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Valen Brasil
Arquitetura

Desafios da execução de obra para arquitetos: do projeto ao canteiro

Editora Valen •
Mãos segurando a planta impressa do projeto diante das fundações de uma obra, com trena estendida ao fundo
Conferir o que está sendo construído com o que foi desenhado é o desafio central da execução de obra.

Os desafios da execução de obra para arquitetos: projeto executivo, custo, prazo, qualidade, leis, RRT e garantia da obra, e o exemplo do arquiteto técnico espanhol.

Os principais desafios da execução de obra para arquitetos são transformar o projeto em instruções que o canteiro consiga seguir, coordenar equipes e fornecedores, controlar custo e prazo, garantir qualidade e cumprir leis e normas do licenciamento à entrega. Quase todos passam por um mesmo documento: o projeto executivo, a etapa em que cada solução é detalhada, especificada e compatibilizada com estrutura e instalações. Quando ele é incompleto, as dúvidas se resolvem no improviso da obra, e o improviso custa tempo, dinheiro e qualidade.

Este artigo reúne esses desafios, mostra o que dizem a lei e as normas sobre projeto, responsabilidade técnica e garantia da obra e discute uma lacuna antiga da formação: o arquiteto aprende a conceber, mas nem sempre aprende a construir.

Do conceito ao projeto executivo

Em geral, o arquiteto dedica boa parte do esforço à concepção: programa de necessidades, partido, estética, relação com o terreno e com o cliente. Essa é a fase mais visível do trabalho. A seguinte é menos glamourosa e mais decisiva para o resultado: traduzir a ideia em desenhos, especificações e quantitativos que um mestre de obras, um eletricista e um fornecedor de esquadrias entendam da mesma forma.

No Brasil, as etapas do projeto de arquitetura são descritas pela ABNT NBR 16636, norma de elaboração de projetos arquitetônicos e urbanísticos. A parte 2, de 2017, trata do projeto arquitetônico e percorre o caminho desde o levantamento de dados e o estudo preliminar até o projeto executivo, a etapa que fecha a compatibilização com as outras disciplinas e completa a documentação necessária para construir.

Por que o arquiteto chega despreparado ao canteiro?

A execução é uma das etapas mais críticas do trabalho. A passagem do papel para a obra real traz problemas que afetam qualidade, prazo e orçamento, e muitos profissionais só aprendem a lidar com eles depois de formados, errando.

Parte da explicação está na graduação. Muitos cursos concentram a carga horária em ateliê de projeto e dão menos peso a tecnologia da construção, orçamento e gestão de obra. A lei, porém, não separa as duas coisas. A lei da profissão (Lei 12.378/2010) põe no rol de atividades do arquiteto tanto o projeto quanto a “execução, fiscalização e condução de obra, instalação e serviço técnico” (art. 2º, XII). O canteiro está no texto legal mesmo quando fica em segundo plano na grade curricular.

As diretrizes curriculares mais recentes procuram corrigir isso. A Resolução CNE/CES 1/2025, publicada em julho de 2025, que instituiu as novas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Arquitetura e Urbanismo, colocou gestão de obras, sistemas estruturais, tecnologia da construção e instalações prediais no núcleo de conhecimentos profissionais (art. 14) e passou a exigir canteiros experimentais de obras na infraestrutura dos cursos (art. 52), com atividades obrigatoriamente presenciais (art. 33, § 2º). Os cursos em funcionamento têm dois anos, a partir da publicação, para se adaptar (art. 54).

Enquanto isso não chega à prática, os problemas abaixo continuam a aparecer. Para cada um, uma forma de reduzir o risco.

1. Gerenciamento do projeto e das equipes

Coordenar projetistas complementares, empreiteiros, fornecedores e o próprio cliente exige comunicação clara e registro das decisões. Sem isso, surgem mal-entendidos, atrasos e retrabalho. Ajudam um cronograma de projeto com datas de entrega de cada disciplina, reuniões periódicas de compatibilização com ata e uma única versão “oficial” dos desenhos, com controle de revisões. Ferramentas de gestão e a automação de tarefas repetitivas liberam tempo da equipe para o que exige decisão técnica. No canteiro, aplicativos de gestão de obra ajudam a distribuir tarefas e a registrar pendências com foto e data.

2. Orçamento e custos

Muitas obras começam com orçamento fechado e terminam acima dele. Variação no preço de materiais, mudanças de especificação no meio do caminho e atrasos que prolongam o canteiro estão entre as causas mais comuns. O antídoto começa no projeto: quantitativos tirados do projeto executivo, e não estimados por área, dão uma base de orçamento mais confiável. Na execução, vale prever uma reserva de contingência, acompanhar o gasto por etapa e deixar no contrato como serão tratados os aditivos e reajustes. Para referências de custo, índices como o CUB e o INCC ajudam a entender a variação dos preços da construção.

3. Prazo e cronograma

Entrega atrasada de material, chuva prolongada e falta de mão de obra qualificada afetam qualquer cronograma. O arquiteto precisa de flexibilidade para replanejar, mas a base é um cronograma físico-financeiro detalhado, com o caminho crítico identificado e acompanhamento semanal do que foi previsto e do que foi feito. Sistemas a seco, como a montagem em steel frame, dependem menos do tempo firme para a cura de argamassa.

4. Qualidade e padrões de construção

Manter a qualidade exige canteiro organizado, inspeções regulares e critérios claros de aceitação de cada serviço, como prumo, nível, planicidade e estanqueidade. A escolha de empreiteiros e fornecedores confiáveis pesa tanto quanto a fiscalização.

Canteiro organizado também é obrigação ambiental. A Política Nacional de Resíduos Sólidos inclui as empresas de construção civil entre as que precisam elaborar plano de gerenciamento de resíduos sólidos, nos termos do regulamento ou das normas dos órgãos ambientais (Lei 12.305/2010, art. 20, III). Separar o entulho por classe e comprovar a destinação faz parte da boa execução.

5. Conformidade legal e normativa

A obra precisa estar em dia com licenças, código de obras, normas técnicas e regras de segurança. Falhar nisso gera multa, embargo e retrabalho. Cada município tem seu código de obras e seus documentos, e o arquiteto precisa conhecer os da cidade onde projeta, seja Itajaí, Balneário Camboriú, Blumenau ou qualquer outra. Em São Paulo, por exemplo, o código de obras paulistano, a Lei 16.642/2017, organiza uma cadeia de documentos que vai do Alvará de Aprovação ao Alvará de Execução e ao Certificado de Conclusão. O caminho geral está explicado no guia de aprovação de projetos na prefeitura.

A acessibilidade é um exemplo de exigência que atravessa todas as etapas. A Lei Brasileira de Inclusão condiciona a aprovação do projeto executivo e o certificado de conclusão ao atendimento das regras de acessibilidade:

“Para a aprovação, o licenciamento ou a emissão de certificado de projeto executivo arquitetônico, urbanístico e de instalações e equipamentos temporários ou permanentes e para o licenciamento ou a emissão de certificado de conclusão de obra ou de serviço, deve ser atestado o atendimento às regras de acessibilidade.” (Lei 13.146/2015, art. 60, § 2º)

Quem responde pela obra depois da entrega

A responsabilidade não termina no habite-se. O Código Civil fixa um prazo de garantia para o empreiteiro de materiais e execução nas obras de maior porte:

“Nos contratos de empreitada de edifícios ou outras construções consideráveis, o empreiteiro de materiais e execução responderá, durante o prazo irredutível de cinco anos, pela solidez e segurança do trabalho, assim em razão dos materiais, como do solo.” (Código Civil, art. 618)

Pelo parágrafo único do mesmo artigo, o dono da obra perde esse direito se não entrar com a ação em até 180 dias depois de aparecer o vício ou defeito. Por isso, problemas estruturais devem ser registrados e comunicados assim que surgem.

O artigo seguinte trata das mudanças de projeto. Quem executa a obra segundo um plano aceito pelo contratante não pode cobrar a mais por modificações, salvo se elas vierem de instruções escritas do dono da obra (art. 619). O parágrafo único abre uma exceção: se o dono acompanhava a obra de perto e não podia ignorar as mudanças, terá de pagar os acréscimos mesmo sem autorização escrita. Na prática, a alteração combinada de viva voz no canteiro costuma voltar como disputa meses depois. Formalizar cada mudança, com desenho revisado e registro de custo e prazo, protege todos os lados. Em conflitos mais sérios, um perito judicial arquiteto pode ser chamado para avaliar o que foi executado.

Importância do projeto executivo

É no projeto executivo que todas as soluções são detalhadas. Ele deve reunir os desenhos e as informações necessários para entender e construir a obra: plantas, cortes, fachadas, ampliações e detalhes construtivos, com norte, cotas horizontais e verticais, níveis, inclinações de cobertura, especificação de materiais e acabamentos, quadros de esquadrias e compatibilização com estrutura e instalações. Um memorial descritivo completa o conjunto, descrevendo em texto o que os desenhos não mostram.

Para obras públicas, a lei de licitações dá uma definição fechada:

“projeto executivo: conjunto de elementos necessários e suficientes à execução completa da obra, com o detalhamento das soluções previstas no projeto básico, a identificação de serviços, de materiais e de equipamentos a serem incorporados à obra, bem como suas especificações técnicas, de acordo com as normas técnicas pertinentes” (Lei 14.133/2021, art. 6º, XXVI)

Fora da contratação pública, a régua é a mesma: se o executor precisa adivinhar, o projeto não está pronto.

Vista de cima de engenheiros e arquitetos de capacete e colete discutindo desenhos sobre uma mesa no canteiro
Reunião de obra sobre os desenhos: o projeto executivo é a referência comum de todas as equipes.

Toda essa informação precisa ser clara para pessoas diferentes, do investidor ao armador. Não basta ter a informação; é preciso saber comunicá-la. O detalhamento é demorado e cansativo, mas custa menos do que o erro que ele evita. Um projeto mal detalhado encarece a obra e, com ela, a rentabilidade de quem constrói para vender ou alugar, como mostra o artigo sobre como ganhar dinheiro com imóveis.

Registro de responsabilidade técnica

Desenho sem responsável identificado não sustenta obra. Para engenheiros e agrônomos, todo contrato de obra ou serviço técnico está sujeito à Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), criada pela Lei 6.496/1977 e feita no CREA. Para arquitetos e urbanistas, o documento é o Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), feito no CAU: pelo art. 45 da Lei 12.378/2010, precisa de RRT qualquer serviço que seja exclusivo da profissão ou dividido com outras áreas regulamentadas. Sem RRT, o profissional ou a empresa fica sujeito a multa de 300% sobre o valor corrigido da taxa não recolhida e o trabalho deve ser interrompido até que a situação seja regularizada (art. 50). O guia de Registro de Responsabilidade Técnica explica como emitir cada tipo.

Projeto e execução costumam ter RRTs separados. Se o arquiteto só faz o projeto, a execução terá outro responsável técnico, que pode ser arquiteto ou engenheiro.

Comunicação eficaz entre os profissionais

Clareza e detalhamento garantem que cada fase aconteça como planejado. Arquitetos, engenheiros, empreiteiros e fornecedores precisam conversar com frequência, e as decisões precisam ficar registradas. Três práticas simples ajudam: diário de obra atualizado, atas curtas das reuniões com responsável e prazo para cada pendência e um canal único de comunicação por obra. Para as conversas com clientes e empreiteiros, um livro sobre negociação está entre as leituras indicadas no blog para quem empreende na arquitetura.

Ferramentas de mensagens organizadas por canal, como o Slack, permitem separar os assuntos (estrutura, elétrica, acabamentos) e manter o histórico das conversas. O que importa é a regra combinada: decisão que muda projeto, custo ou prazo precisa estar por escrito.

Tecnologia e automação na execução de obra

A modelagem da informação da construção, o BIM (Building Information Modeling), permite montar um modelo digital da edificação com todas as disciplinas. Com ele, fica mais fácil detectar interferências entre estrutura e instalações antes da obra, extrair quantitativos e simular etapas. Softwares de gestão ajudam a acompanhar o avanço físico, controlar compras e manter o cronograma.

Diagrama circular do ciclo BIM com as fases de projetar, construir e operar e etapas como documentação, fabricação e logística
O BIM acompanha a edificação do projeto à operação e à manutenção.

Automatizar tarefas como pedidos de material e programação de equipes torna a execução mais ágil e dá mais controle sobre cada etapa. A tecnologia, porém, não substitui o detalhamento: um modelo BIM mal alimentado reproduz os mesmos erros de um desenho ruim.

BIM nas contratações públicas

O governo federal tem uma estratégia própria para o BIM. O Decreto 10.306/2020 dividiu a adoção em etapas para os órgãos federais vinculados a ele, como as áreas de obras das Forças Armadas e de infraestrutura de transportes. Na primeira fase, desde 1º de janeiro de 2021, os projetos de grande relevância devem ter modelos de arquitetura e das principais engenharias, com detecção de interferências entre as disciplinas, revisão dos modelos para compatibilizá-los e extração de quantitativos. A segunda fase, desde 1º de janeiro de 2024, estende o uso à execução e à gestão das obras; a terceira, que começa em 2028, alcança também obras de média relevância.

A Estratégia BIM BR foi redesenhada pelo Decreto 11.888/2024, que criou um novo Comitê Gestor e ampliou os objetivos: apoiar estados, Distrito Federal e municípios na adoção do BIM, estimular capacitação e formação profissional e incentivar padrões abertos de troca de dados entre programas. O decreto de 2019 que tratava do tema (Decreto 9.983/2019) foi revogado.

Arquiteto ou engenheiro: quem conduz a execução?

No Brasil, a execução de obras pode ser conduzida por arquiteto ou por engenheiro civil com registro no respectivo conselho. Para os engenheiros, a base vem da Lei 5.194/1966: o art. 7º põe direção, fiscalização e execução de obras e serviços técnicos no rol de atribuições, e o art. 13 dá valor jurídico a plantas, projetos e laudos só quando o autor é profissional habilitado. Para os arquitetos, é a Lei 12.378/2010, já citada. Na prática do mercado, é comum que a condução da obra fique com o engenheiro e que o arquiteto se limite ao projeto.

Mesmo quando não é o responsável pela execução, o arquiteto tem um papel garantido. A lei lhe permite acompanhar a implantação do projeto, pessoalmente ou por preposto, para conferir se a obra segue o que foi concebido (Lei 12.378/2010, art. 15, parágrafo único), e proíbe mudar projeto ou obra dele sem a sua concordância por escrito, salvo pacto em contrário (art. 16). Acompanhamento e execução são serviços diferentes, com responsabilidades diferentes, e o contrato deve dizer qual deles foi contratado. O caso de Lelé, que Lucio Costa chamou de arquiteto construtor, mostra até onde pode ir essa proximidade: João Filgueiras Lima montou fábricas de componentes e acompanhou de perto as próprias obras.

Em outros países, a divisão é mais nítida. Na Espanha, a função é complementada pela figura do arquiteto técnico, uma ponte entre o arquiteto projetista e a obra. Essa ponte tem base legal: a Ley 38/1999, lei espanhola de ordenação da edificação conhecida como LOE, define o director de la ejecución de la obra e exige a titulação de arquiteto técnico quando o edifício é de uso administrativo, sanitário, religioso, residencial, docente ou cultural.

Arquitetura técnica como ponte entre projeto e execução

A arquitetura técnica é uma profissão distinta e regulamentada na Espanha, com currículo próprio que combina construção, tecnologia e gestão de obras. Enquanto em muitos países a formação em arquitetura abrange o projeto e a técnica, lá a arquitetura técnica é um curso separado, como mostra a comparação entre a formação em arquitetura no Brasil, em Portugal e na Espanha.

Os profissionais da área, chamados arquitetos técnicos ou, pela denominação tradicional, aparejadores, participam do ciclo de vida da obra, do planejamento à conclusão. Atuam entre arquitetos, engenheiros e empreiteiros para garantir que as especificações sejam seguidas, que os materiais sejam os corretos e que a obra termine dentro do prazo e do orçamento.

Dois profissionais de capacete e colete refletivo, de costas, observando a estrutura de um prédio em construção
Acompanhar a obra de perto é a forma de garantir que o projeto seja executado como foi concebido.

O que os arquitetos técnicos aprendem?

Os cursos de arquitetura técnica preparam para os problemas da construção. Entre as principais áreas de estudo estão:

  1. Materiais de construção: propriedades e aplicações dos materiais usados na obra.
  2. Tecnologia da construção: técnicas e processos construtivos, tradicionais e industrializados.
  3. Gestão de obras: planejamento, organização e supervisão, incluindo equipes e recursos.
  4. Normas e regulamentos: as leis que regem a construção na Espanha, para garantir conformidade.
  5. Desenho técnico: leitura e produção das plantas que orientam a execução.
  6. Segurança e saúde: prevenção de acidentes e organização segura do canteiro.

Duração do curso

Desde a adaptação ao modelo europeu de ensino superior, a formação é um grado de quatro anos, com 240 créditos europeus (ECTS). Os requisitos dos cursos que habilitam para a profissão de arquiteto técnico foram fixados pela Ordem ECI/3855/2007, e os nomes variam conforme a universidade (arquitetura técnica, engenharia de edificação, ciência e tecnologia da edificação). Depois da graduação, muitos profissionais se especializam em áreas como eficiência energética e tecnologias de construção.

Por que a arquitetura técnica seria interessante no Brasil?

Uma formação desse tipo poderia ajudar a construção civil brasileira em eficiência, qualidade e sustentabilidade. Alguns motivos:

  1. Integração entre projeto e execução: um profissional formado para a obra, com visão arquitetônica, reduziria a distância entre o que se desenha e o que se constrói, com menos retrabalho.
  2. Gestão de obras: controle de custo, prazo e qualidade seria a especialidade desse profissional, e não uma tarefa acumulada.
  3. Sustentabilidade: a execução é onde se decide boa parte do desperdício e do entulho; um especialista em obra poderia aplicar melhor as práticas de arquitetura sustentável.
  4. Mercado: a construção civil é um setor grande e depende de profissionais que entendam técnica e gestão ao mesmo tempo.
  5. Troca internacional: uma formação equivalente facilitaria intercâmbios e o aprendizado com experiências de outros países.

No Brasil, porém, não existe hoje a profissão de arquiteto técnico. A lei reconhece um título único, o de arquiteto e urbanista, e a mudança dependeria de alteração legislativa e de novas diretrizes de formação.

Reflexões sobre a execução de obra para arquitetos

As dificuldades na execução não são apenas problemas de canteiro; mostram também lacunas na formação. Durante muito tempo, as escolas deram mais peso à concepção do que à construção, e muitos arquitetos saíram com boa capacidade criativa e pouca prática para levar as ideias à obra. As novas diretrizes curriculares, com gestão de obras no núcleo profissional e canteiros experimentais obrigatórios, apontam na direção de equilibrar esse quadro.

Até lá, cabe ao profissional buscar o que faltou: cursos de orçamento e planejamento, estágio ou trabalho em obra, estudo de normas e familiaridade com contratos. Um arquiteto que conhece o canteiro projeta melhor, porque desenha o que é possível construir.

O exemplo espanhol serve como reflexão sobre uma divisão de funções em que um arquiteto especializado em obra, com olhar ainda arquitetônico, assume a execução e libera o projetista para o que é específico dele. Com essa divisão, a ideia chegaria à obra com menos perdas, respeitando prazos, orçamentos e normas. Seria essa uma forma de deixar de ver a obra como uma dor de cabeça certa?

Perguntas frequentes

O que é projeto executivo?

É a etapa final do projeto, com todos os desenhos, detalhes e especificações necessários para construir a obra sem precisar adivinhar nada. Para obras públicas, a Lei 14.133/2021 define o projeto executivo como o conjunto de elementos necessários e suficientes à execução completa da obra (art. 6º, XXVI).

Arquiteto pode ser responsável técnico pela execução de uma obra?

Pode. Executar, fiscalizar e conduzir obra estão no rol de atividades do profissional previsto na Lei 12.378/2010 (art. 2º, XII). Para isso, ele precisa de registro ativo no CAU e de RRT de execução.

Qual a diferença entre acompanhamento e execução de obra?

Na execução, o profissional é o responsável técnico pela construção e responde por ela. No acompanhamento, o arquiteto autor verifica se a obra segue o projeto e esclarece dúvidas, sem assumir a execução. São serviços diferentes, que devem estar descritos no contrato e no RRT.

Por quanto tempo o construtor responde por problemas na obra?

Nas construções consideráveis, o empreiteiro de materiais e execução responde por cinco anos se a obra apresentar problema de solidez ou de segurança (Código Civil, art. 618). O dono da obra tem 180 dias, contados do aparecimento do defeito, para entrar com a ação.

O BIM é obrigatório?

Para obras privadas, não há exigência federal. No governo federal, o Decreto 10.306/2020 obriga os órgãos vinculados a ele a usar o BIM em fases, a partir de 2021, nos projetos e obras considerados de relevância.

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