IGP-M: o que é, como é calculado e como fazer a conta do acumulado

Como a FGV calcula o IGP-M, por que ele oscila tanto, os números de agosto de 2026, como calcular o acumulado de qualquer período e o que fazer quando o índice fica negativo.
O IGP-M é o índice de preços da Fundação Getulio Vargas que, por décadas, serviu de régua para o aluguel no Brasil. Em agosto de 2026, ele caiu 0,22% no mês e acumulou 2,16% em doze meses, segundo a FGV. A seguir, veja como o índice é montado, por que ele oscila muito mais que a inflação oficial, como calcular o acumulado de qualquer período e o que muda quando ele vai para o campo negativo.
As regras do reajuste do aluguel em si, como mês de referência, aviso ao inquilino, revisão e imposto de renda, estão no passo a passo de como calcular o reajuste do aluguel. A escolha entre índices no contrato é tratada no texto de comparação entre IGP-M, IPCA e IVAR. Este texto fica com o próprio IGP-M.
Pontos principais
- O IGP-M é calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, com preços coletados do dia 21 de um mês ao dia 20 do mês seguinte, e divulgado no penúltimo dia útil de cada mês.
- É uma média de três índices: o índice ao produtor, com 60%, o índice ao consumidor, com 30%, e o custo da construção, com 10%. O peso do produtor, ligado a commodities e ao dólar, explica a volatilidade.
- Agosto de 2026: −0,22% no mês, 1,85% no ano e 2,16% em doze meses. O próximo resultado sai em 29 de setembro de 2026.
- O acumulado se calcula multiplicando os fatores mensais, nunca somando os percentuais.
- Em 2020 e 2021, o IGP-M subiu 23,14% e 17,78%; em 2023 e 2025, ficou negativo. O que acontece com o aluguel quando o índice é negativo depende do contrato, não de uma regra da lei.
O que é o IGP-M
IGP-M significa Índice Geral de Preços – Mercado. É um dos três índices gerais de preços da FGV, ao lado do IGP-DI e do IGP-10. O Banco Central mantém a série mensal do IGP-M desde junho de 1989.
O "geral" do nome indica que ele não mede só o custo de vida do consumidor. Mede também os preços que produtores recebem no atacado e o custo de construir. Por isso o IGP-M reage a movimentos da economia que o consumidor só sente meses depois, como a alta do minério, da soja, do petróleo ou do dólar.
No mercado imobiliário ele ganhou o apelido de "inflação do aluguel", porque foi durante muito tempo o índice mais comum nos contratos de locação. Também aparece em contratos de compra de imóvel parcelado, em contratos comerciais de longo prazo e em algumas cláusulas de correção de dívidas entre empresas.
Os três componentes
O IGP-M é a média ponderada de três índices calculados pela FGV:
| Componente | Peso | O que mede |
|---|---|---|
| IPA-M (Índice de Preços ao Produtor Amplo) | 60% | Preços recebidos por produtores agropecuários e industriais, em todas as etapas da cadeia |
| IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor) | 30% | Preços pagos pelas famílias no varejo e em serviços |
| INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção) | 10% | Materiais, equipamentos, serviços e mão de obra da construção |

IPA-M. Mede os preços de venda de produtos agropecuários e industriais, das matérias-primas brutas aos bens finais. Como muitos desses produtos têm preço formado no mercado internacional, o IPA sobe quando o dólar se valoriza ou quando commodities como minério de ferro, soja, milho, carne e petróleo ficam mais caras. Com peso de 60%, é ele que comanda o IGP-M.
IPC-M. É o índice de preços ao consumidor da FGV, com cesta própria, diferente da do IBGE. Tende a andar perto do IPCA, com diferenças de mês a mês.
INCC-M. Mede o custo de construir habitações: materiais, equipamentos, serviços e mão de obra. É parente do índice que atualiza as prestações de quem compra na planta, explicado no artigo sobre o INCC. Dentro do IGP-M, pesa só 10%.
Período de coleta e calendário
A janela de coleta do IGP-M abre no dia 21 de um mês e fecha no dia 20 do mês que dá nome ao índice. O resultado de agosto de 2026, por exemplo, reflete preços de 21 de julho a 20 de agosto. A divulgação ocorre no penúltimo dia útil do próprio mês de referência, antes do fim do mês.
Durante o mês, a FGV ainda divulga duas prévias, com parte da coleta. Elas servem para antecipar a tendência, mas o reajuste de contrato usa sempre o resultado final.
O calendário ajuda a entender uma dúvida comum. Um contrato que faz aniversário em setembro costuma usar o acumulado em doze meses até agosto, porque o de setembro ainda não saiu quando o aluguel vence. O contrato é que define o mês de referência.
IGP-M, IGP-DI e IGP-10
Os três índices gerais da FGV têm a mesma composição e os mesmos pesos. Mudam o período de coleta e a data de divulgação.
| Índice | Período de coleta | Uso mais comum |
|---|---|---|
| IGP-M | Do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de referência | Aluguéis e contratos privados |
| IGP-DI | Do dia 1º ao último dia do mês de referência | Séries econômicas e alguns contratos de longo prazo |
| IGP-10 | Do dia 11 do mês anterior ao dia 10 do mês de referência | Menos usado em contratos |
Por usarem janelas diferentes, os três costumam dar resultados próximos, mas não iguais. Em doze meses fechados em agosto de 2026, o IGP-DI somou cerca de 2,6%, e o IGP-M, 2,16%. Em contrato, vale o índice escrito na cláusula, e trocar um pelo outro sem acordo gera cobrança errada.
Por que o IGP-M oscila tanto
O IGP-M sobe e desce mais que o IPCA por causa do peso de 60% dos preços ao produtor. Dois exemplos recentes mostram o efeito:
- 2020: o dólar médio passou de R$ 4,15 em janeiro para R$ 5,64 em maio, e as commodities agrícolas e metálicas subiram. O IPA-M acumulou cerca de 31,6% no ano, enquanto o IPC-M ficou perto de 4,8%. O IGP-M fechou em 23,14%, e o IPCA, em 4,52%.
- 2025: o movimento se inverteu. O IPA-M caiu cerca de 3,3% no ano, o IPC-M subiu perto de 4,1% e o INCC-M, cerca de 6,1%. O IGP-M terminou em −1,05%, e o IPCA, em 4,26%.
O IGP-M, portanto, não é um índice "errado" nem "inflado". Ele mede uma inflação diferente, mais ligada à produção e ao comércio exterior. Isso é útil para contratos entre empresas cujos custos seguem esses preços, e menos útil para um aluguel residencial, em que o inquilino paga com renda que acompanha o custo de vida.
A volatilidade funciona nos dois sentidos. Quem tem aluguel corrigido pelo IGP-M pagou reajustes muito altos em 2020 e 2021 e reajustes negativos ou quase nulos em 2023 e 2025.
IGP-M hoje: os números de agosto de 2026
A FGV divulgou o IGP-M de agosto de 2026 em 28 de agosto. O resultado foi de −0,22% no mês, depois de −1,16% em julho. No ano, o índice acumulou 1,85% e, em doze meses, 2,16%.
Por componente, o IPA-M caiu 0,34% em agosto, o IPC-M recuou 0,41% e o INCC-M subiu 0,85%. Segundo a FGV, as quedas de energia, tomate, batata, passagem aérea e gasolina puxaram o índice ao consumidor para baixo, enquanto os produtos agropecuários subiram 2,73% no índice ao produtor. Em doze meses, os três componentes acumularam cerca de 1,1% (IPA-M), 3,7% (IPC-M) e 6,6% (INCC-M).
| Mês | Variação no mês |
|---|---|
| Set/2025 | 0,42% |
| Out/2025 | −0,36% |
| Nov/2025 | 0,27% |
| Dez/2025 | −0,01% |
| Jan/2026 | 0,41% |
| Fev/2026 | −0,73% |
| Mar/2026 | 0,52% |
| Abr/2026 | 2,73% |
| Mai/2026 | 0,84% |
| Jun/2026 | −0,50% |
| Jul/2026 | −1,16% |
| Ago/2026 | −0,22% |
O salto de 2,73% em abril de 2026 mostra como um único mês pode mudar o acumulado. Nos doze meses até março, o IGP-M estava negativo; um mês depois, já era positivo.
Com o acumulado de 2,16%, um aluguel de R$ 2.000 com aniversário em setembro de 2026 e cláusula pelo IGP-M passa a R$ 2.043,20. O próximo IGP-M, de setembro, sai em 29 de setembro de 2026.
O IGP-M ano a ano
| Ano | IGP-M | IPCA |
|---|---|---|
| 2020 | 23,14% | 4,52% |
| 2021 | 17,78% | 10,06% |
| 2022 | 5,45% | 5,79% |
| 2023 | −3,18% | 4,62% |
| 2024 | 6,54% | 4,83% |
| 2025 | −1,05% | 4,26% |
Em seis anos, o IGP-M acumulou cerca de 56,1%, e o IPCA, cerca de 39,2%. Quase toda a diferença veio de 2020 e 2021. Nos quatro anos seguintes, o IGP-M ficou abaixo do IPCA em três.
Anos com IGP-M negativo não são raros. Aconteceu em 2009, 2017, 2023 e 2025. O mês mais negativo da série foi junho de 2023, com −1,93%. No outro extremo, durante a hiperinflação, o IGP-M chegou a 83,95% em um único mês, março de 1990.
Uma breve história do IGP-M
A série do IGP-M no Banco Central começa em junho de 1989, em plena escalada da inflação. Naquele período, contratos de todo tipo precisavam de um índice confiável e de divulgação rápida, e o IGP-M, com coleta que termina no dia 20 e resultado antes do fim do mês, atendia a essa necessidade.
Com o Plano Real, a correção monetária foi limitada a periodicidade anual, e o IGP-M se firmou como índice padrão dos aluguéis. Nos primeiros anos da nova moeda, a inflação ainda era alta: nos doze meses de julho de 1994 a junho de 1995, o IGP-M acumulou cerca de 26,9%.
Depois vieram os anos em que o câmbio mostrou seu peso. Em 1999, com a desvalorização do real, o índice subiu cerca de 20,1%, contra 1,8% no ano anterior. Em 2002, ano de forte alta do dólar, chegou a cerca de 25,3%. Em 2015, passou de 10%. E em 2020 e 2021 vieram os dois anos seguidos acima de 17%, que levaram boa parte do mercado a rever o uso do índice em contratos residenciais.
A história mostra um padrão: o IGP-M acompanha o IPCA na maior parte do tempo, mas se descola dele com força sempre que o dólar ou as commodities dão um salto.
Como ler o release da FGV
Todo mês, a FGV publica um relatório com o resultado do IGP-M e o detalhamento de cada componente. Algumas partes ajudam a entender o número:
- IPA por estágio: o índice ao produtor é aberto em matérias-primas brutas, bens intermediários e bens finais. Alta em matérias-primas costuma chegar aos estágios seguintes nos meses posteriores.
- IPA agropecuário e industrial: mostra se a pressão vem do campo (soja, milho, carnes, café) ou da indústria (minério, derivados de petróleo, metais).
- IPC por classe de despesa: alimentação, habitação, transportes, saúde, educação e outras. Dá uma ideia do custo de vida medido pela FGV.
- INCC por tipo de custo: materiais e equipamentos, serviços e mão de obra. Reajustes salariais da construção costumam aparecer em saltos concentrados em poucos meses.
- Principais influências: a lista dos itens que mais puxaram o índice para cima e para baixo no mês.
Para quem só precisa reajustar um contrato, basta o acumulado em doze meses. Para quem negocia um contrato novo, olhar o que está movendo o índice ajuda a prever se a tendência deve continuar.
Como calcular o IGP-M acumulado
O acumulado de um período é o produto dos fatores mensais. Cada variação vira um fator (1 + variação ÷ 100), os fatores são multiplicados, e do resultado se tira 1.
- Liste as variações mensais do período, com sinal.
- Transforme cada uma em fator: 0,42% vira 1,0042; −0,36% vira 0,9964.
- Multiplique todos os fatores.
- Subtraia 1 e multiplique por 100 para ter o percentual acumulado.
Por que não somar. Somar funciona mal porque cada mês incide sobre o valor já corrigido. Em períodos curtos e com índices baixos, a diferença é pequena. Em períodos de índice alto, ela aparece. Em 2020 e 2021, a soma dá 40,92% (23,14 + 17,78), mas o acumulado correto é 45,03% (1,2314 × 1,1778). Num aluguel de R$ 2.000, é a diferença entre R$ 2.818 e R$ 2.901 por mês.
Exemplo com dados reais. De janeiro a agosto de 2026, os fatores foram 1,0041; 0,9927; 1,0052; 1,0273; 1,0084; 0,9950; 0,9884 e 0,9978. O produto é 1,0185, ou seja, 1,85% no ano, exatamente o número divulgado pela FGV.
Diferenças de arredondamento. A FGV calcula o acumulado a partir do número-índice com várias casas decimais. Quem multiplica as variações mensais já arredondadas em duas casas pode chegar a um resultado 0,01 ou 0,02 ponto diferente. No acumulado encerrado em agosto de 2026, a conta com os percentuais arredondados dá 2,18%, e o número oficial é 2,16%. Para contrato, use sempre o acumulado publicado pela FGV.
Onde consultar
- FGV Ibre: o portal do IGP traz o release de cada mês, com o acumulado no ano e em doze meses.
- Banco Central: o Sistema Gerenciador de Séries Temporais replica a série mensal do IGP-M (série 189), e a Calculadora do Cidadão corrige valores entre duas datas pelo IGP-M, pelo IPCA e por outros índices.
- Painéis setoriais: o hub de dados da CBIC reúne em uma mesma página a variação em doze meses do INCC, do IGP-M, do IPCA e do INPC, com a fonte de cada série.
O IGP-M no contrato de aluguel
O reajuste pelo IGP-M segue a conta de sempre: aluguel atual × (1 + acumulado em doze meses ÷ 100). O passo a passo, com mês de referência, arredondamento e modelo de comunicação ao inquilino, está no passo a passo de como calcular o reajuste do aluguel. Três pontos específicos do IGP-M merecem atenção.
O índice precisa estar no contrato. Locador e inquilino escolhem o índice livremente; a Lei 8.245/1991, no art. 17, só veda vincular o aluguel ao câmbio ou ao salário mínimo. Se a cláusula não menciona o IGP-M, ele não pode ser aplicado por decisão de uma só parte. Mudar de índice durante a locação exige acordo escrito; as regras da Lei do Inquilinato sobre isso estão no artigo sobre a lei.
Não existe prazo legal de aviso de 30 dias. Nenhum artigo da Lei do Inquilinato fixa antecedência para comunicar um reajuste que já está no contrato. Mandar a conta por escrito alguns dias antes do vencimento é boa prática e evita discussão, mas não é condição de validade, salvo se o próprio contrato exigir.
Reajuste não é revisão. O reajuste só aplica o índice combinado. Se o aluguel ficou muito acima ou muito abaixo do mercado, o caminho é a revisão, por acordo ou, passados três anos de vigência ou do último ajuste de valor, por ação judicial (art. 19). Na revisional, existe aluguel provisório, limitado a 80% do valor pedido pelo locador ou, se a ação é do inquilino, a pelo menos 80% do valor em vigor (art. 68, com a redação da Lei 12.112/2009).
Quando o IGP-M fica negativo
Com o IGP-M de −1,05% em 2025, muitos contratos com aniversário em janeiro de 2026 tiveram índice negativo. A lei não diz se o aluguel deve cair. A resposta está no contrato:
- se a cláusula fala em "reajuste pela variação do IGP-M", a leitura literal leva à redução;
- se o contrato prevê que índice negativo não reduz o valor, o aluguel fica igual;
- se o contrato é omisso, o caminho mais seguro é o acordo entre as partes, registrado por escrito.
Num aluguel de R$ 2.000, a aplicação literal de −1,05% leva a R$ 1.979. Os cenários e os argumentos de cada lado estão no passo a passo de como calcular o reajuste do aluguel. Na redação de um contrato novo, vale escrever expressamente o que acontece com índice negativo.
Contratos comerciais e o art. 54-A
Na locação não residencial em que o locador compra, constrói ou reforma substancialmente o imóvel sob medida para o inquilino, as condições livremente pactuadas prevalecem. Nesse tipo de contrato, chamado built to suit, o art. 54-A (acrescentado em 2012) permite que as partes abram mão da revisão do aluguel enquanto o contrato durar. Nesses casos, o índice escrito, muitas vezes o IGP-M, governa o valor sozinho até o fim do prazo. Por isso a escolha do índice num contrato desse tipo pesa mais do que numa locação residencial.
Caução em dinheiro não segue o IGP-M
Um detalhe que costuma confundir: a caução em dinheiro dada como garantia do aluguel não é corrigida pelo índice do contrato. Pela Lei do Inquilinato, ela não pode passar de três meses de aluguel e deve ser depositada em caderneta de poupança, e os rendimentos pertencem ao inquilino na devolução (art. 38, § 2º):
“§ 2º A caução em dinheiro, que não poderá exceder o equivalente a três meses de aluguel, será depositada em caderneta de poupança, autorizada, pelo Poder Público e por ele regulamentada, revertendo em benefício do locatário todas as vantagens dela decorrentes por ocasião do levantamento da soma respectiva.” (Lei 8.245/1991, art. 38)
Mesmo num contrato pelo IGP-M, portanto, o valor a devolver segue a poupança.
O IGP-M fora do aluguel
O IGP-M aparece em outros contratos ligados a imóveis:
- compra parcelada direto com a incorporadora: é comum o saldo ser corrigido pelo INCC durante a obra e, depois das chaves, pelo IGP-M ou pelo IPCA, com juros. O índice de cada fase deve constar por escrito na compra e venda do imóvel;
- contratos de longo prazo entre empresas: fornecimento, arrendamento e locações atípicas, em que os custos das partes seguem mais os preços ao produtor;
- cláusulas de correção de dívidas definidas pelas partes. Quando nada é combinado e não há lei específica, a regra do Código Civil desde 2024 é o IPCA, não o IGP-M.
Onde o IGP-M não manda
Nem todo contrato de trato sucessivo segue o índice. O reajuste anual de plano de saúde individual ou familiar obedece ao percentual máximo definido pela ANS, só pode ser aplicado no aniversário do contrato e depende de autorização da agência. Vale para os planos contratados depois de 1º de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei 9.656/1998. Contas de água, luz e gás seguem as regras de cada agência reguladora e contrato de concessão.
IGP-M ou IPCA: o que pesa na escolha
Desde a disparada de 2020, administradoras como o QuintoAndar passaram a usar o IPCA como padrão em contratos residenciais novos, mas o IGP-M continua em muitos contratos antigos e comerciais. A escolha depende do que as partes querem proteger:
- o IGP-M protege melhor o locador em anos de dólar e commodities em alta, e o inquilino em anos de queda desses preços;
- o IPCA acompanha o custo de vida e oscila menos, o que dá previsibilidade às duas partes;
- o IVAR, também da FGV, mede o próprio aluguel residencial em contratos reais.
Quem quer ver a série de cada índice e o efeito num contrato ao longo dos anos encontra tudo no guia sobre qual índice de reajuste de aluguel usar. Também existe o IPC-Fipe, calculado para a capital paulista e usado em alguns contratos de lá.
Reajuste contratual não é preço de mercado
O índice corrige o contrato em vigor e nada diz sobre quanto o mesmo imóvel valeria num contrato assinado hoje. Quem acompanha essa outra ponta é o Índice FipeZap, calculado pela Fipe a partir de anúncios de venda e locação em portais do Grupo OLX. As pesquisas de locação do Secovi-SP também ajudam a acompanhar o mercado, e não só o indexador.
Quando o acumulado do IGP-M descola do que o mercado local pratica, a diferença aparece na renovação e vira assunto de negociação. Depois de 2020 e 2021, o reajuste pelo índice passou de 45% em dois anos; em 2023 e 2025, ficou negativo. Nos dois cenários, o aluguel do contrato deixou de refletir o que imóveis parecidos alcançavam em novos anúncios. Para saber se o valor do aluguel de um imóvel está alinhado ao mercado, o índice não basta: é preciso comparar com imóveis semelhantes na mesma região.
Por que o IGP-M não mede custo de vida
O IGP-M é um índice de inflação legítimo e bem documentado, mas mede uma coisa diferente do custo de vida. Com 60% de preços ao produtor, ele segue dólar e commodities e por isso alterna anos de alta forte com anos de queda. Para usá-lo no aluguel, basta conferir a cláusula do contrato, pegar o acumulado oficial em doze meses no mês de referência e multiplicar, sem somar percentuais mensais.
Se o reajuste pelo índice deixou o aluguel longe do mercado, uma avaliação independente ajuda na negociação. A Valen Brasil prepara pareceres de valor de aluguel e de venda de imóveis catarinenses, apoiados em comparação com ofertas e negócios da região.
Perguntas frequentes
Quanto está o IGP-M acumulado em 12 meses?
Até agosto de 2026, o IGP-M acumulou 2,16% em doze meses, segundo a FGV. No ano, a alta foi de 1,85%. O resultado de setembro sai em 29 de setembro de 2026.
Como calcular o IGP-M acumulado de vários meses?
Transforme cada variação mensal em fator (1 + variação ÷ 100), multiplique todos os fatores e subtraia 1. Somar os percentuais dá um resultado errado, que se afasta mais do correto quanto maiores forem os índices.
O aluguel diminui se o IGP-M for negativo?
Depende do contrato. A lei não obriga nem proíbe a redução. Se a cláusula manda aplicar a variação do índice, a leitura literal reduz o aluguel; se o contrato prevê que índice negativo não reduz o valor, ele fica igual. Na dúvida, o acordo por escrito evita conflito.
Qual a diferença entre IGP-M e IGP-DI?
A composição e os pesos são os mesmos. Muda o período de coleta: a janela do IGP-M abre no dia 21 e fecha no dia 20 do mês seguinte, e o IGP-DI cobre o mês cheio, do dia 1º ao último dia.
Existe prazo mínimo de aviso antes de reajustar pelo IGP-M?
A lei não exige prazo mínimo de aviso para aplicar um reajuste previsto no contrato. Avisar por escrito e com antecedência é recomendável, e o contrato pode estabelecer um prazo.
O IGP-M é a inflação oficial?
Não. A inflação oficial do Brasil é o IPCA, calculado pelo IBGE e usado na meta de inflação. O IGP-M é um índice da FGV, com peso grande de preços ao produtor, e costuma ficar bem acima ou bem abaixo do IPCA em anos de dólar e commodities voláteis.
Por que o IGP-M subiu tanto em 2020?
Porque o dólar se valorizou com força no início da pandemia e as commodities agrícolas e metálicas subiram. O índice de preços ao produtor, que pesa 60% no IGP-M, acumulou cerca de 31,6% no ano, e o IGP-M fechou em 23,14%.
Dá para mudar do IGP-M para o IPCA durante a locação?
Sim, se locador e inquilino concordarem. O art. 18 da Lei do Inquilinato autoriza as partes a alterar juntas a forma de reajuste. A mudança deve ser formalizada em aditivo assinado pelos dois.
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