessoa física recolhe IR sobre o lucro obtido, com alíquotas que crescem por faixa. A regra está na Lei 8.981, de 1995, com o texto que lhe deu a Lei 13.259, de 2016:
“O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeita-se à incidência do imposto sobre a renda, com as seguintes alíquotas:” (Lei 8.981/1995, art. 21)
As faixas vão de 15%, sobre a parte do ganho até R$ 5 milhões, a 22,5%, sobre a parte acima de R$ 30 milhões. Quem vende um imóvel residencial e reinveste o valor em outro imóvel residencial no país dentro do prazo fica isento:
“Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País.” (Lei 11.196/2005, art. 39)
Exemplos de conta e outras hipóteses de isenção estão no guia sobre o IR na venda de imóvel.
Desafios do mercado imobiliário
Juros altos encarecem o financiamento e reduzem o número de compradores, o que tende a frear a alta de preços. A burocracia de compra e venda, com certidões, escritura e registro, alonga o prazo das transações. E a concentração de lançamentos em poucas cidades pode gerar excesso de oferta em momentos de demanda mais fraca.
Um ponto jurídico merece atenção de quem compra em cidades valorizadas: a escritura sozinha não transfere a propriedade. O Código Civil (art. 1.245) só considera o comprador proprietário depois que a escritura é levada ao cartório imobiliário e registrada na matrícula; antes disso, para a lei, o dono ainda é quem vendeu. Em mercados aquecidos, com vendas rápidas e muitas cessões de contrato, conferir a matrícula e registrar a compra logo após a escritura evita surpresas.
Mesmo com essas dificuldades, cidades como Vitória, Itapema e Balneário Camboriú seguem no topo do índice. O Índice FipeZAP ajuda a acompanhar essa movimentação mês a mês, desde que seja lido como indicador de tendência de preços pedidos, e não como tabela de preço de imóveis específicos.
Perspectivas para o mercado
Os informes de 2026 mostram duas tendências. A primeira é a desaceleração da alta nas cidades que já estavam no topo, como Balneário Camboriú, Itapema e Curitiba. A segunda é a alta mais forte em cidades que vinham logo abaixo, como Vitória, Vila Velha, Florianópolis e várias capitais do Nordeste, entre elas Salvador (+10,84%) e Fortaleza (+8,89%).
Não há como prever, a partir do índice, qual cidade estará no topo daqui a um ano. O que se pode fazer é acompanhar os informes mensais, comparar a variação com a inflação e, na hora de comprar ou vender, apoiar a decisão em dados do imóvel e do bairro, não na posição da cidade no ranking.
A informação sobre preços ficou mais acessível, mas continua exigindo leitura cuidadosa. Um laudo feito por profissional habilitado para avaliar imóveis traduz a média da cidade em valor do imóvel que está sendo negociado.
Santa Catarina no topo do ranking
No relatório de agosto de 2026, Vitória tem o metro quadrado anunciado mais caro do país, seguido de perto por Itapema e Balneário Camboriú, e Santa Catarina tem quatro cidades no top 10. As posições do topo mudam por diferenças pequenas, e a alta dos preços já não acompanha a inflação em parte das cidades mais caras. Para quem compra, vende ou herda um imóvel, o índice mostra o contexto, mas o valor que importa é o do imóvel em questão.
Se você precisa saber quanto vale um apartamento em Balneário Camboriú, Itajaí ou Blumenau, com comparação de vendas reais e laudo segundo a norma técnica, a Valen Brasil faz esse trabalho e explica o resultado em linguagem clara.
Perguntas frequentes
Qual é o metro quadrado mais caro do Brasil em 2026?
É o de Vitória (ES): R$ 15.650, na média dos anúncios residenciais apurada pela Fipe para agosto de 2026. Itapema (R$ 15.403) e Balneário Camboriú (R$ 15.343), ambas em Santa Catarina, vêm em seguida.
Balneário Camboriú ainda tem o metro quadrado mais caro do país?
Não desde maio de 2026. A cidade liderou o índice em 2025 e até abril de 2026, foi ultrapassada por Itapema em maio e por Vitória em julho, e estava em terceiro lugar em agosto de 2026.
O preço do FipeZAP é o preço de venda do imóvel?
Não. O índice usa o preço pedido em anúncios na internet. O valor da escritura costuma ser menor, por causa da negociação, e varia conforme o imóvel.
Onde encontro o preço do metro quadrado por bairro?
A Fipe não divulga preço por bairro. Portais e consultorias publicam estimativas próprias, com métodos diferentes. Para um imóvel específico, o mais confiável é uma avaliação que compare vendas recentes de imóveis semelhantes.
Qual cidade teve a maior valorização em 12 meses?
Entre as 56 cidades do índice, Vila Velha (ES), com alta de 15,12% no preço anunciado no acumulado de 12 meses encerrado em agosto de 2026. Descontada a inflação do período, a alta real foi de cerca de 10,5%.
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