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Investimento Imobiliário

IPCA: o que é, como é calculado e como afeta aluguel e contratos

Editora Valen •
Carrinho de supermercado sobre fundo roxo, ao lado da sigla IPCA em letras brancas
O IPCA mede a variação de preços de uma cesta de consumo das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.

O que o IPCA mede, como o IBGE calcula o índice, os números de agosto de 2026 e onde ele entra no aluguel, no financiamento, nas dívidas e nos investimentos.

O IPCA mede a inflação oficial brasileira. Ele aparece no reajuste do aluguel, na correção do saldo de alguns financiamentos imobiliários, no rendimento do Tesouro IPCA+ e, desde 2024, é o índice que o Código Civil manda aplicar quando uma dívida não tem correção combinada. Segundo o IBGE, o índice somou 4,22% no período de doze meses que terminou em agosto de 2026.

Este artigo explica o que o IPCA mede, como o IBGE chega ao número, onde ele entra nos contratos imobiliários e como usar a série para corrigir valores. O passo a passo do reajuste de aluguel está no guia de como calcular o reajuste do aluguel, e a escolha entre índices, na comparação entre IGP-M, IPCA e IVAR. Aqui fica o que é próprio do IPCA.

Homem lê um contrato de aluguel impresso, com uma calculadora sobre a mesa
O IPCA é hoje um dos índices mais usados nos contratos de aluguel residencial.

Pontos principais

  • O IPCA é calculado pelo IBGE todo mês e acompanha os preços pagos por lares com renda de 1 a 40 salários mínimos, em 16 áreas urbanas. Florianópolis e as cidades de Santa Catarina não estão na amostra.
  • Em agosto de 2026, o índice ficou em −0,32% no mês, 3,11% no ano e 4,22% em doze meses.
  • É o índice da meta de inflação: 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, apurada mês a mês desde 2025.
  • Desde agosto de 2024, quando o contrato ou a lei não fixam índice, a dívida em atraso é corrigida pelo IPCA (Código Civil, art. 389).
  • No mercado imobiliário, o IPCA corrige aluguéis, financiamentos pós-fixados pelo IPCA, parcelas de imóveis comprados na planta depois das chaves e títulos como LCI, CRI e Tesouro IPCA+.
  • Para corrigir um valor, divide-se o número-índice do mês final pelo do mês inicial. Percentuais de meses diferentes se multiplicam, não se somam.

O que é o IPCA

Por extenso, IPCA quer dizer Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Quem produz o índice é o IBGE, desde janeiro de 1980, com série iniciada em dezembro de 1979, dentro do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC), o mesmo que produz o INPC.

O índice acompanha o custo de uma cesta de produtos e serviços comprados no varejo por lares com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos, venha a renda de salário, aposentadoria, aluguel ou outra origem. Essa faixa é larga de propósito: o IPCA quer representar o consumo da maior parte das famílias urbanas, e não de um grupo específico. Por isso o governo o adota como medida oficial da inflação.

O resultado é divulgado de três formas:

  • variação mensal: quanto os preços subiram ou caíram no mês;
  • variação acumulada no ano: de janeiro até o mês divulgado;
  • variação acumulada em doze meses: a que aparece nos contratos de aluguel e na meta de inflação.

Por trás dos percentuais há um número-índice, com base 100 em dezembro de 1993. É ele que permite corrigir valores entre quaisquer duas datas, como mostra a seção sobre cálculo mais abaixo.

IPCA-15 e IPCA-E

O IPCA-15 usa a mesma metodologia e a mesma faixa de renda do IPCA, mas muda o período de coleta e a área pesquisada. Os preços do IPCA-15 de setembro de 2026, por exemplo, foram coletados de 16 de agosto a 15 de setembro, em nove regiões metropolitanas, em Brasília e em Goiânia. O resultado sai antes do IPCA cheio e funciona como prévia da inflação do mês. Em setembro de 2026, o IPCA-15 foi de 0,70%, depois de −0,40% em agosto, segundo o IBGE.

O IPCA-E é o IPCA-15 acumulado a cada trimestre. Ficou em 0,36% no trimestre encerrado em setembro de 2026. Aparece sobretudo em correções de valores públicos e em alguns contratos com o setor público. Em contratos imobiliários entre particulares, o comum é usar o IPCA cheio.

Como o IBGE calcula o IPCA

O cálculo tem três partes: a coleta de preços, os pesos de cada item e a agregação.

Coleta. Pesquisadores do IBGE registram, ao longo do mês de referência, os preços de produtos e serviços em estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço. A pesquisa cobre 16 áreas: as regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Grande Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, mais Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Santa Catarina não entra na coleta. Quem mora em Balneário Camboriú, Itajaí ou Florianópolis tem os preços da sua cidade representados, na prática, pelas áreas vizinhas, sobretudo Curitiba e Porto Alegre. Por isso a inflação sentida no litoral catarinense, principalmente em moradia, pode ser diferente da média nacional.

Pesos. O que cada família gasta vem da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). A estrutura em uso desde janeiro de 2020 foi montada com a POF 2017-2018 e tem 377 subitens, como arroz, gasolina, aluguel residencial, plano de saúde e mensalidade escolar. Os pesos mudam um pouco a cada mês, porque os itens que sobem mais passam a representar uma fatia maior do orçamento.

Agregação. O IBGE calcula a variação de preço de cada subitem em cada área, combina os subitens em itens, subgrupos e grupos pelos pesos, e depois junta as 16 áreas, ponderadas pela participação de cada uma no consumo. O resultado é o índice geral.

Os nove grupos do IPCA e seus pesos em agosto de 2026 foram estes:

Grupos do IPCA em agosto de 2026 (IBGE, Sidra, tabela 7060)
GrupoPeso no índiceVariação no mês
Alimentação e bebidas21,51%−0,34%
Transportes20,27%−0,86%
Habitação15,50%−1,87%
Saúde e cuidados pessoais13,76%0,23%
Despesas pessoais10,24%1,30%
Educação6,16%0,47%
Vestuário4,60%0,12%
Comunicação4,50%−0,09%
Artigos de residência3,45%0,64%
Índice geral100%−0,32%

Alimentação e bebidas e Transportes somam cerca de 42% do índice. Por isso choques em comida e combustível mexem tanto com o IPCA.

Homem de terno consulta um tablet e uma prancheta no corredor de um supermercado
O IPCA parte da coleta de preços no comércio e nos serviços, feita todo mês em 16 áreas urbanas do país.

O peso da moradia dentro do IPCA

O grupo Habitação reúne aluguel, condomínio, taxa de água e esgoto, reparos, energia elétrica, gás e artigos de limpeza. Em agosto de 2026, os principais subitens ligados ao imóvel tinham estes pesos e variações:

Subitens de moradia no IPCA, agosto de 2026 (IBGE, Sidra, tabela 7060)
SubitemPeso no índiceVariação em 12 meses
Aluguel residencial3,64%4,97%
Condomínio2,22%4,09%
Taxa de água e esgoto1,89%6,27%
Reparos (subgrupo)1,34%6,06%
Energia elétrica residencial4,30%4,95%

Dois pontos chamam atenção. O primeiro é que o aluguel residencial pesa menos de 4% no índice, porque só uma parte das famílias paga aluguel. O segundo é que a queda de 1,87% em Habitação em agosto veio da conta de luz, que caiu 7,63% no mês. Aluguel e condomínio subiram. Um mês de IPCA negativo, portanto, não significa que morar ficou mais barato.

IPCA hoje: os números de agosto de 2026

O IPCA de agosto de 2026 foi divulgado pelo IBGE em 11 de setembro. O índice caiu 0,32% no mês, acumulou 3,11% no ano e 4,22% em doze meses, abaixo dos 4,44% registrados até julho.

IPCA acumulado em 12 meses, de setembro de 2025 a agosto de 2026 (IBGE)
MêsVariação no mêsAcumulado em 12 meses
Set/20250,48%5,17%
Out/20250,09%4,68%
Nov/20250,18%4,46%
Dez/20250,33%4,26%
Jan/20260,33%4,44%
Fev/20260,70%3,81%
Mar/20260,88%4,14%
Abr/20260,67%4,39%
Mai/20260,58%4,72%
Jun/20260,16%4,64%
Jul/20260,07%4,44%
Ago/2026−0,32%4,22%

Num contrato indexado ao IPCA com reajuste previsto para setembro de 2026, o percentual de reajuste é o acumulado até agosto: 4,22%. Um aluguel de R$ 2.500 passaria para R$ 2.605,50. As regras de mês de referência, arredondamento e negociação estão no guia de como calcular o reajuste do aluguel.

Os números acima valem para a data desta revisão. O IPCA de setembro sai em outubro; confira sempre o dado mais recente no IBGE antes de aplicar um reajuste.

O IPCA ano a ano

IPCA anual, 2015 a 2025 (IBGE, Sidra, tabela 1737)
AnoIPCA no ano
201510,67%
20166,29%
20172,95%
20183,75%
20194,31%
20204,52%
202110,06%
20225,79%
20234,62%
20244,83%
20254,26%

De 2021 a 2025, o IPCA acumulou 33,1%. Quem tinha um aluguel de R$ 3.000 no começo de 2021 e o reajustou todo ano pelo índice pagaria cerca de R$ 3.994 em 2026. A comparação com o IGP-M e o INPC no mesmo período, contrato a contrato, está na comparação entre IGP-M, IPCA e IVAR.

Para que serve o IPCA

Meta de inflação e juros

O IPCA é o índice usado para medir a meta de inflação. A regra atual está no Decreto 12.079/2024 e na Resolução CMN 5.141/2024: a meta é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, e passou a ser contínua a partir de 2025. Em vez de olhar só o IPCA de dezembro, o Banco Central é cobrado mês a mês pelo acumulado em doze meses.

“Art. 2º A partir de 1º de janeiro de 2025, será considerado que a meta foi descumprida quando a inflação, medida pela variação acumulada em doze meses do índice de preços a que se refere o art. 4º, desviar-se por seis meses consecutivos da faixa do respectivo intervalo de tolerância.” (Decreto 12.079/2024, art. 2º)

Com essa regra, o IPCA acima de 4,5% de janeiro a junho de 2025 configurou o primeiro descumprimento da meta contínua. Quando isso ocorre, o Banco Central precisa explicar as causas em carta aberta ao ministro da Fazenda e no Relatório de Política Monetária (art. 6º do decreto).

A ferramenta do Banco Central para levar a inflação à meta é a taxa Selic. A meta da Selic passou a 13,75% ao ano em 17 de setembro de 2026, no quinto corte seguido desde março, quando estava em 15%. A Selic e as expectativas para o IPCA influenciam os juros do crédito imobiliário, como mostra o artigo sobre juros de financiamento imobiliário.

Correção de dívidas quando o contrato não fixa índice

A Lei 14.905/2024 mudou o Código Civil e tornou o IPCA o índice padrão de atualização monetária. A regra vale desde 30 de agosto de 2024.

“Parágrafo único. Na hipótese de o índice de atualização monetária não ter sido convencionado ou não estar previsto em lei específica, será aplicada a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado e divulgado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou do índice que vier a substituí-lo.” (Código Civil, art. 389)

A mesma lei definiu a taxa legal de juros, usada quando os juros não foram combinados: é a Selic menos o IPCA, e, se o resultado for negativo, os juros do período são zero (art. 406, §§ 1º e 3º). O Banco Central divulga essa taxa todo mês.

No dia a dia imobiliário, isso aparece em situações como estas:

  • taxa de condomínio em atraso: se a convenção não fixa o índice, a dívida é corrigida pelo IPCA e recebe os juros da taxa legal, além da multa de até 2% (Código Civil, art. 1.336, § 1º);
  • devolução de sinal ou de valores pagos em negócio desfeito, quando o contrato não diz como corrigir;
  • indenizações e cobranças entre particulares, como aluguéis atrasados em contratos sem cláusula de correção.

Quem redige um contrato continua livre para escolher outro índice. O IPCA só entra quando o contrato e a lei específica ficam em silêncio.

Salários, benefícios e planejamento

O IPCA também serve de referência em negociações salariais, no planejamento de empresas e no cálculo do rendimento real de aplicações. Já o reajuste do salário mínimo e dos benefícios do INSS acima do mínimo usa o INPC, que é da mesma pesquisa, mas considera só as famílias de 1 a 5 salários mínimos.

IPCA nos contratos imobiliários

Aluguel

A Lei do Inquilinato deixa as partes livres para escolher o índice de reajuste, desde que não seja o salário mínimo nem a variação cambial (Lei 8.245/1991, art. 17), e a correção só pode ser anual. Durante décadas, o IGP-M dominou os contratos. A virada começou em 2020, quando o IGP-M passou de 20% em doze meses. O QuintoAndar, por exemplo, adotou o IPCA como padrão nos novos contratos com propostas a partir de 26 de novembro de 2020, segundo a própria empresa.

A vantagem do IPCA para o aluguel é medir o custo de vida do consumidor, e não preços no atacado ou câmbio. A desvantagem, do ponto de vista do proprietário, é que ele pode ficar abaixo da alta real dos aluguéis numa cidade que está valorizando. Por isso alguns contratos comerciais preferem índices próprios de aluguel. Em shoppings, o reajuste costuma seguir regras próprias, explicadas no artigo sobre aluguel de loja em shopping.

Para simular o reajuste, basta o valor do aluguel atual e o IPCA acumulado em doze meses até o mês anterior ao aniversário. Quem quiser comparar com o IGP-M encontra o cálculo passo a passo no artigo próprio desse índice.

Um homem e uma mulher revisam papéis juntos em uma mesa de escritório, ao lado de um notebook
A escolha do índice e a data de aniversário do reajuste ficam escritas no contrato de aluguel.

Financiamento pelo IPCA

Alguns bancos oferecem crédito imobiliário com juros menores somados à correção pelo IPCA, no lugar da TR. Em agosto de 2026, a taxa média da Caixa nessa modalidade era de 4,84% ao ano mais o IPCA, segundo o Banco Central. Com o IPCA de 4,22% em doze meses, o custo nominal chegaria a cerca de 9,26% ao ano, antes de seguros e tarifas.

A parcela inicial fica menor, mas o saldo devedor sobe todo mês com a inflação. A comparação com as linhas pela TR, com exemplo de primeira parcela, está no artigo sobre financiamento pelo IPCA.

Compra na planta

Nos imóveis vendidos na planta, as parcelas pagas durante a obra costumam ser corrigidas pelo INCC, que mede o custo da construção. Depois da entrega das chaves, o saldo passa a ser corrigido por outro índice, e o IPCA é uma das escolhas comuns, ao lado do IGP-M, geralmente com juros. O índice de cada fase precisa estar no contrato; vale ler essa cláusula antes da compra e venda do imóvel.

Valorização real do imóvel

Um imóvel que sobe menos que o IPCA perdeu valor em termos reais, mesmo com preço maior em reais. O índice FipeZAP de venda residencial subiu 5,49% no período de doze meses encerrado em agosto de 2026, contra 4,22% do IPCA. O ganho real médio foi de cerca de 1,2%. A série longa e o cálculo da valorização real do imóvel ficam no guia sobre quanto os imóveis sobem a cada ano.

Imposto de renda na venda não usa o IPCA

Um ponto que costuma surpreender: na apuração do ganho de capital de quem vende um imóvel, o custo de aquisição não é corrigido pela inflação desde 1996.

“II - tratando-se de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária.” (Lei 9.249/1995, art. 17)

A lei compensa parte da inflação com fatores de redução do ganho, mas eles não seguem o IPCA. O cálculo completo aparece no texto dedicado ao imposto de renda na venda de imóvel.

IPCA e investimentos ligados a imóveis

Vários investimentos pagam IPCA mais uma taxa fixa. O investidor recebe a inflação do período e um ganho real combinado na compra.

  • Tesouro IPCA+: título público federal. Se a taxa contratada é de 6% ao ano e o IPCA é de 4,22%, o rendimento nominal no ano fica em cerca de 10,47% (1,06 × 1,0422), antes do imposto de renda.
  • LCI: a Letra de crédito imobiliário é emitida por bancos, pela Caixa, por companhias hipotecárias e outras instituições autorizadas, e tem como lastro créditos imobiliários com garantia de hipoteca ou de alienação fiduciária (Lei 10.931/2004, art. 12). Pode ter juros prefixados, pós-fixados ou atrelados ao IPCA.
  • CRI: o certificado de recebíveis imobiliários é lastreado em créditos de aluguéis, financiamentos ou vendas de imóveis. Muitos pagam IPCA mais uma taxa.
  • Fundos imobiliários: vários fundos de papel carregam CRIs corrigidos pelo IPCA, e fundos de tijolo têm contratos de aluguel reajustados por esse índice. O funcionamento está no artigo sobre fundo imobiliário.
  • Debêntures incentivadas: as que financiam projetos prioritários de infraestrutura têm rendimentos com alíquota zero de imposto de renda para pessoa física (Lei 12.431/2011, art. 2º) e costumam pagar IPCA mais taxa.

A lógica é a mesma em todos: o IPCA protege o poder de compra, e a taxa fixa é o ganho real. Em preço de mercado, porém, esses títulos oscilam antes do vencimento, e quem vende antes pode receber menos do que aplicou.

Diferenças entre o IPCA e outros índices

Índices de preços usados em contratos, acumulado em 12 meses até agosto de 2026
ÍndiceQuem calculaO que mede12 meses
IPCAIBGEConsumo de famílias com 1 a 40 salários mínimos4,22%
INPCIBGEConsumo de famílias com 1 a 5 salários mínimos3,98%
IGP-MFGVAtacado (60%), consumidor (30%) e construção (10%)2,16%
IVARFGVAluguéis residenciais em contratos de administradoras5,09%
  • INPC: mesma coleta do IPCA, mas com pesos das famílias de menor renda, em que alimentação pesa mais. Em geral fica perto do IPCA.
  • IGP-M: calculado pela FGV, dá peso de 60% aos preços ao produtor, sensíveis a câmbio e commodities. Oscila muito mais que o IPCA: foi de 23,14% em 2020 e de −1,05% em 2025.
  • IPC-Fipe: o índice da Fipe é calculado desde janeiro de 1939 e mede o custo de vida no município de São Paulo, para famílias com renda de 1 a 10 salários mínimos. Serve bem para São Paulo, mas não representa o país.
  • IVAR: mede só aluguéis residenciais, a partir de contratos reais. Mostra a variação do preço da moradia alugada, e não do custo de vida.

Qual usar no aluguel depende do que as partes querem proteger. A análise lado a lado, com a série desde 2020, está no guia sobre qual índice de reajuste de aluguel usar.

O que o IPCA não mede

Por ser um índice de preços ao consumidor, o IPCA deixa de fora algumas coisas que interessam a quem compra, vende ou aluga imóveis:

  • Preço de venda de imóveis. Comprar um imóvel é investimento, não consumo, e por isso o preço dos imóveis à venda não entra na cesta. Para acompanhar esse preço, existem índices como o FipeZAP e o IGMI-R.
  • Custo de construir. Materiais e mão de obra da construção são medidos pelo INCC, da FGV, e pelo Sinapi, do IBGE. Uma obra pode ficar bem mais cara do que o IPCA indica, ou mais barata.
  • O aluguel de novos contratos numa cidade específica. O subitem aluguel residencial do IPCA é uma média nacional das 16 áreas pesquisadas. O preço pedido em novos anúncios no litoral catarinense pode subir em ritmo muito diferente.
  • Famílias de renda muito alta. Quem ganha acima de 40 salários mínimos consome uma cesta diferente, com mais serviços, viagens e bens duráveis, e sua inflação pessoal pode se afastar do índice.

Isso não tira a utilidade do IPCA. Apenas mostra que, para decisões sobre um imóvel em particular, o índice deve ser combinado com dados do mercado local.

Um pouco de história

A série do IPCA começa em dezembro de 1979 e atravessou a hiperinflação. De janeiro de 1980 a junho de 1994, o índice acumulou cerca de 11,3 trilhões por cento, número que mostra por que moedas e cortes de zeros se sucederam naquele período. O recorde mensal foi de 82,39%, em março de 1990.

Com o Plano Real, a inflação mensal caiu rapidamente. Em julho de 1994, primeiro mês da nova moeda, o IPCA ainda foi de 6,84%. Desde agosto de 1994, só um mês passou de 3%: novembro de 2002, com 3,02%. A menor variação mensal da série foi de −0,68%, em julho de 2022, quando a redução de impostos sobre combustíveis e energia derrubou os preços administrados.

Nos anos recentes, os picos foram 2015, com 10,67%, e 2021, com 10,06%. Em ambos, o IPCA ficou acima do teto da meta então vigente.

Como consultar e calcular com o IPCA

Os dados oficiais estão no Sidra, o banco de tabelas do IBGE: a tabela 1737 traz a série histórica com número-índice e variações, e a tabela 7060 traz os grupos, subitens e pesos. O Banco Central replica a série no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (série 433 para a variação mensal e 13522 para o acumulado em doze meses) e oferece a Calculadora do Cidadão, que corrige valores pelo IPCA, pelo INPC, pelo IGP-M e por outros índices.

Para corrigir um valor por conta própria, use o número-índice:

  1. Encontre o número-índice do mês de partida e o do mês de chegada.
  2. Divida o de chegada pelo de partida. O resultado é o fator de correção.
  3. Multiplique o valor original pelo fator.

Exemplo: de agosto de 2016 a agosto de 2026, o fator do IPCA foi de 1,6115. R$ 100.000 de agosto de 2016 equivalem a cerca de R$ 161.149 em agosto de 2026. Um imóvel comprado por R$ 100.000 naquela data e vendido hoje por R$ 150.000 teve ganho nominal, mas perdeu valor em termos reais.

Quem só tem as variações mensais deve multiplicar os fatores, e não somar os percentuais. Três meses de 0,50% dão 1,005 × 1,005 × 1,005, ou 1,51%, e não 1,50%. Em prazos curtos a diferença é pequena. Em dez anos, passa a ser relevante.

Onde o IPCA aparece na sua vida

O IPCA é mais que um número de noticiário. Ele define a meta de inflação que orienta a Selic, corrige dívidas quando o contrato não fixa índice, reajusta boa parte dos aluguéis novos, corrige alguns financiamentos e remunera títulos ligados ao mercado imobiliário. Para usá-lo bem, basta saber qual período se aplica ao contrato, consultar a série oficial e multiplicar fatores em vez de somar percentuais.

Antes de fixar o aluguel ou o preço de venda de um imóvel, vale saber quanto ele valorizou acima da inflação. A Valen Brasil faz avaliações e pareceres de valor de mercado e de aluguel em Santa Catarina, com base em dados do mercado local.

Perguntas frequentes

Quanto está o IPCA acumulado em 12 meses?

Em doze meses até agosto de 2026, a variação foi de 4,22%, pelos dados do IBGE. O dado de setembro sai em outubro. Como o número muda todo mês, confira a divulgação mais recente antes de aplicar um reajuste.

Qual é a diferença entre IPCA e IPCA-15?

A metodologia e a faixa de renda são as mesmas. O IPCA-15 coleta preços da segunda metade de um mês até a primeira metade do seguinte e cobre 11 áreas, contra 16 do IPCA. Sai antes e funciona como prévia.

O IPCA pode ser negativo? O aluguel cai?

Pode. Em agosto de 2026, o IPCA do mês foi de −0,32%. No acumulado de doze meses, porém, o IPCA nunca ficou negativo em toda a série iniciada em 1980; o menor valor desde o Plano Real foi de 1,65%, em janeiro de 1999. Se um dia ficar, o efeito sobre o aluguel depende do que o contrato prevê para índice negativo; o tema está no guia de como calcular o reajuste do aluguel.

Qual índice corrige uma dívida quando o contrato não fala nada?

O IPCA, por força do art. 389 do Código Civil, na redação da Lei 14.905/2024, salvo se uma lei específica fixar outro índice. Os juros, nesse caso, seguem a taxa legal: Selic menos IPCA.

Por que Santa Catarina não está no IPCA?

O IBGE coleta preços em 16 áreas definidas pelo peso populacional e pelo desenho histórico do sistema. Santa Catarina não está entre elas. O índice nacional continua valendo para contratos no estado, mas a inflação local pode ser diferente.

Financiamento pelo IPCA vale a pena?

Depende da renda e do prazo. A parcela inicial é menor, mas o saldo acompanha a inflação. Para quem tem renda corrigida pela inflação e folga no orçamento, pode compensar. A comparação com a TR está no artigo sobre juros de financiamento imobiliário.

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