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Valen Brasil
Avaliação Imobiliária

Método da capitalização da renda: fórmula, taxa e exemplo de cálculo

Editora Valen •
Vista aérea de um bairro de casas com telhado cerâmico e piscinas, cortado por avenidas curvas
Pelo método da renda, o valor de um imóvel vem do aluguel que ele gera, descontadas vacância e despesas do proprietário

Como o método da capitalização da renda (NBR 14653) calcula o valor de imóveis locados: renda líquida, vacância, taxa e exemplo com sensibilidade.

Pelo método da capitalização da renda, um imóvel vale o dinheiro que é capaz de gerar: projetam-se os aluguéis ou outras receitas, descontam-se vacância e despesas do proprietário, e essa renda líquida é descontada até hoje por uma taxa compatível com o retorno exigido pelo mercado e com o risco do negócio. É o método indicado para lojas, salas, galpões e prédios locados, e está previsto na NBR 14653, conjunto de normas sobre avaliação de bens editado pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Um panorama dos métodos e de quando contratar uma avaliação está no guia de avaliação de imóveis.

Pontos principais

  • A Parte 1 da NBR 14653 define o método como aquele que identifica o valor pela capitalização presente da renda líquida prevista, em cenários viáveis. A Parte 2, de imóveis urbanos, o chama de "método da renda".
  • O caminho da norma é o fluxo de caixa: receitas e despesas previstas, cada uma na sua data, descontadas pela taxa mínima de atratividade.
  • A fórmula curta "valor = renda líquida ÷ taxa" é um caso particular: vale quando a renda é constante e se supõe que dure indefinidamente.
  • Para hotéis, shoppings e negócios parecidos, a norma remete à sua Parte 4, dedicada a empreendimentos.
  • Pequenas mudanças na taxa movem muito o resultado: no exemplo deste texto, passar de 8% para 7% ao ano aumenta o valor em cerca de 14%.
  • O contrato de locação, a matrícula e a Lei do Inquilinato definem quanto da renda projetada é de fato garantida.

O que é o método da capitalização da renda

A ideia é a de qualquer investidor: um imóvel alugado vale o que valem, hoje, os aluguéis que ele vai render. Quem compra uma loja por R$ 1 milhão está trocando esse valor por uma sequência de receitas futuras; o preço justo é aquele que, descontado o risco e o custo de oportunidade do dinheiro, iguala as duas coisas.

Na NBR 14653-1, o método aparece entre os que servem para identificar o valor de um bem, de seus frutos e direitos, ao lado do comparativo direto de dados de mercado, do involutivo e do evolutivo. A mesma parte da norma define valor econômico como o valor presente da renda líquida que o empreendimento pode gerar ao longo da sua vida econômica, a uma taxa de desconto que corresponde ao custo de oportunidade, em cenários previsíveis e com risco. Quando essa taxa e os cenários são os médios praticados no mercado, o resultado corresponde ao valor de mercado.

A Parte 2 detalha quatro etapas para imóveis urbanos que não sejam empreendimentos:

  1. levantar as receitas da exploração do imóvel e todas as despesas de manutenção, operação e impostos;
  2. montar o fluxo de caixa com essas receitas e despesas nas épocas em que ocorrem;
  3. estabelecer a taxa mínima de atratividade, estimada pelas alternativas de investimento no mercado de capitais e pelos riscos do negócio;
  4. calcular o valor atual do fluxo de caixa, descontado por essa taxa.

A norma também lembra que, para a identificação do valor de mercado, o método comparativo deve ser preferido sempre que possível. A capitalização da renda entra quando o imóvel é comprado e vendido essencialmente como investimento, quando faltam vendas comparáveis ou como segundo método, para conferir o resultado do comparativo.

Para quais imóveis o método serve

Ele funciona melhor quando a renda é a razão de ser do imóvel: lojas de rua, salas comerciais, lajes corporativas, galpões logísticos, prédios inteiros locados, vagas de garagem exploradas comercialmente, imóveis com contrato de locação de longo prazo. Hotéis, shopping centers, hospitais, escolas e outros empreendimentos de base imobiliária, cuja receita depende da operação de um negócio, são avaliados pela Parte 4 da NBR 14653, que trata de empreendimentos.

Para a casa ou o apartamento em que o dono mora, o método raramente é o principal. Esses imóveis têm mercado de compra e venda ativo, e a norma manda preferir a comparação direta. Ainda assim, a renda potencial de aluguel pode ser usada como verificação, e é a base de quem avalia um apartamento comprado para alugar. Como estimar o aluguel de mercado está no texto sobre calcular o valor do aluguel.

Os componentes do cálculo

Receita bruta potencial

É o total que o imóvel renderia com ocupação plena, a aluguel de mercado. Se o imóvel já está locado, o avaliador compara o aluguel do contrato com o de mercado: um contrato abaixo do mercado reduz o valor até a próxima revisão; um contrato acima do mercado pode não se sustentar na renovação. A pesquisa do aluguel de mercado segue a mesma lógica da pesquisa de preços de venda: dados de imóveis semelhantes, fontes identificadas, ajuste das diferenças.

Vacância e inadimplência

Nenhum imóvel fica alugado 100% do tempo. Entre um inquilino e outro há meses sem receita, custo de reforma e de corretagem, e parte dos aluguéis pode não ser paga. O manual de avaliação de imóveis publicado em 2024 pela SPU, a Secretaria do Patrimônio da União, lista a provisão para vacância, inadimplência e outras perdas entre os elementos obrigatórios do cálculo. O percentual deve vir do mercado local e do tipo de imóvel, e não de um número padrão.

Despesas do proprietário

Da receita efetiva saem as despesas que ficam com o dono. Pela Lei do Inquilinato, impostos, taxas e seguro contra fogo são do locador, salvo se o contrato disser o contrário (Lei 8.245/1991, art. 22, VIII), e as despesas extraordinárias de condomínio também (art. 22, X). Na prática, muitos contratos comerciais transferem o IPTU ao inquilino, e o avaliador precisa ler o contrato. Entram ainda taxa de administração, manutenção estrutural, seguros e reservas para reposição de equipamentos. O IPTU, cobrado pelo município sobre imóveis urbanos (Código Tributário Nacional, art. 32), entra nessa lista quando não é repassado; o funcionamento do imposto é explicado no artigo sobre IPTU.

A depreciação física do imóvel também pesa: prédios mais velhos exigem mais manutenção e perdem atratividade, o que aparece em despesas maiores ou em aluguel de mercado menor. O assunto está em depreciação de imóveis.

Renda líquida

Receita potencial, menos vacância e inadimplência, menos despesas do proprietário: o que sobra é a renda líquida operacional, a base da capitalização. Financiamento não entra nessa conta. A forma como o comprador paga o imóvel (à vista ou financiado) não muda o valor do bem; muda apenas o retorno do investidor sobre o capital próprio.

Taxa de capitalização ou de desconto

É o ponto mais delicado. A Parte 2 fala em taxa mínima de atratividade, estimada pelas oportunidades de investimento alternativas e pelos riscos do negócio. No mercado, fala-se em cap rate (taxa de capitalização), a relação entre a renda líquida anual e o preço pago pelo imóvel. As duas ideias se encontram: a taxa usada na avaliação deve ser compatível com a que o mercado aceita para imóveis semelhantes, no mesmo lugar e com o mesmo risco.

A taxa não se escolhe; se pesquisa. O melhor caminho é medir, em vendas de imóveis locados semelhantes, a relação entre a renda líquida e o preço. Referências complementares ajudam a calibrar: os fundos de investimento imobiliário divulgam receitas de locação e valor dos ativos, o que dá uma noção das taxas praticadas em escritórios, galpões e shoppings. Esses fundos são regidos pela Resolução CVM 175 e acompanhados pelo índice IFIX, da B3; o funcionamento desses fundos está no texto sobre fundo imobiliário. Uma loja de rua numa cidade média não tem, porém, o mesmo risco de um galpão locado a uma grande empresa por dez anos, e a taxa precisa refletir isso.

Horizonte e valor residual

No fluxo de caixa, o avaliador projeta a renda ano a ano por um período e, no fim, estima quanto o imóvel valerá — o valor residual ou de revenda. O manual da SPU adota, para seus imóveis, um cenário básico de no mínimo dez anos. O horizonte deve conversar com os contratos: um prédio com locações comerciais renováveis de cinco anos tem perfil de receita diferente de uma carteira de contratos curtos.

Fluxograma com as cinco etapas do método da capitalização da renda: renda bruta, despesas e vacância, renda líquida, taxa de capitalização e valor do imóvel
Da receita bruta ao valor: vacância e despesas do proprietário são descontadas antes de a renda líquida ser capitalizada pela taxa de mercado

Capitalização direta e fluxo de caixa descontado

Existem duas formas de fazer a conta, e a diferença entre elas explica boa parte dos erros que se veem em pareceres.

Capitalização direta. Divide-se a renda líquida anual pela taxa: V = RL ÷ i. A fórmula é a de uma renda constante e perpétua. Ela é útil para imóveis estabilizados, com contratos de mercado e sem mudanças previstas, e para conferências rápidas.

Fluxo de caixa descontado. Projeta-se a renda de cada ano, com revisões contratuais, vacâncias previstas, reformas e o valor de revenda ao fim do horizonte, e desconta-se cada parcela pela taxa. É o procedimento descrito na Parte 2 e o único adequado quando a renda muda ao longo do tempo: contrato abaixo do mercado que será revisto, reforma necessária em três anos, inquilino que deve sair.

A fórmula do valor presente de uma renda constante por n anos ajuda a ver a relação entre as duas: V = RL × [1 − (1 + i)^−n] ÷ i. Quando n cresce muito, o termo (1 + i)^−n se aproxima de zero e a expressão vira RL ÷ i, a capitalização direta.

Exemplo de cálculo

O exemplo é hipotético e usa números redondos. Uma loja de rua está alugada por R$ 10.000 por mês, valor compatível com o mercado local. O contrato transfere o IPTU e o condomínio ordinário ao inquilino.

Da receita bruta à renda líquida (exemplo hipotético)
ItemCálculoValor anual
Receita bruta potencialR$ 10.000 × 12 mesesR$ 120.000
Vacância e inadimplência8% da receita bruta− R$ 9.600
Receita efetiva120.000 − 9.600R$ 110.400
Despesas do proprietário (administração, seguro, manutenção estrutural)5% da receita efetiva− R$ 5.520
Renda líquida110.400 − 5.520R$ 104.880

Com taxa de 8% ao ano, pesquisada em vendas de lojas locadas semelhantes, a capitalização direta dá R$ 104.880 ÷ 0,08 = R$ 1.311.000.

O mesmo número sai pelo fluxo de caixa, se a renda for constante. Dez anos de renda descontados a 8% valem R$ 104.880 × 6,7101 = R$ 703.753. O valor de revenda no ano 10, estimado pela mesma taxa (R$ 1.311.000), trazido a valor presente, vale R$ 1.311.000 ÷ 2,1589 = R$ 607.247. A soma é R$ 1.311.000. Quando a renda não é constante — um reajuste acima da inflação na renovação, uma vacância de seis meses prevista para o ano 4 —, só o fluxo de caixa capta a diferença.

Sensibilidade à taxa

Valor da loja do exemplo com diferentes taxas de capitalização
Taxa anualValor (R$ 104.880 ÷ taxa)Diferença em relação a 8%
7%R$ 1.498.286+ 14,3%
8%R$ 1.311.000—
9%R$ 1.165.333− 11,1%

Um ponto percentual de diferença na taxa muda o valor em mais de R$ 140 mil. Por isso a norma exige que a taxa seja justificada, e por isso o laudo deve mostrar de onde ela veio. Uma análise de sensibilidade, com o valor em cenários de taxa e de vacância diferentes, é a forma mais honesta de apresentar o resultado a quem vai decidir.

O contrato de locação e a matrícula entram na conta

A renda que alimenta o cálculo vem de um contrato, e a Lei do Inquilinato define o que se pode esperar dele. As regras gerais são explicadas no artigo sobre a Lei do Inquilinato; três pontos pesam diretamente na avaliação.

Revisão do aluguel

“Art. 19. Não havendo acordo, o locador ou locatário, após três anos de vigência do contrato ou do acordo anteriormente realizado, poderão pedir revisão judicial do aluguel, a fim de ajustá-lo ao preço de mercado.” (Lei 8.245/1991, art. 19)

Um aluguel abaixo do mercado tende a subir na revisão; um acima tende a cair. O fluxo de caixa deve prever a data em que a revisão é possível e o novo patamar.

Renovação compulsória no comércio

“Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário terá direito a renovação do contrato, por igual prazo, desde que, cumulativamente: I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado; II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos; III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos.” (Lei 8.245/1991, art. 51)

Uma loja com inquilino que já tem direito à renovação tem receita mais previsível, mas também menos liberdade para o dono buscar outro locatário ou mudar o aluguel fora da ação renovatória. Em shoppings, o contrato costuma ter regras próprias de aluguel mínimo e percentual sobre vendas; o tema está em reajuste de aluguel em shopping.

Venda do imóvel locado

“Art. 8º Se o imóvel for alienado durante a locação, o adquirente poderá denunciar o contrato, com o prazo de noventa dias para a desocupação, salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel.” (Lei 8.245/1991, art. 8º)

Para o inquilino, a averbação protege o contrato. Para quem avalia um imóvel de renda para venda, ela mostra se o comprador herda uma receita garantida ou apenas uma locação que pode ser encerrada. A matrícula e as certidões podem ser solicitadas pela internet, e o portal Registro de Imóveis do Brasil centraliza esses pedidos aos cartórios; o que é a averbação está em averbação.

O índice de reajuste

Entre a data da avaliação e o fim do horizonte, o aluguel é corrigido pelo índice do contrato. O IPCA, calculado pelo IBGE, o instituto oficial de estatística do país, é divulgado com variação mensal, no ano e em doze meses e aberto por grupos e itens, o que permite comparar a correção contratual com o comportamento dos preços de habitação. O IGP-M já teve variações muito distantes do IPCA em alguns anos, e a escolha do índice muda a renda projetada. As regras de correção estão em reajuste de aluguel. Em avaliações feitas em moeda constante, o fluxo é projetado sem inflação e a taxa de desconto também deve ser real; misturar renda nominal com taxa real, ou o contrário, distorce o resultado.

Fatores que influenciam o resultado

Localização continua sendo o fator de maior peso: define o aluguel de mercado, a vacância esperada e o risco que o investidor enxerga. Mas no método da renda outros fatores aparecem com mais nitidez do que no comparativo:

  • qualidade do inquilino: uma empresa sólida com contrato longo reduz o risco e, portanto, a taxa;
  • prazo e cláusulas do contrato: vigência, garantias, multa por rescisão, cláusula de vigência averbada;
  • flexibilidade do imóvel: um galpão com pé-direito alto e docas serve a muitos inquilinos; uma loja adaptada para um único uso tem vacância maior quando o inquilino sai;
  • idade e estado de conservação: determinam as despesas futuras e as reformas necessárias;
  • vagas de garagem e acesso: em escritórios e comércio, afetam diretamente o aluguel que o imóvel consegue cobrar;
  • conjuntura: juros altos elevam o retorno das aplicações financeiras e empurram para cima a taxa exigida dos imóveis.

Séries públicas ajudam a situar o momento do mercado. O IVG-R, índice do Banco Central construído com os valores de avaliação de imóveis residenciais dados em garantia de financiamentos, mostra para onde esses valores caminham no longo prazo, e o Secovi-SP publica pesquisas de locação e de venda. Nenhuma delas substitui a pesquisa do mercado específico do imóvel.

Especificação do laudo

A Parte 2 da NBR 14653, de 2011, tem tabelas de grau de fundamentação para o método comparativo, para o involutivo, para o evolutivo e para a quantificação de custo, mas não para o método da renda. O manual de avaliação da SPU registra essa lacuna e recomenda adotar as tabelas de fundamentação da Parte 4, de empreendimentos. A Parte 4 organiza o trabalho em documentação básica, vistoria, coleta de dados, escolha da metodologia, análise das séries históricas e fluxo de caixa, e enquadra o laudo em graus pela pontuação de dez itens, no mesmo sistema de 1 a 3 pontos por item das outras partes.

Na prática, um laudo pela renda bem fundamentado mostra: a pesquisa de aluguéis de mercado; a leitura do contrato em vigor; a origem de cada despesa; a justificativa da vacância; a pesquisa ou a composição da taxa; o fluxo de caixa com a planilha; e a análise de sensibilidade. O que um laudo deve conter, item por item, está em laudo de avaliação do imóvel.

Quem assina o laudo

A Resolução 218/1973 do Confea, órgão federal que fiscaliza a engenharia e a agronomia, discrimina as atividades das modalidades profissionais e reúne a avaliação numa delas:

“Atividade 06 - Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico;” (Resolução Confea 218/1973, art. 1º)

A NBR 14653-1 atribui a engenharia de avaliações a engenheiros e arquitetos, que registram a responsabilidade pelo laudo com ART (no Crea) ou RRT (no CAU). Corretores de imóveis seguem a regulamentação do Cofeci, o Conselho Federal de Corretores de Imóveis, e dos Crecis regionais, e emitem outro documento, o parecer de avaliação mercadológica. O perfil de quem pode avaliar imóveis está em texto próprio.

A normalização técnica no país cabe à ABNT, e os profissionais de avaliação e perícia se organizam no Ibape, o instituto nacional que reúne as entidades estaduais da área. Saber qual profissional assinou e sob qual regra importa tanto quanto a conta: o documento que serve para uma finalidade pode não servir para outra.

Análise de fluxo de caixa além da avaliação

A mesma planilha que sustenta a avaliação serve ao investidor para outras decisões. A Parte 1 da norma prevê métodos para identificar indicadores de viabilidade de um empreendimento, baseados no fluxo de caixa projetado: valor presente líquido, taxa interna de retorno, tempo de retorno. Com eles, o investidor responde perguntas que a avaliação sozinha não responde: vale a pena reformar a loja para aumentar o aluguel? Comprar à vista ou financiado? Manter o imóvel ou vender e aplicar o dinheiro?

Nessa análise de investimento, entram itens que ficam fora da avaliação de mercado: o financiamento do comprador, os impostos sobre a renda do proprietário (que dependem de ser pessoa física ou jurídica), o custo de oportunidade próprio de cada investidor. Por isso, o valor de mercado e o valor que um investidor específico está disposto a pagar podem ser diferentes; a norma chama este último de valor especial quando depende de condições particulares de um comprador. Para quem concentra imóveis de renda numa empresa, a comparação entre a tributação da pessoa física e a da pessoa jurídica está em holding patrimonial, e a relação entre retorno e facilidade de venda, em investimento e liquidez.

Vantagens e limitações do método

A principal vantagem é falar a língua do investidor. O resultado mostra de onde vem o valor — aluguel, despesas, risco — e permite testar hipóteses. Para imóveis comprados para renda, é o método que melhor explica o preço, e costuma ser o único viável quando quase não há vendas de imóveis semelhantes.

As limitações são as de qualquer projeção:

  • sensibilidade à taxa: como mostrou o exemplo, um ponto percentual muda o valor em mais de 10%;
  • dependência de premissas: vacância, despesas e crescimento da renda são estimativas, e pequenos erros se acumulam ao longo do horizonte;
  • dados escassos: vendas de imóveis locados com renda conhecida são menos numerosas que vendas comuns, o que dificulta medir a taxa;
  • risco de circularidade: calcular a taxa a partir de preços pedidos, e não de negócios fechados, faz o método apenas repetir o que o mercado anuncia.

A resposta a essas limitações é transparência: mostrar a fonte de cada número, apresentar cenários e, quando possível, conferir o resultado com outro método.

Comparação com os outros métodos

Método da renda e os demais métodos da NBR 14653
MétodoPergunta que respondeUso típico
Comparativo direto de dados de mercadoPor quanto imóveis semelhantes foram negociados?Apartamentos, casas, salas, terrenos com mercado ativo
Capitalização da rendaQuanto vale hoje a renda que o imóvel vai produzir?Lojas, salas e galpões locados, prédios de renda
InvolutivoQuanto vale o terreno para um empreendimento viável?Terrenos e glebas com potencial construtivo
EvolutivoQuanto custa refazer o imóvel, ajustado ao mercado?Imóveis sem comparáveis, residências singulares, galpões

O método involutivo também trabalha com fluxo de caixa, mas de um empreendimento hipotético: parte do aproveitamento eficiente do terreno, projeta a receita das vendas, desconta custos e lucro e chega ao valor do lote. O método evolutivo soma terreno e construção depreciada e aplica um fator de comercialização. Num laudo de imóvel comercial, é comum usar a renda e conferir pelo evolutivo ou pelo comparativo; o assunto está em avaliação de imóvel comercial.

Ferramentas para aplicar o método

O método não exige programa específico: uma planilha bem montada resolve o fluxo de caixa, o desconto e a análise de sensibilidade. Existem programas de avaliação que organizam a pesquisa de aluguéis, montam o fluxo e geram o relatório, e plataformas que reúnem dados de oferta de imóveis. Ao escolher uma ferramenta, verifique se ela mostra a memória de cálculo, permite alterar cada premissa e exporta os dados para o laudo — a norma exige que o cálculo possa ser conferido por outra pessoa. Portais de anúncios servem para a pesquisa de aluguéis, desde que os preços pedidos sejam tratados como ofertas, e não como negócios fechados.

O que o método da renda traduz

O método da capitalização da renda traduz em valor presente aquilo que um imóvel de renda promete: aluguéis, menos vacância, menos despesas, descontados a uma taxa que o mercado aceita. A conta é simples de escrever e exigente de fundamentar. Os números que mais pesam — aluguel de mercado, vacância e taxa — precisam vir de pesquisa, e o contrato de locação e a matrícula dizem quanto dessa renda é de fato garantido.

Se você vai comprar, vender, dar em garantia ou dividir um imóvel comercial locado, a Valen Brasil avalia imóveis de renda pela NBR 14653 para clientes de Balneário Camboriú, Itajaí, Blumenau e arredores, com o fluxo de caixa, a origem da taxa e os cenários apresentados no laudo.

Perguntas frequentes

O que é o método da capitalização da renda?

É o método da NBR 14653 que estima o valor de um imóvel pelo valor presente da renda líquida que ele deve gerar, em cenários viáveis. Na Parte 2 da norma, de imóveis urbanos, é chamado de método da renda.

Qual é a fórmula do método da capitalização da renda?

A forma completa é o fluxo de caixa descontado: cada receita e despesa futura é descontada, pela taxa mínima de atratividade, até a data da avaliação. A forma simplificada, V = renda líquida anual ÷ taxa, vale para renda constante e perpétua.

Como se define a taxa de capitalização?

Pela pesquisa de mercado: a relação entre renda líquida e preço em vendas de imóveis locados semelhantes, complementada por referências como o retorno de fundos imobiliários e das aplicações de risco comparável. A norma pede que a taxa reflita as alternativas de investimento e os riscos do negócio, e o laudo deve mostrar sua origem.

Quais fatores influenciam a avaliação pelo método da renda?

Aluguel de mercado, vacância, inadimplência, despesas do proprietário, taxa de desconto, prazo e cláusulas do contrato, qualidade do inquilino, localização, estado de conservação e conjuntura de juros.

Quais são as vantagens do método?

Explica o valor na linguagem do investidor, mostra de onde vem cada parcela do resultado, permite testar cenários e funciona quando faltam vendas comparáveis de imóveis de renda.

Quais são as desvantagens do método?

A sensibilidade à taxa (um ponto percentual muda o valor em mais de 10%), a dependência de premissas sobre o futuro e a escassez de dados de vendas de imóveis locados para medir a taxa com segurança.

Posso avaliar meu apartamento pelo método da renda?

Pode como verificação ou se ele foi comprado para alugar. Para o valor de mercado de um apartamento com vendas comparáveis na região, a NBR 14653 recomenda preferir o método comparativo direto.

Existem ferramentas que ajudam a aplicar o método?

Sim: planilhas eletrônicas resolvem o cálculo, e há programas e plataformas de avaliação que organizam dados e relatórios. O importante é que a ferramenta mostre a memória de cálculo e permita conferir e alterar cada premissa.

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