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Arquitetura

Arquiteto digital: o que é e como montar seu escritório on-line

Editora Valen •
Arquiteto de camisa azul manipula com as mãos um modelo tridimensional de edifício projetado sobre uma mesa digital
Ilustração do trabalho digital em arquitetura: modelo 3D, dados do projeto e colaboração a distância fazem parte da rotina do escritório on-line.

O que é um arquiteto digital e o passo a passo do método Valen Brasil para abrir um escritório de arquitetura on-line: certificado, empresa, CNAE, CAU, marca, contratos e assinatura.

Arquiteto digital, no sentido usado neste texto, é o arquiteto e urbanista que organiza todo o trabalho em ferramentas digitais, do projeto em 3D à assinatura de contratos, e por isso pode atender clientes a distância. O método Valen Brasil reúne os passos práticos para montar esse escritório enxuto: certificado digital, endereço fiscal, marca, contabilidade, abertura da empresa, registro no CAU, conta bancária, registro de marca, formação, portfólio, contratos e assinatura eletrônica. Antes de seguir, vale lembrar o que é um arquiteto e o que a lei reserva a essa profissão.

O que é um arquiteto digital?

A expressão tem dois sentidos, e os dois estão corretos.

Na tecnologia da informação

Na área de tecnologia, "arquiteto digital" (ou arquiteto de soluções) é o profissional que projeta a estrutura de sistemas, aplicativos e plataformas de acordo com as necessidades do cliente. Ele define como as partes do sistema conversam entre si e responde pela segurança, pela capacidade de crescer (escalabilidade) e pelo desempenho da solução. Não é uma profissão regulamentada como a de arquiteto e urbanista.

Na arquitetura e urbanismo

Na arquitetura, arquiteto digital é o arquiteto e urbanista que trabalha com ferramentas digitais no dia a dia: modelagem 3D, desenho em BIM (modelagem da informação da construção), programas de renderização arquitetônica, reuniões on-line e documentos assinados eletronicamente. As mesmas ferramentas permitem até usos artísticos, como os dreamscapes, paisagens imaginadas em 3D.

Daqui em diante, o texto trata só deste segundo sentido: o arquiteto e urbanista que trabalha de forma digital e, muitas vezes, remota.

Qual a diferença entre o arquiteto tradicional e o digital?

A formação e as atribuições são as mesmas; o que muda é a forma de organizar o trabalho. O arquiteto digital domina as ferramentas atuais do mercado e as usa para ganhar agilidade e reduzir os custos fixos do escritório. Entre elas estão o desenho livre no tablet, que leva o croqui para a tela, e os aplicativos de construção que registram a obra e o levantamento pelo celular.

Escritório tradicional e escritório digital de arquitetura
AspectoEscritório tradicionalEscritório digital
AtendimentoReuniões presenciais no escritórioReuniões on-line, com visitas à obra quando necessário
DocumentosPapel, cópias e firma reconhecidaArquivos eletrônicos e assinatura digital
EstruturaSala comercial própria ou alugadaEndereço fiscal e trabalho remoto
ApresentaçãoPranchas impressasModelos 3D, renders e passeios virtuais
Custos fixosAluguel, condomínio, equipe no localAssinaturas de software e serviços on-line

Em qualquer dos dois formatos, as responsabilidades legais são iguais: registro no CAU, RRT de cada trabalho e contrato com o cliente.

O método arquiteto digital: passo a passo

O método foi pensado para que o arquiteto consiga abrir e manter o próprio negócio de forma rápida e com custo baixo. Valores de taxas e serviços mudam com o tempo e de cidade para cidade; por isso, o passo a passo não traz preços, e cada etapa indica onde conferir.

Quadro com seis etapas do escritório digital de arquitetura: certificado digital e endereço fiscal, marca e abertura da empresa, contabilidade online, conta em banco digital, portfólio e contratos, cursos online
Resumo visual do método em seis blocos. Os valores em reais impressos no quadro são estimativas antigas, não conferidas; consulte preços atualizados com os fornecedores e a prefeitura.

Passo 1: tenha um certificado digital

Certificado digital é uma identidade eletrônica que permite se identificar e assinar documentos com segurança na internet. O e-CPF é o certificado da pessoa física no padrão da Receita Federal. Ele não é emitido pela Receita: quem emite são as autoridades certificadoras credenciadas na ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira) e habilitadas pela Receita, como Serpro, Certisign e Serasa. O certificado da empresa, depois de aberta, é o e-CNPJ.

Os documentos assinados com certificado ICP-Brasil têm presunção de veracidade:

“As declarações constantes dos documentos em forma eletrônica produzidos com a utilização de processo de certificação disponibilizado pela ICP-Brasil presumem-se verdadeiros em relação aos signatários, na forma do art. 131 da Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 - Código Civil.” (Medida Provisória 2.200-2/2001, art. 10, § 1º)

O certificado ajuda na abertura da empresa, no acesso a sistemas públicos e na assinatura de contratos com clientes. Para quem ainda não tem, há uma alternativa gratuita para assinar documentos: a assinatura eletrônica do gov.br, disponível para contas prata ou ouro.

Passo 2: defina o endereço da empresa

Toda empresa precisa de um endereço de registro, e a atividade precisa ser permitida naquele endereço pelas regras de zoneamento do município. Antes de registrar, faça a consulta de viabilidade na prefeitura ou no portal da junta comercial do estado.

Muitos arquitetos preferem não usar o endereço de casa: há questões de privacidade, de imagem profissional e, em alguns condomínios e municípios, restrições ao uso comercial do imóvel residencial. Uma opção é contratar um endereço fiscal ou comercial em escritórios compartilhados; em Santa Catarina, uma das empresas que oferecem esse serviço é a suitebras, que publicou um texto com os motivos para não abrir empresa em imóvel residencial. A decisão depende do caso e das regras locais.

Passo 3: crie o nome e a marca

Pode ser o seu nome ou um nome criado. Ferramentas on-line ajudam a gerar ideias:

Atenção ao nome da empresa. A lei da profissão restringe o uso da palavra "arquitetura":

“É vedado o uso das expressões “arquitetura” ou “urbanismo” ou designação similar na razão social ou no nome fantasia de sociedade que não possuir arquiteto e urbanista entre os sócios com poder de gestão ou entre os empregados permanentes.” (Lei 12.378/2010, art. 11)

Antes de fechar o nome, pesquise se já existe marca igual ou parecida registrada no mesmo ramo (ver o passo 7).

Passo 4: contrate uma contabilidade on-line

Contabilidade on-line é o serviço contábil prestado inteiramente pela internet: documentos, guias e relatórios circulam por plataforma digital, sem troca de papel. Muitas oferecem um sistema de gestão em que o cliente acompanha a situação da empresa mês a mês. Algumas empresas do setor:

Compare mensalidade, o que está incluído (folha de pagamento, pró-labore, emissão de notas) e o atendimento. O contador vai orientar a escolha do regime de tributação. No Simples Nacional, os serviços de arquitetura estão no grupo tributado pelo Anexo V, mas passam ao Anexo III quando a folha de salários, incluído o pró-labore, chega a 28% ou mais da receita bruta dos últimos 12 meses, o chamado fator R (Lei Complementar 123/2006, art. 18, §§ 5º-I, VI, e 5º-J). Essa conta afeta diretamente o imposto pago.

Passo 5: abra a empresa

Para o arquiteto que vai atuar sozinho, o tipo mais usado é a sociedade limitada unipessoal (SLU), que a lei passou a admitir em 2019:

“A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas.” (Código Civil, art. 1.052, § 1º)

Na SLU, a responsabilidade do sócio fica, em regra, limitada ao capital da empresa. O custo total de abertura varia conforme o estado, a junta comercial e, principalmente, as taxas municipais de alvará e licença, que mudam bastante de uma cidade para outra. Peça ao contador um orçamento com todas as taxas da sua cidade.

Na abertura, a empresa informa sua atividade econômica pela CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas). O código dos serviços de arquitetura, segundo o IBGE, é:

  • CNAE 7111-1/00 – Serviços de arquitetura

Com o CNPJ em mãos, falta o registro profissional da empresa. Pelo parágrafo único do art. 10 da Lei 12.378/2010, o escritório constituído como empresa precisa estar cadastrado no conselho do estado onde tem sede. O art. 7º vai além e enquadra a falta de registro como exercício ilegal:

“Exerce ilegalmente a profissão de arquiteto e urbanista a pessoa física ou jurídica que realizar atos ou prestar serviços, públicos ou privados, privativos dos profissionais de que trata esta Lei ou, ainda, que, mesmo não realizando atos privativos, se apresenta como arquiteto e urbanista ou como pessoa jurídica que atue na área de arquitetura e urbanismo sem registro no CAU.” (Lei 12.378/2010, art. 7º)

O papel do conselho e o registro de cada trabalho estão explicados nos textos sobre o CAU e sobre o RRT.

Passo 6: abra uma conta em banco digital

A empresa precisa de conta própria, separada da conta pessoal. Vários bancos digitais oferecem conta para pessoa jurídica, alguns sem mensalidade, com Pix, boletos e cartão. Exemplos:

  1. Nubank PJ
  2. Banco Inter
  3. C6 Bank
  4. PagBank, do PagSeguro (conta digital)
  5. Stone
  6. Cora
  7. Banco BS2

Condições mudam com frequência. Compare tarifas, limites de transação, emissão de boletos e notas, integração com a contabilidade e atendimento antes de escolher.

Passo 7: registre a marca no INPI

O nome da empresa na junta comercial não é o mesmo que a marca registrada. A proteção da marca vem do registro no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial):

“A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148.” (Lei 9.279/1996, art. 129)

O pedido é feito pelo sistema eletrônico do INPI, diretamente pelo titular ou com apoio de um profissional ou empresa especializada. Antes, faça a busca de anterioridade para ver se a marca já existe. Para quem quer se aprofundar, o curso Tudo Marca trata da construção e registro da marca do escritório de arquitetura.

Passo 8: invista em formação

Cursos on-line e presenciais ajudam a atualizar o uso de programas, a gestão do escritório e a apresentação de projetos. A lista de 7 sites de cursos online para arquitetos reúne opções. A leitura também conta: esta seleção de livros para empreender na arquitetura traz títulos sobre negociação, modelo de negócio e relacionamento com clientes.

Passo 9: monte o portfólio on-line

Para trabalhar a distância, o portfólio é a vitrine. Há plataformas gratuitas e pagas:

  1. Behance: plataforma de portfólio para designers, arquitetos e outros criativos.
  2. Archello: plataforma dedicada a arquitetura e design.
  3. Adobe Portfolio: criador de portfólios da Adobe.
  4. Wix: criador de sites com modelos de portfólio.
  5. Squarespace: outro criador de sites com modelos para portfólio.

Escolha uma plataforma fácil de atualizar e pense no custo ao longo de vários anos, não só no primeiro mês: um portfólio on-line leva tempo para gerar clientes, e trocar de plataforma no meio do caminho dá trabalho.

Passo 10: use contrato em todo trabalho

Contrato escrito deve ser regra, mesmo em projetos pequenos. A maioria dos conflitos entre arquiteto e cliente não é sobre dinheiro, e sim sobre o que foi combinado e não cumprido por uma das partes. O contrato coloca no papel escopo, etapas, número de revisões, prazos, pagamentos e o que acontece se o projeto mudar.

O ideal é ter um modelo revisado por advogado. Quem prefere começar por modelos prontos encontra opções em sites como:

Qualquer modelo precisa ser adaptado à arquitetura: descrição das etapas (estudo preliminar, anteprojeto, projeto legal, executivo), responsabilidade técnica, direitos autorais sobre o projeto e emissão do RRT.

Passo 11: use uma plataforma de assinatura eletrônica

Com o contrato pronto, falta assinar. As plataformas de assinatura eletrônica guardam os documentos organizados e registram data, hora e dados de quem assinou. Existem três níveis de assinatura eletrônica na Lei 14.063/2020 (simples, avançada e qualificada); a qualificada é a feita com certificado digital ICP-Brasil e tem o nível mais alto de confiança. Serviços disponíveis:

Depois dessas etapas, o escritório digital está montado. Repare que o método não fala de softwares de projeto: ser arquiteto digital é estar presente e organizado no ambiente digital, não usar este ou aquele programa.

Pontos principais

  • Na arquitetura, arquiteto digital é o arquiteto e urbanista que trabalha com ferramentas digitais e, muitas vezes, de forma remota; as responsabilidades legais são as mesmas do escritório tradicional.
  • O e-CPF é emitido por autoridades certificadoras da ICP-Brasil habilitadas pela Receita; a assinatura do gov.br é uma alternativa gratuita.
  • O nome da empresa só pode usar "arquitetura" se houver arquiteto e urbanista entre os sócios gestores ou empregados permanentes.
  • O CNAE dos serviços de arquitetura é 7111-1/00; no Simples Nacional, o fator R define se a tributação será pelo Anexo V ou pelo Anexo III.
  • A empresa precisa de cadastro no CAU; atuar sem ele é exercício ilegal da profissão.
  • Marca se protege com registro no INPI, e todo trabalho deve ter contrato e RRT.

Perguntas frequentes

Arquiteto pode trabalhar só on-line?

Pode atender, projetar e assinar contratos a distância. Visitas ao terreno, levantamentos e acompanhamento de obra continuam exigindo presença, própria ou de um profissional contratado.

Qual o CNAE para escritório de arquitetura?

O código 7111-1/00, "Serviços de arquitetura", da Classificação Nacional de Atividades Econômicas do IBGE.

Preciso registrar a empresa no CAU?

Sim. A empresa de arquitetura precisa de cadastro no conselho do estado da sede, como manda a Lei 12.378/2010, e cada trabalho continua exigindo RRT.

Qual o tipo de empresa mais indicado para arquiteto sozinho?

A sociedade limitada unipessoal (SLU) é a opção mais usada, porque permite um único sócio com responsabilidade limitada. O contador pode indicar alternativas conforme o caso.

Contrato assinado eletronicamente vale?

Sim. A Lei 14.063/2020 reconhece três níveis de assinatura eletrônica, e documentos assinados com certificado ICP-Brasil têm presunção de veracidade pela Medida Provisória 2.200-2/2001.

A sequência de decisões do escritório digital

Montar um escritório digital de arquitetura é, em boa parte, uma sequência de decisões práticas: certificado, endereço, empresa, registro no CAU, conta, marca, portfólio e contratos. Cada etapa tem regras próprias, e o custo real depende da cidade e dos fornecedores escolhidos, por isso vale confirmar tudo com o contador antes de começar. Se o seu escritório também atua com avaliação de imóveis ou precisa de laudos para clientes que vão comprar, vender ou financiar, a Valen Brasil pode ser parceira técnica nessa etapa.

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