IPCA: o que é, como é calculado e como afeta aluguel e contratos

O que o IPCA mede, como o IBGE calcula o índice, os números de agosto de 2026 e onde ele entra no aluguel, no financiamento, nas dívidas e nos investimentos.
O IPCA mede a inflação oficial brasileira. Ele aparece no reajuste do aluguel, na correção do saldo de alguns financiamentos imobiliários, no rendimento do Tesouro IPCA+ e, desde 2024, é o índice que o Código Civil manda aplicar quando uma dívida não tem correção combinada. Segundo o IBGE, o índice somou 4,22% no período de doze meses que terminou em agosto de 2026.
Este artigo explica o que o IPCA mede, como o IBGE chega ao número, onde ele entra nos contratos imobiliários e como usar a série para corrigir valores. O passo a passo do reajuste de aluguel está no guia de como calcular o reajuste do aluguel, e a escolha entre índices, na comparação entre IGP-M, IPCA e IVAR. Aqui fica o que é próprio do IPCA.

Pontos principais
- O IPCA é calculado pelo IBGE todo mês e acompanha os preços pagos por lares com renda de 1 a 40 salários mínimos, em 16 áreas urbanas. Florianópolis e as cidades de Santa Catarina não estão na amostra.
- Em agosto de 2026, o índice ficou em −0,32% no mês, 3,11% no ano e 4,22% em doze meses.
- É o índice da meta de inflação: 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, apurada mês a mês desde 2025.
- Desde agosto de 2024, quando o contrato ou a lei não fixam índice, a dívida em atraso é corrigida pelo IPCA (Código Civil, art. 389).
- No mercado imobiliário, o IPCA corrige aluguéis, financiamentos pós-fixados pelo IPCA, parcelas de imóveis comprados na planta depois das chaves e títulos como LCI, CRI e Tesouro IPCA+.
- Para corrigir um valor, divide-se o número-índice do mês final pelo do mês inicial. Percentuais de meses diferentes se multiplicam, não se somam.
O que é o IPCA
Por extenso, IPCA quer dizer Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Quem produz o índice é o IBGE, desde janeiro de 1980, com série iniciada em dezembro de 1979, dentro do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC), o mesmo que produz o INPC.
O índice acompanha o custo de uma cesta de produtos e serviços comprados no varejo por lares com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos, venha a renda de salário, aposentadoria, aluguel ou outra origem. Essa faixa é larga de propósito: o IPCA quer representar o consumo da maior parte das famílias urbanas, e não de um grupo específico. Por isso o governo o adota como medida oficial da inflação.
O resultado é divulgado de três formas:
- variação mensal: quanto os preços subiram ou caíram no mês;
- variação acumulada no ano: de janeiro até o mês divulgado;
- variação acumulada em doze meses: a que aparece nos contratos de aluguel e na meta de inflação.
Por trás dos percentuais há um número-índice, com base 100 em dezembro de 1993. É ele que permite corrigir valores entre quaisquer duas datas, como mostra a seção sobre cálculo mais abaixo.
IPCA-15 e IPCA-E
O IPCA-15 usa a mesma metodologia e a mesma faixa de renda do IPCA, mas muda o período de coleta e a área pesquisada. Os preços do IPCA-15 de setembro de 2026, por exemplo, foram coletados de 16 de agosto a 15 de setembro, em nove regiões metropolitanas, em Brasília e em Goiânia. O resultado sai antes do IPCA cheio e funciona como prévia da inflação do mês. Em setembro de 2026, o IPCA-15 foi de 0,70%, depois de −0,40% em agosto, segundo o IBGE.
O IPCA-E é o IPCA-15 acumulado a cada trimestre. Ficou em 0,36% no trimestre encerrado em setembro de 2026. Aparece sobretudo em correções de valores públicos e em alguns contratos com o setor público. Em contratos imobiliários entre particulares, o comum é usar o IPCA cheio.
Como o IBGE calcula o IPCA
O cálculo tem três partes: a coleta de preços, os pesos de cada item e a agregação.
Coleta. Pesquisadores do IBGE registram, ao longo do mês de referência, os preços de produtos e serviços em estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço. A pesquisa cobre 16 áreas: as regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Grande Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, mais Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Santa Catarina não entra na coleta. Quem mora em Balneário Camboriú, Itajaí ou Florianópolis tem os preços da sua cidade representados, na prática, pelas áreas vizinhas, sobretudo Curitiba e Porto Alegre. Por isso a inflação sentida no litoral catarinense, principalmente em moradia, pode ser diferente da média nacional.
Pesos. O que cada família gasta vem da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF). A estrutura em uso desde janeiro de 2020 foi montada com a POF 2017-2018 e tem 377 subitens, como arroz, gasolina, aluguel residencial, plano de saúde e mensalidade escolar. Os pesos mudam um pouco a cada mês, porque os itens que sobem mais passam a representar uma fatia maior do orçamento.
Agregação. O IBGE calcula a variação de preço de cada subitem em cada área, combina os subitens em itens, subgrupos e grupos pelos pesos, e depois junta as 16 áreas, ponderadas pela participação de cada uma no consumo. O resultado é o índice geral.
Os nove grupos do IPCA e seus pesos em agosto de 2026 foram estes:
| Grupo | Peso no índice | Variação no mês |
|---|---|---|
| Alimentação e bebidas | 21,51% | −0,34% |
| Transportes | 20,27% | −0,86% |
| Habitação | 15,50% | −1,87% |
| Saúde e cuidados pessoais | 13,76% | 0,23% |
| Despesas pessoais | 10,24% | 1,30% |
| Educação | 6,16% | 0,47% |
| Vestuário | 4,60% | 0,12% |
| Comunicação | 4,50% | −0,09% |
| Artigos de residência | 3,45% | 0,64% |
| Índice geral | 100% | −0,32% |
Alimentação e bebidas e Transportes somam cerca de 42% do índice. Por isso choques em comida e combustível mexem tanto com o IPCA.

O peso da moradia dentro do IPCA
O grupo Habitação reúne aluguel, condomínio, taxa de água e esgoto, reparos, energia elétrica, gás e artigos de limpeza. Em agosto de 2026, os principais subitens ligados ao imóvel tinham estes pesos e variações:
| Subitem | Peso no índice | Variação em 12 meses |
|---|---|---|
| Aluguel residencial | 3,64% | 4,97% |
| Condomínio | 2,22% | 4,09% |
| Taxa de água e esgoto | 1,89% | 6,27% |
| Reparos (subgrupo) | 1,34% | 6,06% |
| Energia elétrica residencial | 4,30% | 4,95% |
Dois pontos chamam atenção. O primeiro é que o aluguel residencial pesa menos de 4% no índice, porque só uma parte das famílias paga aluguel. O segundo é que a queda de 1,87% em Habitação em agosto veio da conta de luz, que caiu 7,63% no mês. Aluguel e condomínio subiram. Um mês de IPCA negativo, portanto, não significa que morar ficou mais barato.
IPCA hoje: os números de agosto de 2026
O IPCA de agosto de 2026 foi divulgado pelo IBGE em 11 de setembro. O índice caiu 0,32% no mês, acumulou 3,11% no ano e 4,22% em doze meses, abaixo dos 4,44% registrados até julho.
| Mês | Variação no mês | Acumulado em 12 meses |
|---|---|---|
| Set/2025 | 0,48% | 5,17% |
| Out/2025 | 0,09% | 4,68% |
| Nov/2025 | 0,18% | 4,46% |
| Dez/2025 | 0,33% | 4,26% |
| Jan/2026 | 0,33% | 4,44% |
| Fev/2026 | 0,70% | 3,81% |
| Mar/2026 | 0,88% | 4,14% |
| Abr/2026 | 0,67% | 4,39% |
| Mai/2026 | 0,58% | 4,72% |
| Jun/2026 | 0,16% | 4,64% |
| Jul/2026 | 0,07% | 4,44% |
| Ago/2026 | −0,32% | 4,22% |
Num contrato indexado ao IPCA com reajuste previsto para setembro de 2026, o percentual de reajuste é o acumulado até agosto: 4,22%. Um aluguel de R$ 2.500 passaria para R$ 2.605,50. As regras de mês de referência, arredondamento e negociação estão no guia de como calcular o reajuste do aluguel.
Os números acima valem para a data desta revisão. O IPCA de setembro sai em outubro; confira sempre o dado mais recente no IBGE antes de aplicar um reajuste.
O IPCA ano a ano
| Ano | IPCA no ano |
|---|---|
| 2015 | 10,67% |
| 2016 | 6,29% |
| 2017 | 2,95% |
| 2018 | 3,75% |
| 2019 | 4,31% |
| 2020 | 4,52% |
| 2021 | 10,06% |
| 2022 | 5,79% |
| 2023 | 4,62% |
| 2024 | 4,83% |
| 2025 | 4,26% |
De 2021 a 2025, o IPCA acumulou 33,1%. Quem tinha um aluguel de R$ 3.000 no começo de 2021 e o reajustou todo ano pelo índice pagaria cerca de R$ 3.994 em 2026. A comparação com o IGP-M e o INPC no mesmo período, contrato a contrato, está na comparação entre IGP-M, IPCA e IVAR.
Para que serve o IPCA
Meta de inflação e juros
O IPCA é o índice usado para medir a meta de inflação. A regra atual está no Decreto 12.079/2024 e na Resolução CMN 5.141/2024: a meta é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, e passou a ser contínua a partir de 2025. Em vez de olhar só o IPCA de dezembro, o Banco Central é cobrado mês a mês pelo acumulado em doze meses.
“Art. 2º A partir de 1º de janeiro de 2025, será considerado que a meta foi descumprida quando a inflação, medida pela variação acumulada em doze meses do índice de preços a que se refere o art. 4º, desviar-se por seis meses consecutivos da faixa do respectivo intervalo de tolerância.” (Decreto 12.079/2024, art. 2º)
Com essa regra, o IPCA acima de 4,5% de janeiro a junho de 2025 configurou o primeiro descumprimento da meta contínua. Quando isso ocorre, o Banco Central precisa explicar as causas em carta aberta ao ministro da Fazenda e no Relatório de Política Monetária (art. 6º do decreto).
A ferramenta do Banco Central para levar a inflação à meta é a taxa Selic. A meta da Selic passou a 13,75% ao ano em 17 de setembro de 2026, no quinto corte seguido desde março, quando estava em 15%. A Selic e as expectativas para o IPCA influenciam os juros do crédito imobiliário, como mostra o artigo sobre juros de financiamento imobiliário.
Correção de dívidas quando o contrato não fixa índice
A Lei 14.905/2024 mudou o Código Civil e tornou o IPCA o índice padrão de atualização monetária. A regra vale desde 30 de agosto de 2024.
“Parágrafo único. Na hipótese de o índice de atualização monetária não ter sido convencionado ou não estar previsto em lei específica, será aplicada a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado e divulgado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou do índice que vier a substituí-lo.” (Código Civil, art. 389)
A mesma lei definiu a taxa legal de juros, usada quando os juros não foram combinados: é a Selic menos o IPCA, e, se o resultado for negativo, os juros do período são zero (art. 406, §§ 1º e 3º). O Banco Central divulga essa taxa todo mês.
No dia a dia imobiliário, isso aparece em situações como estas:
- taxa de condomínio em atraso: se a convenção não fixa o índice, a dívida é corrigida pelo IPCA e recebe os juros da taxa legal, além da multa de até 2% (Código Civil, art. 1.336, § 1º);
- devolução de sinal ou de valores pagos em negócio desfeito, quando o contrato não diz como corrigir;
- indenizações e cobranças entre particulares, como aluguéis atrasados em contratos sem cláusula de correção.
Quem redige um contrato continua livre para escolher outro índice. O IPCA só entra quando o contrato e a lei específica ficam em silêncio.
Salários, benefícios e planejamento
O IPCA também serve de referência em negociações salariais, no planejamento de empresas e no cálculo do rendimento real de aplicações. Já o reajuste do salário mínimo e dos benefícios do INSS acima do mínimo usa o INPC, que é da mesma pesquisa, mas considera só as famílias de 1 a 5 salários mínimos.
IPCA nos contratos imobiliários
Aluguel
A Lei do Inquilinato deixa as partes livres para escolher o índice de reajuste, desde que não seja o salário mínimo nem a variação cambial (Lei 8.245/1991, art. 17), e a correção só pode ser anual. Durante décadas, o IGP-M dominou os contratos. A virada começou em 2020, quando o IGP-M passou de 20% em doze meses. O QuintoAndar, por exemplo, adotou o IPCA como padrão nos novos contratos com propostas a partir de 26 de novembro de 2020, segundo a própria empresa.
A vantagem do IPCA para o aluguel é medir o custo de vida do consumidor, e não preços no atacado ou câmbio. A desvantagem, do ponto de vista do proprietário, é que ele pode ficar abaixo da alta real dos aluguéis numa cidade que está valorizando. Por isso alguns contratos comerciais preferem índices próprios de aluguel. Em shoppings, o reajuste costuma seguir regras próprias, explicadas no artigo sobre aluguel de loja em shopping.
Para simular o reajuste, basta o valor do aluguel atual e o IPCA acumulado em doze meses até o mês anterior ao aniversário. Quem quiser comparar com o IGP-M encontra o cálculo passo a passo no artigo próprio desse índice.

Financiamento pelo IPCA
Alguns bancos oferecem crédito imobiliário com juros menores somados à correção pelo IPCA, no lugar da TR. Em agosto de 2026, a taxa média da Caixa nessa modalidade era de 4,84% ao ano mais o IPCA, segundo o Banco Central. Com o IPCA de 4,22% em doze meses, o custo nominal chegaria a cerca de 9,26% ao ano, antes de seguros e tarifas.
A parcela inicial fica menor, mas o saldo devedor sobe todo mês com a inflação. A comparação com as linhas pela TR, com exemplo de primeira parcela, está no artigo sobre financiamento pelo IPCA.
Compra na planta
Nos imóveis vendidos na planta, as parcelas pagas durante a obra costumam ser corrigidas pelo INCC, que mede o custo da construção. Depois da entrega das chaves, o saldo passa a ser corrigido por outro índice, e o IPCA é uma das escolhas comuns, ao lado do IGP-M, geralmente com juros. O índice de cada fase precisa estar no contrato; vale ler essa cláusula antes da compra e venda do imóvel.
Valorização real do imóvel
Um imóvel que sobe menos que o IPCA perdeu valor em termos reais, mesmo com preço maior em reais. O índice FipeZAP de venda residencial subiu 5,49% no período de doze meses encerrado em agosto de 2026, contra 4,22% do IPCA. O ganho real médio foi de cerca de 1,2%. A série longa e o cálculo da valorização real do imóvel ficam no guia sobre quanto os imóveis sobem a cada ano.
Imposto de renda na venda não usa o IPCA
Um ponto que costuma surpreender: na apuração do ganho de capital de quem vende um imóvel, o custo de aquisição não é corrigido pela inflação desde 1996.
“II - tratando-se de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária.” (Lei 9.249/1995, art. 17)
A lei compensa parte da inflação com fatores de redução do ganho, mas eles não seguem o IPCA. O cálculo completo aparece no texto dedicado ao imposto de renda na venda de imóvel.
IPCA e investimentos ligados a imóveis
Vários investimentos pagam IPCA mais uma taxa fixa. O investidor recebe a inflação do período e um ganho real combinado na compra.
- Tesouro IPCA+: título público federal. Se a taxa contratada é de 6% ao ano e o IPCA é de 4,22%, o rendimento nominal no ano fica em cerca de 10,47% (1,06 × 1,0422), antes do imposto de renda.
- LCI: a Letra de crédito imobiliário é emitida por bancos, pela Caixa, por companhias hipotecárias e outras instituições autorizadas, e tem como lastro créditos imobiliários com garantia de hipoteca ou de alienação fiduciária (Lei 10.931/2004, art. 12). Pode ter juros prefixados, pós-fixados ou atrelados ao IPCA.
- CRI: o certificado de recebíveis imobiliários é lastreado em créditos de aluguéis, financiamentos ou vendas de imóveis. Muitos pagam IPCA mais uma taxa.
- Fundos imobiliários: vários fundos de papel carregam CRIs corrigidos pelo IPCA, e fundos de tijolo têm contratos de aluguel reajustados por esse índice. O funcionamento está no artigo sobre fundo imobiliário.
- Debêntures incentivadas: as que financiam projetos prioritários de infraestrutura têm rendimentos com alíquota zero de imposto de renda para pessoa física (Lei 12.431/2011, art. 2º) e costumam pagar IPCA mais taxa.
A lógica é a mesma em todos: o IPCA protege o poder de compra, e a taxa fixa é o ganho real. Em preço de mercado, porém, esses títulos oscilam antes do vencimento, e quem vende antes pode receber menos do que aplicou.
Diferenças entre o IPCA e outros índices
| Índice | Quem calcula | O que mede | 12 meses |
|---|---|---|---|
| IPCA | IBGE | Consumo de famílias com 1 a 40 salários mínimos | 4,22% |
| INPC | IBGE | Consumo de famílias com 1 a 5 salários mínimos | 3,98% |
| IGP-M | FGV | Atacado (60%), consumidor (30%) e construção (10%) | 2,16% |
| IVAR | FGV | Aluguéis residenciais em contratos de administradoras | 5,09% |
- INPC: mesma coleta do IPCA, mas com pesos das famílias de menor renda, em que alimentação pesa mais. Em geral fica perto do IPCA.
- IGP-M: calculado pela FGV, dá peso de 60% aos preços ao produtor, sensíveis a câmbio e commodities. Oscila muito mais que o IPCA: foi de 23,14% em 2020 e de −1,05% em 2025.
- IPC-Fipe: o índice da Fipe é calculado desde janeiro de 1939 e mede o custo de vida no município de São Paulo, para famílias com renda de 1 a 10 salários mínimos. Serve bem para São Paulo, mas não representa o país.
- IVAR: mede só aluguéis residenciais, a partir de contratos reais. Mostra a variação do preço da moradia alugada, e não do custo de vida.
Qual usar no aluguel depende do que as partes querem proteger. A análise lado a lado, com a série desde 2020, está no guia sobre qual índice de reajuste de aluguel usar.
O que o IPCA não mede
Por ser um índice de preços ao consumidor, o IPCA deixa de fora algumas coisas que interessam a quem compra, vende ou aluga imóveis:
- Preço de venda de imóveis. Comprar um imóvel é investimento, não consumo, e por isso o preço dos imóveis à venda não entra na cesta. Para acompanhar esse preço, existem índices como o FipeZAP e o IGMI-R.
- Custo de construir. Materiais e mão de obra da construção são medidos pelo INCC, da FGV, e pelo Sinapi, do IBGE. Uma obra pode ficar bem mais cara do que o IPCA indica, ou mais barata.
- O aluguel de novos contratos numa cidade específica. O subitem aluguel residencial do IPCA é uma média nacional das 16 áreas pesquisadas. O preço pedido em novos anúncios no litoral catarinense pode subir em ritmo muito diferente.
- Famílias de renda muito alta. Quem ganha acima de 40 salários mínimos consome uma cesta diferente, com mais serviços, viagens e bens duráveis, e sua inflação pessoal pode se afastar do índice.
Isso não tira a utilidade do IPCA. Apenas mostra que, para decisões sobre um imóvel em particular, o índice deve ser combinado com dados do mercado local.
Um pouco de história
A série do IPCA começa em dezembro de 1979 e atravessou a hiperinflação. De janeiro de 1980 a junho de 1994, o índice acumulou cerca de 11,3 trilhões por cento, número que mostra por que moedas e cortes de zeros se sucederam naquele período. O recorde mensal foi de 82,39%, em março de 1990.
Com o Plano Real, a inflação mensal caiu rapidamente. Em julho de 1994, primeiro mês da nova moeda, o IPCA ainda foi de 6,84%. Desde agosto de 1994, só um mês passou de 3%: novembro de 2002, com 3,02%. A menor variação mensal da série foi de −0,68%, em julho de 2022, quando a redução de impostos sobre combustíveis e energia derrubou os preços administrados.
Nos anos recentes, os picos foram 2015, com 10,67%, e 2021, com 10,06%. Em ambos, o IPCA ficou acima do teto da meta então vigente.
Como consultar e calcular com o IPCA
Os dados oficiais estão no Sidra, o banco de tabelas do IBGE: a tabela 1737 traz a série histórica com número-índice e variações, e a tabela 7060 traz os grupos, subitens e pesos. O Banco Central replica a série no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (série 433 para a variação mensal e 13522 para o acumulado em doze meses) e oferece a Calculadora do Cidadão, que corrige valores pelo IPCA, pelo INPC, pelo IGP-M e por outros índices.
Para corrigir um valor por conta própria, use o número-índice:
- Encontre o número-índice do mês de partida e o do mês de chegada.
- Divida o de chegada pelo de partida. O resultado é o fator de correção.
- Multiplique o valor original pelo fator.
Exemplo: de agosto de 2016 a agosto de 2026, o fator do IPCA foi de 1,6115. R$ 100.000 de agosto de 2016 equivalem a cerca de R$ 161.149 em agosto de 2026. Um imóvel comprado por R$ 100.000 naquela data e vendido hoje por R$ 150.000 teve ganho nominal, mas perdeu valor em termos reais.
Quem só tem as variações mensais deve multiplicar os fatores, e não somar os percentuais. Três meses de 0,50% dão 1,005 × 1,005 × 1,005, ou 1,51%, e não 1,50%. Em prazos curtos a diferença é pequena. Em dez anos, passa a ser relevante.
Onde o IPCA aparece na sua vida
O IPCA é mais que um número de noticiário. Ele define a meta de inflação que orienta a Selic, corrige dívidas quando o contrato não fixa índice, reajusta boa parte dos aluguéis novos, corrige alguns financiamentos e remunera títulos ligados ao mercado imobiliário. Para usá-lo bem, basta saber qual período se aplica ao contrato, consultar a série oficial e multiplicar fatores em vez de somar percentuais.
Antes de fixar o aluguel ou o preço de venda de um imóvel, vale saber quanto ele valorizou acima da inflação. A Valen Brasil faz avaliações e pareceres de valor de mercado e de aluguel em Santa Catarina, com base em dados do mercado local.
Perguntas frequentes
Quanto está o IPCA acumulado em 12 meses?
Em doze meses até agosto de 2026, a variação foi de 4,22%, pelos dados do IBGE. O dado de setembro sai em outubro. Como o número muda todo mês, confira a divulgação mais recente antes de aplicar um reajuste.
Qual é a diferença entre IPCA e IPCA-15?
A metodologia e a faixa de renda são as mesmas. O IPCA-15 coleta preços da segunda metade de um mês até a primeira metade do seguinte e cobre 11 áreas, contra 16 do IPCA. Sai antes e funciona como prévia.
O IPCA pode ser negativo? O aluguel cai?
Pode. Em agosto de 2026, o IPCA do mês foi de −0,32%. No acumulado de doze meses, porém, o IPCA nunca ficou negativo em toda a série iniciada em 1980; o menor valor desde o Plano Real foi de 1,65%, em janeiro de 1999. Se um dia ficar, o efeito sobre o aluguel depende do que o contrato prevê para índice negativo; o tema está no guia de como calcular o reajuste do aluguel.
Qual índice corrige uma dívida quando o contrato não fala nada?
O IPCA, por força do art. 389 do Código Civil, na redação da Lei 14.905/2024, salvo se uma lei específica fixar outro índice. Os juros, nesse caso, seguem a taxa legal: Selic menos IPCA.
Por que Santa Catarina não está no IPCA?
O IBGE coleta preços em 16 áreas definidas pelo peso populacional e pelo desenho histórico do sistema. Santa Catarina não está entre elas. O índice nacional continua valendo para contratos no estado, mas a inflação local pode ser diferente.
Financiamento pelo IPCA vale a pena?
Depende da renda e do prazo. A parcela inicial é menor, mas o saldo acompanha a inflação. Para quem tem renda corrigida pela inflação e folga no orçamento, pode compensar. A comparação com a TR está no artigo sobre juros de financiamento imobiliário.
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